Sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Imagem: Stockvault / Uso gratuito / Reprodução
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| Ilustração: Bandeira do México |
Em coletiva de imprensa, nessa quinta-feira (23/1), a Anistia Internacional criticou o rumo das investigações feitas pela Procuradoria-Geral da República do México (PGR) a respeito do desaparecimento dos 43 estudantes normalistas, em setembro do ano passado. “A Procuradoria-Geral da República falhou em investigar adequadamente todas as denúncias de cumplicidade das forças armadas e de outras autoridades no desaparecimento forçado dos 43 estudantes da Escola Normal de Ayotzinapa”, disse.
De acordo com a entidade, a PGR teria dito que todas as linhas de investigação se esgotaram. “Em meio de preocupações sobre a possível cumplicidade das autoridades locais e do Exército, é ainda mais importante que cada linha de investigação seja explorada e que não fique pedra sobre pedra”, continuou a Anistia Internacional.
Entenda o caso
Em setembro passado, um grupo de estudantes da Escola de Magistério Normal Rural de Ayotzinapa, chamado de normalistas, partiu de Guerrero para a capital mexicana em ônibus. No caminho, os veículos foram emboscados por supostos policiais em conjunto com traficantes da facção Guerreros Unidos. Na ocasião, alguns alunos morreram durante o tiroteio, um deles com bala na cabeça, outros 15 ficaram feridos, além do sequestro dos demais 43.
Uma das versões noticiadas nos meios de comunicação é de que esses universitários participariam de um ato em memória à Massacre de Tatlelolco, de 1968, que resultou na morte de centenas de estudantes.
No entanto, a versão mais difundida é a de que o prefeito de Iguala, José Luis Abarca, teria, supostamente, ordenado à polícia municipal que detivesse os jovens, impedindo-os de boicotar um evento onde participava a primeira-dama, María de los Angeles Pineda. Os agentes teriam levado-os a criminosos. O presidente municipal, como chamam os mexicanos, e a esposa, que estavam foragidos, foram presos recentemente. Ele é considerado o principal suspeito.
Recentemente, a imprensa local divulgou que toda a operação teria sido, supostamente, acompanhada, em tempo real, por agentes do governo, o que enfatizaria uma possível cumplicidade.
Recentemente, a imprensa local divulgou que toda a operação teria sido, supostamente, acompanhada, em tempo real, por agentes do governo, o que enfatizaria uma possível cumplicidade.
Desde então, a população tem realizado protestos para cobrar as autoridades o paradeiro das vítimas, inclusive com a depredação de patrimônio público. Pois, segundo, a PGR, inicialmente, os universitários poderiam estar mortos.
Na época, a Anistia Internacional já se referia ao caso como um 'crime de estado' e negligência. Já a ONG Human Rights Watch (HRW) criticou que as autoridades tenham demorado 10 dias para começar as investigações.
“O desaparecimento dos estudantes é um crime que comoveu o mundo. Essa tragédia mudou a visão distorcida de que a situação de direitos humanos no México tinha melhorado desde que o presidente [Enrique] Peña Nieto tomou o poder [em 2012]”, declarou a diretora regional da Anistia Internacional para as Américas, Erika Guevara.
A guerra contra os carteis de droga
Desde 2006, mais de 100 mil pessoas foram assassinadas na guerra contra o narcotráfico. Outras 23 mil encontram-se desaparecidas. “(...) A Anistia Internacional continua recebendo informações de violações de direitos humanos cometidas por policiais e pelas forças de segurança, incluindo detenções arbitrárias, tortura e desaparecimentos forçados”, sustentou.
Para a HRW, os Estados Unidos deveriam exigir por parte do México uma investigação e julgamento por crimes cometidos pelas forças armadas, em alusão ao fato de a nação asteca ter recebido desde 2007, de Washington, o equivalente a dois bilhões de dólares para o combate ao narcotráfico e capacitação policial, por meio da Iniciativa Mérida.

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