México: vândalos incendeiam caminhão no Parlamento de Guerrero

Segunda-feira, 27 de abril de 2015

Um protesto, que marcava os sete meses do desaparecimento forçado/sequestro seguido de assassinato de 43 estudantes normalistas, em Ayotzinapa, no estado mexicano de Guerrero, foi marcado por atos de vandalismo. Nesse domingo (26/4), manifestantes atiraram pedras na vidraça do Parlamento estadual, em Chipalcingo, e tentaram invadir o plenário com caminhões (vídeos e foto). Mesmo não tendo conseguido, ainda assim, incendiaram um dos veículos. Algumas estradas próximas foram bloqueadas.

Vídeos: Ezequiel Flores / Vine / Reprodução



O Legislativo acusou os organizadores do ato – normalistas e o Movimento Popular Guerrerense (MPG) – pela depredação do local. O evento reunia também familiares das vítimas. Havia cerca de 800 pessoas, segundo a revista “Proceso”.

Imagem: Congreso de Guerrero / Reprodução
Tentaram invadir o prédio, mas não conseguiram
A sessão acabou sendo adiada para esta segunda-feira (27). Deputados estaduais discutiam a nomeação de um possível substituto do ex-governador Ángel Aguirre, quem pediu licença do cargo há seis meses, por não conseguir lidar com a crise do caso dos 43 normalistas. A saída do mandatário agora é dada como definitiva, de acordo com a revista “Excelsior”. No próximo dia 7 de junho, haverá eleição para deputados, prefeitos e, em alguns estados, para governador.

Não é a primeira vez que os manifestos terminam em atos de vandalismo por conta disso. No dia 13 de outubro de 2014, parte dos prédios pertencentes ao governo estadual de Guerrero foi incendiada. No dia 22 daquele mesmo mês, a Prefeitura de Iguala. E no dia 9 de novembro, houve uma tentativa de invasão à sede da Presidência da República, na cidade do México. Alguns automóveis foram queimados na ocasião.

O recente protesto se deveu à falta de solução para o caso e ao fato de os corpos das vítimas não terem sido encontrados, apesar de algumas pessoas estarem presas e/ou detidas. Segundo relatos confirmados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), parte dos estudantes teria morrido por asfixia. Seus corpos foram incinerados. É uma barbárie ainda não solucionada. As investigações para saber se houve cumplicidade do Exército não avançaram. Em setembro passado, a versão difundida era de que o cartel de drogas Guerreros Unidos teria alvejado um ônibus no qual estavam os universitários com a suposta participação de militares, a mando do então prefeito de Iguala, José Luis Abarca. Dizia-se que os normalistas boicotariam um evento onde participava a então primeira-dama, María de los Ángeles Pineda, enquanto que chegou-se a afirmar também que eles estavam a caminho de uma manifestação para lembrar um massacre de 1968.

Na época, a Anistia Internacional já se referia ao caso como um 'crime de estado' e negligência. Já a ONG Human Rights Watch (HRW) criticou que as autoridades tenham demorado 10 dias para começar as investigações.

A crise desses estudantes respingou na administração do presidente Enrique Peña Nieto. Não mais do que o escândalo da tal 'casa branca', a residência que vale US$ 7 milhões de dólares em nome da esposa, a atriz Angélica Rivera, cuja aquisição foi feita através de uma empreiteira que presta serviço em seu governo.

Atos do MPG

No início deste mês, o MPG, junto a outros movimentos sociais de esquerda, forçaram o cancelamento de uma reunião do Instituto Nacional Eleitoral (INE), a Justiça Eleitoral mexicana. Eles sequestraram por duas horas dois conselheiros e o motorista de um desses executivos. O condutor teria, supostamente, levado uma coronhada na cabeça, noticiou o canal “CNN”. É um jeito nada interessante de buscar diálogo com as autoridades.

Por cinco meses, o MPG, uma facção criminosa travestida de movimento social formada por professores, ocupou o Palácio Municipal de Acapulpo, também no estado de Guerrero. O prédio da prefeitura só foi devolvido ao poder público no mês passado após negociação com as autoridades. A ação teria sido um protesto pelo caso de Ayotzinapa e com a 'finalidade de construir um poder popular surgido de conselhos municipais', publicou o portal “La Jornada”.

Em dezembro passado, integrantes do MPG retiveram 60 pessoas, entre jornalistas e seus familiares, durante uma cerimônia de premiação desses profissionais. Alguns teriam sido postos em humilhação pública e/ou até supostamente agredidos, divulgou o portal “Excelsior”.

Autoridades terão de lidar com uma possível tentativa de boicote às eleições de junho próximo por esses ditos movimentos sociais.

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