Sexta-feira, 05 de junho de 2015 Ex-ministro da Presidência pede que Caetano Veloso e Gilberto Gil desistam de apresentar-se em Israel ...
Sexta-feira, 05 de junho de 2015
Ex-ministro da Presidência pede que Caetano Veloso e Gilberto Gil desistam de apresentar-se em Israel no mês que vem
O caso da UFSM
O suposto antissemitismo, sem generalizar, presente na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na cidade gaúcha homônima, é apenas a ponta do iceberg no atual contexto, e é praticado por uma militância cada vez mais entranhada nas esferas do poder público. Da mesma forma que o câncer penetra nas células sadias para provocar metástase, ou como o vírus HIV anula a imunidade do organismo, impedindo-o de defender-se. Pode-se dizer que a Aids é uma doença hipócrita: ela não mata, mas faz por onde e depois tira o corpo fora. Ninguém morre de Aids, mas de pneumonia, tuberculose ou qualquer outra enfermidade contraída da falta de defesa.
Conforme publicado por OPINÓLOGO ontem (4/6), o pró-reitor de Pós-graduação, José Fernando Schlosser, foi denunciado à Procuradoria-Geral da República (PGR-RS) daquela região por 'praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional', com base no Artigo 20 da Lei nº 7.716/1989, que trata dos crimes resultantes de preconceito de raça ou cor. Ele, recentemente, enviou um memorando aos diversos departamentos, pedindo a relação dos alunos e professores israelenses que fazem parte do quadro institucional. Tal requisição visa atender à Comissão Santa-Mariense de Solidariedade ao Povo Palestino, formada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), a Associação dos Servidores da UFSM (ASSUFSM) e a Seção Sindical Docente da UFSM (SEDUFSM).
A Confederação Israelita do Brasil (Conib) – que representa as comunidades judaicas no país – classificou a medida da UFSM de 'discriminatória'. “É uma medida claramente discriminatória, feita por um funcionário de alto escalão do ensino federal, que precisa ser tratada com a gravidade que tem”, manifestou presidente da entidade, Fernando Lottenberg, que disse avaliar a possibilidade de entrar com um processo contra a universidade.
Infelizmente, a IES não se deu conta de tamanha irresponsabilidade, e que isso poderia atingir a eventuais estudantes brasileiros em Israel, se houvesse uma política de reciprocidade por parte da comunidade acadêmica de lá.
Pedidos para que Caetano e Gilberto Gil desistam de cantar em Israel
Para completar, Paulo Sérgio Pinheiro, ex-ministro de Direitos Humanos para a Presidência da República, enviou uma carta a Caetano Veloso e a Gilberto, pedindo-os para que suspendessem o show em Tel Aviv, Israel, agendado para o próximo dia 28 de julho, segundo o portal 'Opera Mundi'. O motivo??? Em protesto ao longo conflito entre a nação hebreia e a Palestina na Faixa de Gaza, no Oriente Médio.
“(…) Escrevi minha carta, devo dizer, ouvindo à sua canção, Gil, 'Oração pela libertação da África do Sul'. Pois, efetivamente, o que está ocorrendo em Israel hoje é o aprofundamento de um regime de discriminação e racismo em que os árabes israelenses e os palestinos, nos territórios ocupados ilegalmente faz 58 anos, são tratados como cidadãos de segunda categoria.
Tive oportunidade de testemunhar, recentemente, essa situação, hoje extremamente agravada, quando visitei Belém, Ramallah e a Faixa de Gaza. Os postos de controle para os palestinos entrarem e saírem de Israel são verdadeiras estruturas de selecionar gado. O muro que às vezes chega a 8 metros, cortou comunidades, e para cruzá-lo, os palestinos são submetidos ao pleno arbítrio.
Muitas crianças precisando ir à escola do outro lado do muro, são obrigadas a esperarem horas até que possam passar. O impacto da violência e conflitos sobre elas é particularmente preocupante, impedindo o gozo de seus direitos e impedindo o seu desenvolvimento normal.
Nos últimos anos, há uma média anual de 700 crianças presas, muitas vezes espancadas e submetidas a tortura, submetidas a cortes militares. São regularmente detidas e julgadas por delito de jogar pedras, cuja pena é baseada no número e tamanho das pedras. A defesa legal das crianças é praticamente inexistente.
Gaza, já se disse, era e continua a ser uma prisão a céu aberto – antes e depois do último conflito com Israel. Nesta última ofensiva, além da morte de 2000 palestinos, mais de 113.000 casas foram destruídas. Ademais, o bloqueio por Israel continua”, argumentou Pinheiro.
Ao que parece, até o presente momento, os dois cantores ainda não se posicionaram publicamente sobre o tema. O pedido de desistência tem o apoio do Instituto de Cultura Árabe (ICArabe), com sede em São Paulo.
“O Instituto da Cultura Árabe vem, publicamente, repudiar a decisão dos cantores Gilberto Gil e Caetano Veloso de realizar uma apresentação musical em Tel Aviv, Israel, em 28 de julho. O ICArabe apoia o Comitê Nacional Palestino da BDS (campanha global de Boicote, Desinvestimento e Sanções) na ação 'Tropicália não combina com apartheid' (…)
É inaceitável que tais artistas, que levantaram sua arte por ideais de justiça e liberdade, prestem-se a legitimar um dos Estados mais violentos do planeta, que, diariamente, rouba do povo palestino seu direito à autonomia, à terra, à dignidade e à vida”, instou o ICArabe.
Vale frisar que o ex Pink Floyd Roger Waters, um defensor da causa Palestina, já havia feito o mesmo pedido aos dois músicos brasileiros.
“Muitas universidades e departamentos acadêmicos, cientistas, e professores têm se recusado a participar em Israel de congressos ou de colaborar em intercâmbio intelectual. Há centenas de artistas, músicos, muitos certamente conhecidos por vocês, que se recusam – atendendo, inclusive, a apelos de Desmond Tutu – a se apresentar em Israel”, apontou o ex-ministro em carta, ao confirmar a atuação cada vez mais cotidiana de uma militância nas instituições de ensino superior (IES) deste país.
Paulo Sérgio Pinheiro foi ministro de Direitos Humanos durante o governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso e integrou a Comissão Nacional da Verdade (CNV) – instalada para apurar crimes cometidos durante a Ditadura Militar (1964-1985) –, entre fevereiro e maio de 2013, no governo de Dilma Rousseff. Ele integra o Comitê Nacional Palestino da BDS, que busca fazer oposição direta a Israel.
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