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Professores mantêm greve até o próximo dia 9 de maio, pelo menos, afirma o sindicato da categoria.

Da ocupação e reunião com representantes da instituição

Dentro do prédio da Galileo Educacional
Estudantes da UniverCidade ocuparam a sede da Galileo Educacional (fotos 1 e 2) – grupo gestor – no centro da capital carioca por quase seis horas (até às 2h da manhã), nesta quarta-feira (2/5), durante protesto, por estarem quatro semanas sem aulas e por atrasos salariais aos docentes. Os manifestantes adentraram no prédio por volta das 20h10, com o apoio da União Estadual dos Estudantes do RJ (UEE-RJ) e União Nacional dos Estudantes (UNE), e se negaram a deixar o local, se não houvesse uma reunião com algum representante da instituição.

Já por volta das 22h, chegou ao local o pró-reitor Fernando Braga, para tentar negociar com os alunos, que deixassem o prédio. Somente depois de muita discussão é que conseguiram uma reunião entre um grupo de manifestantes (composto por alguns estudantes e duas professoras) e representantes da faculdade, nesse caso os senhores Fernando Braga e Wanderley Cantieri. Este último estaria deixando o cargo de pró-reitor para ocupar o cargo de diretor de Operações, e passando a “peteca” para o professor Braga, quem estaria assumindo como pró-reitor de Operações Acadêmicas. O encontro começou por volta das 23h40, no oitavo andar, e teve duas horas de duração, e com a presença de dois seguranças (idêntico ao que teriam feito na reunião entre o antigo pró-reitor e os docentes, em Ipanema, no dia 13/4). Os estudantes tiveram a oportunidade de expor suas insatisfações e tirar dúvidas. De acordo com os presentes ao OPINÓLOGO, os conteúdos discutidos teriam sido: a promessa feita pelo novo diretor de que o salário de abril estaria depositado até o próximo dia 8 de maio, ou seja, quinto dia útil, no Banco Mercantil. Em relação ao pagamento de março, disse que poderia sair a qualquer momento, mas que não tinha uma previsão, e que possivelmente seria até o dia 15 deste mês, já que estaria em 18 dias, aproximadamente, a captação de fundos junto ao banco para que se pagasse o mês retrasado. E teria garantido que não haveria mais atrasos nos demais meses. Os 30 por cento restantes das férias não teria previsão. Ele não quis estabelecer datas, como já teria ocorrido em reunião com os professores.

Imagem: OPINÓLOGO/Diego Francisco

“Como os senhores conseguem dormir, enquanto tem professores passando fome e sem o dinheiro para dar aula?”, indagou um dos alunos. Nesse momento, o diretor Wanderley Cantieri teria respondido que também estava preocupado, mas por uma aparente falta de argumentos junto aos alunos que foram à reunião com bastante “sede”, o pró-reitor Felipe Braga teve que intervir em defesa dele. Este questionamento feito se refletiria pelo fato de o Sinpro-Rio estar organizando um evento para arrecadar ajuda financeira a certos docentes que estariam numa situação constrangedora: passando necessidades e sem dinheiro de passagem (R$ 2,75), até mesmo para dar aula. Ainda não tem data prevista para ocorrer, mas sabe-se que uma aluna – que não quis se identificar – já teria colocado à disposição R$ 250.

Os estudantes teriam reclamado do fechamento e transferência de unidades sem prévio aviso, da falta de informações, entre outras coisas. Por exemplo, pelo fato de ao ligarem para o Call Center da instituição terem como resposta de que as aulas estariam acontecendo normalmente. Foi, então, que os representantes do grupo controlador falaram que a interrupção das aulas não era em todas as unidades, e que havia professores lecionando, mesmo com a greve.

Discutiu-se, também, sobre um termo aditivo que os estudantes teriam recebido junto com a nova mensalidade, no qual eles consideram algumas cláusulas, supostamente, abusivas, tais como: fechar e transferir alunos de unidades, demitir professores e suspender bolsas quando considerassem apropriados.

