Quinta-feira, 27 de novembro de 2025 Um dia antes da final do concurso, o empresário aceitou fazer acordo de delação premiada para não ser p...
Quinta-feira, 27 de novembro de 2025
Um dia antes da final do concurso, o empresário aceitou fazer acordo de delação premiada para não ser preso junto a outros investigados
Imagem: Miss Universo - Redes Sociais
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| Raúl Rocha Cantú é dono de um conglomerado empresarial |
Investigações por contrabando
O magnata mexicano Raúl Rocha Cantú (foto 1), dono do Miss Universo, está sendo investigado pela Procuradoria Geral da República de seu país por supostos delitos de tráfico de combustível, de drogas e de armas, segundo o jornal Reforma. As atividades ocorreriam entre a Guatemala e o México, ambos vizinhos.
Essa é apenas uma das inúmeras polêmicas na qual Rocha Cantú está envolvido. A suposta rede de contrabando de armas tinha como clientes duas facções criminosas, o Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) e União Tepito, de acordo com a publicação.
São ao menos 332 páginas de inquérito. Os hidrocarbonetos eram transportados em balsas da Guatemala até o México e posteriormente em carros-pipa d’água para passar despercebido pelos órgãos fiscalizadores, desse modo sonegando os devidos impostos.
Por cada litro de combustível contrabandeado, a organização criminosa pagava 80 centavos de pesos mexicanos – o equivalente a R$ 0,23 – para promotores da Promotoria Especializada em Crime Organizado para que fizessem vista grossa, segundo o portal Latinus. Para o tráfico de material bélico, a suposta quadrilha contava com a conivência de integrantes das forças armadas.
Existem mandados de prisão contra pelo menos 13 investigados, e alguns deles já foram cumpridos. No último dia 19 de novembro, um dia antes da premiação do Miss Universo, o empresário teria aceitado fazer um acordo de delação premiada com o Ministério Público, o que o permitiu responder o processo penal em liberdade.
O inquérito começou em 29 de novembro de 2024, quando a Secretaria de Segurança Cidadã, do governo federal, recebeu uma denúncia anônima com detalhes sobre a suposta organização criminosa e posteriormente judicializou o caso perante o Ministério Público . No mês seguinte, o nome do empresário é mencionado em ligações telefônicas interceptadas pelos investigadores.
Raúl Rocha possui um conglomerado empresarial, que inclui o referido concurso de beleza, firmas do setor energético e de ‘leasing’ de aeronaves. Também foi dono do Casino Royale, um cassino localizado em Monterrey. Em 2011, mais de 50 pessoas morreram por conta de um ataque armado de criminosos, que invadiram o local, jogaram gasolina e atearam fogo. Para escapar das investigações, mudou-se para Miami, nos Estados Unidos.
O magnata também é cônsul honorário da Guatemala no México desde 2022. A função é política, não diplomática, sob o intuito de promover os interesses de um governo no estrangeiro e de forma bastante limitada. Serve apenas como status e não é remunerada. Pode oferecer assistência emergencial e jurídicas a cidadãos daquela nacionalidade, mas não pode emitir vistos nem passaportes.
‘Falsa vencedora’
Imagem: Miss Universo - Redes Sociais
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| Humilhação, exaltação e constrangimento marcam a trajetória de Fátima Bosch no Miss Universo |
A vitória da Miss México Fátima Bosch, de 25 anos, na edição 2025 do Miss Universo é marcada por suspeitas de fraude. De acordo com o ex-diretor do Miss Universo Omar Harfouch, a coroação teria sido ‘arranjada’, ao alegar o dono do concurso teria supostos negócios com o pai da candidata, Bernardo Bosch, executivo da Pemex. A estatal petrolífera já teve contratos com a firma do magnata.
“Miss México é uma falsa vencedora. Eu, Omar Harfouch, declarei ontem com exclusividade na HBO, 24 horas antes da final do Miss Universo, que a Miss México iria ganhar – porque o dono do Miss Universo, Raúl Rocha tem negócios com o pai de Fátima Bosch. Todos os detalhes serão revelados em maio de 2026 na HBO. Raúl Rocha e o seu filho me pediram, há uma semana em Dubai, para votar em Fátima Bosch, porque precisam que ela ganhe, ‘porque vai ser bom para o nosso negócio’, me disseram”, publicou o ex-diretor do concurso na internet.
O êxito da jovem mexicana surpreendeu a opinião pública. No último dia 6 de novembro, ela chegou a abandonar o concurso, depois de uma briga com o diretor do Miss Universo Tailândia, Nawat Itsaragrisil, que a ofendeu perante as concorrentes por não ter divulgado o evento em suas redes sociais. Algumas competidoras se solidarizaram com ela e também anunciaram desistência. O episódio repercutiu na imprensa mundial.
‘Os humilhados serão exaltados’. A frase funciona como uma espécie de consolo espiritual para os cristãos, mas na prática nem sempre é assim. Esse é o caso, por exemplo, da nova Miss Universo, cujas vitória e ‘glamour’ deram lugar às suspeitas de fraude. A final do concurso aconteceu em Bangkok, na Tailândia, no último dia 20 de novembro.
Nas redes sociais e na imprensa, Raúl Rocha tem rebatido as críticas e/ou tentado desqualificar seus acusadores. A representante da Costa do Marfim, Olivia Yacé, de 27 anos, por exemplo, ficou em quinto lugar na competição e renunciou o título de Miss África e Oceania após o êxito da concorrente mexicana. Ele a rebateu, afirmando que o passaporte dela precisaria de visto para entrar em 175 países, o que dificultaria a promoção do evento.
De Miss Universo a ‘Miss Polêmica’
Imagem: Miss Universo - Redes Sociais
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| A ‘verdadeira’ protagonista do concurso não está na foto |
O ‘verdadeiro’ destaque desta edição não é Fátima Bosch nem qualquer outra candidata que tenha competido por coroa, faixa o título, mas uma que decidiu sair dos bastidores para ofuscar o protagonismo de mulheres de mais de 100 nacionalidades: a polêmica. Esta deveria receber a alcunha de ‘Miss Polêmica’.
Para além dos rumores e acusações que podem manchar a reputação desse tradicional evento, está o caráter mera e supostamente comercial e mercadológico. Antigamente, as participantes do Miss Universo representavam seus respectivos países após ganharem uma disputa em nível nacional, mas essa configuração mudou, e elas agora podem ser símbolos de regiões geográficas, como a Miss África e Oceania. Mesmo sendo um concurso de beleza, o Miss Universo carrega uma conotação política por levantar bandeiras em prol da paz e contra a discriminação e a misoginia, principalmente onde as mulheres não têm seus direitos civis equiparados aos dos homens.
Mas esse não é um caso isolado nesta competição. Nos Estados Unidos, por exemplo, surgiram a Miss Cuba e a Miss Universo Latina, o que também gerou controvérsias. A primeira é Lina Luaces, de 22 anos, que nunca pisou na ilha caribenha, terra natal de sua mãe, a apresentadora Lili Estefan, do canal Univisión, e sequer fala espanhol; a segunda se trata da dominicana Yamilex Hernández, de 29 anos, que participou do concurso em nível global após vencer um ‘reality show’ promovido pela Telemundo em junho passado. Pode ser apenas uma mera impressão, mas pareceu uma espécie de disputa entre duas emissoras hispano-americanas.




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