Quinta-feira, 28 de maio de 2026
A presidenta Claudia Sheinbaum disse haver “risco real” de intromissões no pleito de 2027
Imagem: Freepik - Uso gratuito
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| Imagem ilustrativa da bandeira mexicana |
Votos da base governista na Câmara
A Câmara de Deputados no México aprovou, nesta quinta-feira (28/5), um projeto de lei que prevê uma alteração na Constituição Política do país para anular as eleições em caso de interferência estrangeira. Foram 307 votos favoráveis, 128 contrários e uma abstenção. O texto foi aprovado por parlamentares da base governista e seguirá para análise no Senado.
Durante sua tradicional conferência de imprensa matutina mais cedo, a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, disse haver “risco real” de intromissões no pleito de 2027 e que algumas organizações políticas e não governamentais estariam recebendo financiamento externo para isso.
Ela deu como exemplo o caso da associação Mexicanos contra a Corrupção e a Impunidade, por meio de suposto financiamento de instituições estadunidenses e/ou por suas embaixadas para favorecer determinados candidatos ou partidos. A ONG mexicana promove jornalismo investigativo e já divulgou vários escândalos envolvendo integrantes do governo.
Se aprovada, a nova legislação seria uma espécie de “faca de dois gumes” e poderia criar um dispositivo perigoso para a democracia mexicana, o de invalidar pleitos por interpretações subjetivas sobre o que de fato seria ou não uma intromissão externa. Poderia ser usado como “arma” nas mãos de candidatos derrotados legitimamente em vez de simplesmente blindar a lisura do processo eleitoral.
Legendas de oposição como o Partido Revolucionário Institucional (PRI), Partido de Ação Nacional (PAN) e Movimento Cidadão (MC) criticaram o projeto de lei por considerá-lo ambíguo juridicamente e acusaram o governo de criar mecanismo para se blindar em caso de derrota eleitoral.
Episódios que podem sinalizar ingerência estrangeira
As discussões da reforma política acontecem em meio a uma série de episódios marcantes, os quais podem ser vistos como ingerências estrangeiras, tais como: o vazamento de áudios sobre uma alegada conspiração internacional para interferir em eleições em nações latino-americanas; o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na eleição presidencial de Honduras; e o condicionamento de ajuda financeira dos Estados Unidos à Argentina.
No continente, a suposta interferência política externa tem ocorrido sob o pretexto de combate ao narcotráfico e por meio de acordos militares com governos da região, para operações conjuntas ou patrulhamento de regiões fronteiriças ou de costas marítimas.
Hondurasgate
Recentemente, os portais Canal Red e Hondurasgate divulgaram áudios sobre um suposto conluio internacional, a partir dos Estados Unidos e com financiamento israelense, argentino e hondurenho, para interferir em processos eleitorais na América Latina.
De acordo com áudios atribuídos ao ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, os quais ele nega veemente, os alvos iniciais dessa suposta conspiração seriam os presidentes do México, Claudia Sheinbaum, e da Colômbia, Gustavo Petro, além dos ex-presidentes hondurenhos Manuel Zelaya e Xiomara Castro. Todos pertencem ao campo da esquerda.
Investigação contra membros do Morena
Paralelamente a isso, o governo norte-americano instaurou investigação contra dois políticos mexicanos por suposto nexo com cartéis de drogas. Os alvos são o governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, e o prefeito de Culiacán, Juan de Dios Gámez Mendívil. Ambos são filiados ao Movimento Regeneração Nacional (Morena), partido da mandatária mexicana.
Operação da CIA sem autorização do governo mexicano
Em abril de 2026, o governo do estado de Chihuahua e a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos realizaram uma ofensiva contra cartéis de drogas sem que autoridades federais tivessem conhecimento, o que foi interpretado como uma violação à soberania. Na ocasião, dois agentes norte-americanos e dois promotores do Ministério Público morreram num grave acidente de carro.
Apoio à eleição de Nasry Asfura
Em novembro passado, em meio ao processo eleitoral para presidente em Honduras, o líder estadunidense, Donald Trump, declarou apoio à candidatura do conservador Nasry “Tito” Asfura – que venceu a disputa – e anunciou indulto presidencial a Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos por narcotráfico em Nova Iorque.
As investidas do mandatário republicano foram criticadas por sua então homóloga hondurenha, Xiomara Castro, que encerrou seu mandato no último dia 27 de janeiro. Ela o acusou de interferir no pleito.
Condicionamento de empréstimo à Argentina
Em outubro de 2025, por exemplo, Trump condicionou uma ajuda financeira de US$ 40 bilhões ao governo de Javier Milei se o seu partido vencesse as eleições legislativas na Argentina.

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