“Vocês estão sendo omissos!!!”, comentou um manifestante. Os executivos da faculdade teriam se exaltado um pouco e sentido ofendidos nessa ocasião, até aumentado um pouco o tom de voz e dito que estavam abertos ao diálogo.

Sobre as provas e o semestre

Assim como os professores já tinham garantido, a UniverCidade teria dito que o semestre não estaria perdido, e que logo que terminasse a greve, divulgaria um novo calendário de reposição de aulas e provas. Aos alunos que não fizeram a primeira avaliação (A1), teriam uma segunda chamada para essa mesma sessão de exames e que ninguém seria prejudicado. As provas deveriam ter começado no último dia 24 de abril.

Por que os professores da Universidade Gama Filho (UGF) estariam recebendo em dia e os da UniverCidade não?

Segundo o diretor Wanderley Cantieri, a Galileo Educacional teria feito, no início de 2010, um estudo de recuperação da UGF, e renegociado dívidas pendentes, o que teria normalizado a situação de pagamento dos funcionários. Já quanto à UniverCidade, o grupo controlador a teria incorporado em julho do ano passado e, que até novembro do mesmo ano os salários estariam sendo pagos em dia. E afirmou que o antigo proprietário da UniverCidade, Ronald Levinsohn, não teria mais nenhuma ligação com a faculdade, após ser perguntado por um dos alunos.

Ao que parece, a fusão entre as duas instituições não teria sido concluída junto ao Ministério da Educação (MEC), pois em janeiro deste 2012 houve a troca de ministros: Aloizio Mercadante assumiu no lugar de Fernando Haddad. Portanto, o processo que analisa a unificação teria voltado à estaca zero e que ainda estaria faltando a assinatura do órgão para que fosse “homologada”.

Quando perguntaram ao diretor da Galileo Educacional sobre a marca UniverCidade deixar de existir e ficar apenas a UGF, ele teria dito que as duas marcas continuariam. Mas, a resposta não teria sido satisfatória, uma vez que, ele disse respondeu, apontando que havia uma diferença entre os termos “universidade” e “centro universitário”. O primeiro, no qual se encaixa a UGF, estaria além do segundo, por poder fazer pesquisas acadêmicas; já o centro, não, e que por isso existiam certas restrições. Foi dito, também, que o senhor Macio André Mendes Costa seria o reitor da UGF e UniverCidade.

Boletos bancários

O grupo que participou da reunião teria reclamado sobre o reajuste das mensalidades sem prévio aviso e questionado o porquê de haver três bancos diferentes na emissão dos boletos: Bradesco, Mercantil do Brasil e Banco Cédula. A resposta que eles tiveram teria sido, que não importava quem emitia o boleto, e que o mesmo poderia ser pago em qualquer agência bancária. Pois, o que importava era a compensação.

Greve continua

Os professores da UniverCidade, em assembléia no sindicato da categoria (Sinpro-Rio), na noite desta quarta-feira (2), decidiram prorrogar a greve até a próxima semana (9), pelo menos, para analisar se o pagamento de abril realmente cairá nas contas no dia 8. Pois, mais cedo, houve uma audiência no Ministério Público do Trabalho (MPT) entre representantes do sindicato e da Galileo Educacional, esta que teria dito lá que o salário de abril seria pago até a data citada. Quando lhes foram perguntado sobre o atrasado de março, disseram que logo, mas sem muita garantia, segundo líderes sindicais ao OPINÓLOGO.

Também no próximo dia 9 fará um mês que os estudantes estão sem aulas. O Sinpro-Rio informou que, para a greve acabar, também é preciso decidir em assembléia, prevista para acontecer às 18h desse mesmo dia.

