Sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Pelo menos 10 mil pessoas participaram de uma marcha (vídeos) na Praça da Constituição (Zócalo), na capital mexicana, nessa quinta-feira (20/11), em protesto aos 43 estudantes normalistas desaparecidos/sequestrados desde o passado dia 26 de setembro, em Iguala, no estado de Guerrero. No entanto, o número de presentes poderia passar dos 15 mil, segundo a imprensa local.
Vídeo: Gustavo Sánchez / YouTube / Reprodução
Houve confronto entre manifestantes e a polícia, na tentativa de proteger o palácio presidencial e conter atos de vandalismo. Pelo menos umas 30 pessoas foram detidas.
Vídeos: Gustavo Sánchez / YouTube / Reprodução
Os protestos também foram contra a corrupção, a impunidade e o governo. “(…) Cuidado, cuidado com Guerrero, estado, estado guerrilheiro”, cantavam os manifestantes, que também deveriam protestar contra o narcotráfico.
Vídeo: Gustavo Sánchez / YouTube / Reprodução
Ontem (20) não ocorreu o tradicional desfile militar em comemoração da Revolução Mexicana, que completou 104 anos.
Essa já é, pelo menos, a terceira manifestação realizada para reclamar o sumiço dos universitários. No último dia 9 de novembro, por exemplo, houve tentativa de invasão à sede da Presidência da República. Vândalos atearam fogo em automóveis na localidade. Já no passado dia 22 de outubro, a prefeitura de Iguala foi incendiada. E no dia 13 de outubro, parte dos imóveis do governo estadual de Guerrero.
Entenda o caso
Estudantes da Escola de Magistério Normal Rural de Ayotzinapa, chamados de normalistas, teriam sido alvo de emboscada em ônibus, em setembro passado, por parte do cartel de drogas Guerreros Unidos, com a suposta participação de policiais municipais. Durante o tiroteio, alguns teriam morrido e/ou se ferido, enquanto 43 deles, levados para um aterro sanitário, torturados e queimados, estando alguns vivos (inconscientes), outros não. O sangue frio desses marginais foi além: já mortas, as vítimas foram esquartejadas e seus ossos teriam sido lançados em rio, em Colula. O principal suspeito de dar tal ordem é o prefeito de Iguala, José Luis Abarca, que se encontra atualmente preso, depois de passar um tempo foragido junto com a primeira-dama, também em cana. Uma das versões, ainda não confirmada, é de que o objetivo seria impedir um protesto em um evento no qual participava a mulher do presidente municipal, como os mexicanos se referem a um prefeito.
Recente coletiva de imprensa do procurador-geral do México, Jesús Murillo Karam, sinalizou que os 43 estudantes poderiam estar mortos, segundo depoimentos de dois suspeitos capturados.
Breve análise
Já fazia um tempo que o México não realizava uma marcha tão significativa. A última, pelo menos que OPINÓLOGO tem em conta, foi em 2012 contra a vitória nas urnas do atual presidente da República, Enrique Peña Nieto.
O México é um país com muitas semelhanças com o Brasil, que vão além do fanatismo por novelas e por seriados com CH, por exemplo. o elevado índice de criminalidade devido à forte presença do narcotráfico e a corrupção sistêmica. Note-se que eles fizeram um combo de insatisfações nessa última marcha, do mesmo modo que aqui no país durante a onda de protestos de 2013. No fim, é possível esperar também resultados similares. A tal “primavera” que muitos falam, aqui e lá estão muito longe de suceder.
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