Terça-feira, 20 de outubro de 2026
César Jáuregui foi preso duas vezes em menos de 48 horas, em processos distintos relacionados a uma operação antidrogas em território mexicano com a participação da CIA
As duas prisões
Imagem: Redes Sociais - Divulgação
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| César Jáuregui participou recentemente de uma entrevista de rádio |
O ex-procurador-geral do Ministério Público de Chihuahua César Gustavo Jáuregui Moreno, no México, foi preso duas vezes em menos de 48 horas por diferentes acusações. São duas investigações independentes, e ambas estão ligadas à participação de funcionários da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, na sigla em inglês) numa operação policial contra cartéis de drogas em território mexicano sem a devida autorização e/ou notificação ao governo federal, de acordo com o jornal El Universal.
A primeira captura ocorreu às 10h20 do último sábado (17/10), por ordem de um juiz estadual, no âmbito de um inquérito do Ministério Público de Chihuahua por supostos delitos de exercício ilegal da função pública e de atuação conjunta de servidores públicos, conforme noticiado pelo portal Aristegui Noticias.
Já o site El Financiero fala que o ex-procurador é suspeito de ter prestado depoimento falso sobre a fatídica incursão contra o narcotráfico. Além disso, os agentes norte-americanos teriam vestido uniforme da polícia local.
César Jáuregui chegou a ser solto na noite de domingo (18), depois que um juiz estadual analisou os depoimentos e considerou que ele poderia responder ao processo em liberdade, mediante entrega do passaporte e estando proibido de contatar testemunhas.
Já a segunda prisão ocorreu por volta da meia-noite dessa segunda-feira (19), horas após à soltura. César Jáuregui está sendo acusado pela Procuradoria-Geral da República do México (FGR, na sigla em espanhol) por suposto crime de traição à pátria. Ele foi transferido para o presídio de segurança máxima de El Altiplano, no Estado do México, por decisão de um juiz federal.
Pressão por liberdade
Um site dedicado a César Jáuregui lançou um abaixo-assinado, nessa segunda-feira (19), instando para que ele possa responder em liberdade ao processo federal, do mesmo modo que na Justiça estadual, e sem politização do caso. Até a publicação desta reportagem, havia 1.260 adesões.
“Um juiz de controle já determinou que ele pode responder e liberdade o processo estadual. Pedimos que no processo federal seja aplicado o mesmo critério: a prisão preventiva deve ser justificada com provas, não imposta de forma automática”, instou o perfil do investigado nas redes sociais.
Operação com a participação da CIA
Em abril deste ano, houve uma operação conjunta entre as forças de segurança de Chihuahua com a CIA, que resultou no desmantelamento de um grande laboratório clandestino de metanfetamina no município de Morelos.
Após a incursão, um dos carros do comboio policial caiu num barraco, numa rodovia que liga Chihuahua a Ciudad Juárez. Os quatro ocupantes morreram: do lado mexicano, o diretor da Agência Estatal de Investigação de Chihuahua (AEI) e um dos oficiais responsáveis por sua segurança; e do lado estadunidense, dois agentes da CIA.
Dois investigadores norte-americanos que estavam em outro veículo foram expulsos do México nos dias seguintes, por decisão da presidenta Claudia Sheinbaum, segundo o portal El Imparcial.
Em meio à repercussão negativa e a pressão do governo federal por explicações, César Jáuregui renunciou ao cargo de procurador-geral do Ministério Público uma semana depois do acidente.
Imagem: Redes Sociais - Print screen
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| Momento em que o ex-procurador de Chihuahua apresenta sua renúncia |
Vale destacar que César Jáuregui é filiado ao Partido Ação Nacional (PAN), o mesmo da sua colega de legenda, a governadora de Chihuahua, María Eugénia Campos Galván, popularmente conhecida como Maru Campos. Ela chegou a ser convocada a comparecer à FGR, em maio, para tratar do operativo policial.
À diferença do Brasil, em Chihuahua o cargo de procurador-geral é uma função política atrelada ao Poder Executivo estadual. Cabe ao titular da procuradoria o comando da polícia estatal.
O caso dos agentes da CIA se tornou um escândalo de proporções política e jurídica no México, tendo levantado questionamentos sobre soberania e interferência de um governo estrangeiro em assuntos internos.
A referida operação policial aconteceu em meio às pressões de autoridades estadunidenses, que abriram investigações contra políticos mexicanos, principalmente os do Movimento Regeneração Nacional (Morena), por alegados nexos com cartéis de drogas. Os alvos são da mesma legenda da mandatária mexicana.
Defesa da soberania
As duas recentes prisões do ex-procurador do Ministério Público de Chihuahua aconteceram em meio à defesa da soberania por parte de Claudia Sheinbaum, nas redes sociais e em sua tradicional coletiva de imprensa.
Nos últimos meses, o país aprovou, por meio de reformas constitucionais, a anulação de eleições em caso de ingerência estrangeira e o fim da dupla nacionalidade para candidatos a presidente, a governador e à chefia da Cidade do México.


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