Em relação à conta do grupo gestor, que estaria bloqueada, o valor reservado para pagar aos professores demitidos em dezembro passado seria de R$ 700 mil. Representantes da faculdade teriam pedido o desbloqueio da conta, mas ouviram do sindicato que, só fariam isso se houvesse um plano de pagamento para os profissionais que continuam na instituição.

Manifestação dos alunos

Antes de os alunos tomarem a sede do grupo Galileo Educacional, eles fizeram manifestação em frente ao prédio do Tribunal de Justiça do RJ, por volta das 16h30 desta quarta-feira (2).

Assembléia no sindicato dos funcionários

Uma assembléia foi marcada para esta quinta-feira (3), no Sindicato dos Auxiliares da Administração Escolar do Estado do RJ (SAAE-RJ), para decidir se o administrativo vai entrar em greve ou não, também devido a problemas no pagamento. A mesma está prevista para começar às 17h30, em primeira convocação. Já a segunda, no mesmo dia, às 18h30.

O silêncio que não é de ouro

Talvez essa quebra de silêncio por parte dos gestores da UniverCidade, nesta quarta-feira (2), possa dar um pouco de ânimo aos alunos e professores, embora estes já estejam como São Tomé, só acreditam vendo. Contudo, o que realmente preocupa é o do MEC. Pois, no último dia 23/4, OPINÓLOGO enviou um e-mail ao órgão, solicitando uma posição sobre a crise que se abateu na instituição, e até o momento sequer recebeu uma resposta, o que é simplesmente um absurdo, já que o mesmo está a serviço da sociedade, e não o contrário!!!

Prontos para dormir

Imagem: OPINÓLOGO/Diego Francisco

Os demais manifestantes que ficaram à espera se organizaram e compraram lanches (foto 3), no intuito de passar a noite no local, no entanto, sem colchonetes e lençóis. Mas, ao serem informados sobre o conteúdo da reunião, começaram a desocupar o prédio e pretendem até a próxima semana o “andar da carruagem”.














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  1. Sou estudante de Comunicação Social da unidade de Ipanema e acabei de receber um telefonema de um rapaz, que se identificou como funcionário da UniverCidade, dizendo que a greve acabou e que as aulas recomeçam normalmente amanhã... Já o site do Sinpro-Rio diz que a greve continua até a próxima assembleia que haverá na semana que vem... Não sei o que fazer, pois não mais em quem acreditar... Já perdemos 1 mês de aula - o que corresponde a 1/4 do semestre letivo e isso é muita coisa! E, de semana em semana, daqui a pouco, completa mais um mês... Gente, quando será que tudo isso vai acabar definitivamente?!

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  2. Durante todo esse tempo, fiquei telefonando e escrevendo diariamente para a Globo sugerindo que fizesse uma reportagem sobre a greve na UniverCidade, mas não obtive nenhuma resposta... E ainda influenciei muitos outros alunos a fazerem o mesmo e nada... E agora que a Galileo, enfim, resolveu se pronunciar e anunciar em público o fim da greve, a Globo resolveu fazer uma matéria sobre o caso na 1ª edição do RJ TV e aqui no G1... E é aí, caros colegas, que a gente deduz o que a nossa faculdade estava fazendo com o dinheiro que deveria usar para pagar aos seus professores e demais funcionários... Deve ter pagado bem caro para comprar o silêncio da Globo e das demais emissoras de TV para se calarem diante desse fato tão gritante e de total interesse público durante todo esse tempo. Oh, Galileo, não era mais fácil você ter pegado todo esse dinheiro, que não deve ter sido pouco, para pagar aos seus profissionais ao invés de comprar o silêncio da imprensa?! Oh, Rede Globo, como uma emissora do seu nível se presta a um papel desses, hein?! E o senhor, MEC? O que está ganhando pelo seu silêncio e para não tomar as devidas providências quanto a isso?!

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  3. Se o grupo tiver interesse em negociar a area localizada na Rua Jose Bonifacio de numero 140 tenho interesse
    dalmirsilva@ig.com.br

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