México: os 43 estudantes desaparecidos podem estar mortos, afirma procurador

Domingo, 09 de novembro de 2014

Informação atualizada em 09/11/2014, às 23h35

O principal suspeito é o prefeito de Iguala; dois detidos afirmam que os corpos foram queimados e jogados num rio.

Imagem: Free Images – Uso gratuito / Arte: OPINÓLOGO

O país está em clima de luto
O procurador-geral do México, Jesús Murillo Karam, disse que os 43 estudantes desaparecidos na cidade de Iguala, no estado de Guerrero, no passado dia 26 de setembro, podem estar mortos. A declaração foi dada em coletiva de imprensa, na última sexta-feira (7/11).

Ainda, segundo o fiscal da república, dois suspeitos detidos teriam confessado que os jovens foram levados para um lixão, em Cocula, tendo sido queimados, alguns vivos (inconscientes), outros já mortos. Já com os corpos carbonizados, seus ossos teriam sido cortados e lançados em uma espécie de vala comum. Devido à dificuldade de reconhecimento, as autoridades encaminharão o material recentemente encontrado para análise de DNA, na Áustria.

Apesar disso, as autoridades continuarão se referindo a eles como desaparecidos e em buscas do paradeiro, até que a investigação seja concluída.

Entenda o caso

Em setembro passado, um grupo de estudantes da Escola de Magistério Normal Rural de Ayotzinapa, chamado de normalistas, partiu de Guerrero para a capital mexicana em ônibus. No caminho, os veículos foram emboscados por supostos policiais em conjunto com traficantes da facção Guerreros Unidos. Na ocasião, alguns alunos morreram durante o tiroteio, um deles com bala na cabeça, outros 15 ficaram feridos, além do sequestro dos demais 43.

Uma das versões noticiadas nos meios de comunicação é de que esses universitários participariam de um ato em memória à Massacre de Tatlelolco, de 1968, que resultou na morte de centenas de estudantes.

No entanto, a versão mais difundida é a de que o prefeito de Iguala, José Luis Abarca, teria, supostamente, ordenado à polícia municipal que detivesse os jovens, impedindo-os de boicotar um evento onde participava a primeira-dama, María de los Angeles Pineda. Os agentes teriam levado-os a criminosos. O presidente municipal, como chamam os mexicanos, e a esposa, que estavam foragidos, foram presos recentemente. Ele é considerado o principal suspeito. Sem generalizar nem fazer julgamentos prévios: que nível de político e de polícia!!!

Protestos pelo desaparecimento

Desde então, a população já realizou protestos contra o suposto sequestro dos universitários. Na madrugada deste domingo (9), por exemplo, manifestantes tentaram invadir o palácio presidencial. Eles ainda atearam fogo em veículos estacionados. No último dia 22 de outubro, a prefeitura de Iguala também foi incendiada por supostos alunos e professores, que teriam invadido o prédio. No dia 13 do mesmo mês, o vandalismo levou ao incêndio parcial de prédios do governo estadual de Guerrero.

Críticas

A ONG Human Rights Watch (HRW) criticou a demora para que as autoridades dessem início às investigações, que só começaram 10 dias depois. Além disso, citou outro caso no qual fala de supostas corrupção policial e ligação com carteis de drogas.

“Essas demoras indesculpáveis prejudicaram fortemente a credibilidade da PGR [Procuradoria-Geral da República] e geraram uma pressão crescente contra este organismo para que mostrasse resultados”, declarou José Miguel Vivanco, diretor executivo da HRW para as Américas.

“(...) Esses homicídios e desaparecimentos forçados refletem um padrão mais amplo de abusos e são, em boa medida, consequência do persistente fracasso das autoridades mexicanas para abordar este problema”, sustentou a ONG, cujos representantes estiveram há pouco mais de uma semana no México para cobrar das autoridades e conversar com os familiares das vítimas.

Já a Anistia Internacional no México se referiu ao caso como um 'crime de estado' e falou de negligência e cumplicidade do Estado em uma série de denúncias contra o prefeito de Iguala. Um ativista que sobreviveu a um ataque a oito pessoas, em junho do ano passado, teria dito que o mandatário municipal supostamente participou diretamente no assassinato de seus colegas. A investigação foi encerrada em maio de 2014 sem que o tal prefeito fosse punido.

“Tragicamente, o desaparecimento forçado dos estudantes é só o último capítulo de uma longa série de horrores que têm acontecido no estado de Guerrero e no resto do país. A corrupção e a violência como sinais de advertência ficaram ali para que todos vejam há anos os que negligentemente as têm ignorado, são eles mesmos os cúmplices dessa tragédia”, expressou Erika Guevara Rosas, diretora da Anistia para as Américas.

A Anistia criou uma petição para pedir uma investigação a nível federal, que os resultados fossem divulgados ao público e que os culpados fossem punidos. O documento está direcionado ao presidente da República, Enrique Peña Nieto, e ao procurador-geral, Jesús Murillo Karam.

Se necessário, esta reportagem poderá sofrer pequenas alterações/correções à medida de torná-la mais próxima à realidade dos fatos, tendo em vista as diferentes versões narradas na imprensa. As atualizações são sempre informadas com data e hora.

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