Honduras conhece novo presidente 24 dias após a eleição

Sábado, 27 de dezembro de 2025

Um dos três conselheiros eleitorais titulares se recusou a validar o pleito, então foi preciso convocar um suplente para promulgar o resultado

Imagem: Redes Sociais - Divulgação / Qualidade da foto melhorada com inteligência artificial
Nasry Asfura durante um comício eleitoral

Honduras elegeu como novo presidente o candidato de direita Nasry “Tito” Asfura (foto), do Partido Nacional, por 40,29% dos votos, tendo sido escolhido por 1.479.822 eleitores. O pleito ocorreu no dia 30 de novembro e o resultado só foi divulgado na última quarta-feira (24/12). Foram 24 dias marcados por atrasos, tensão política, desconfiança e acusações de supostas fraudes.

“Reconheço o grande trabalho realizado pelas conselheiras e toda a equipe [do CNE], que levou a cabo o desenvolvimento das eleições. Estou preparado para governar. Não falharei. Deus abençoe Honduras”, manifestou o candidato vencedor.

O resultado foi promulgado pelas conselheiras eleitorais Ana Paola Hall García, do Partido Liberal, e Cossette Alejandra López-Osorio, do Partido Nacional, e pelo conselheiro suplente Carlos Enrique Cardona Hernández, do Partido Salvador de Honduras (PSH).

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) é dirigido por três integrantes, cada um representando um dos maiores partidos políticos do país. O terceiro membro titular, Marlon David Ochoa, do Partido Renovação e Liberdade (Libre, em espanhol), se recusou a validar o processo eleitoral.

No decorrer dessas três semanas, Marlon Ochoa já falava que ninguém o forçaria a legitimar nenhuma “fraude eleitoral”. Ele é vinculado ao partido governista, da presidenta Xiomara Castro, do Libre, que terminará o mandato no próximo dia 27 de janeiro. A legenda, que é de esquerda, saiu derrotada desse pleito, ficando em terceiro lugar.

Vale destacar que durante os preparativos para o processo eleitoral, Marlon Ochoa deixou de comparecer a reuniões convocadas pelo órgão eleitoral, o que culminou na demora para contratar, via licitação, uma empresa especializada em sistema eleitoral.

As conselheiras Ana Paola, presidenta do CNE, e sua colega de trabalho Cossette Alejandra tiveram de se esconder em meio à demora na contagem dos votos, temendo pela própria segurança e o risco de serem presas, acusando Marlon Ochoa de suposto complô com o Ministério Público para tentar invalidar o pleito.

O segundo lugar ficou com o candidato Salvador Nasralla, do Partido Liberal. Ele recebeu 1.452.796 votos (39,54%). E a terceira posição, com a candidata Rixi Moncada, do Libre, com 705.428 votos (19,20%).

O quarto lugar ficou com Jorge Nelson Ávila Gutiérrez, do Partido Inovação e Unidade (Pinu-SD), com 29.988 votos (0,82%). E a quinta posição ficou com Mario “Chano” Rivera Callejas, do partido Democracia Cristã, com 6.442 votos (0,18%).

Vale destacar que após o pleito, houve problemas no sistema de análise dos votos, que só tinha atestado 36% das atas eleitorais. Foi preciso fazer uma recontagem de outros 15%, o que correspondia a cerca de meio milhão de votos em disputa. 

Nasry Asfura não era apenas um candidato. Ele contou com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, numa postagem nas redes sociais, ameaçou cortar ajuda financeira ao país centro-americano se o seu preferido não ganhasse a eleição. As manifestações foram vistas por críticos e opositores como uma interferência externa.

A vitória de Nasry Asfura reforça os novos ares políticos e ideológicos na América Latina, com o êxito de políticos de direita e/ou de extrema direita em países como Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia, El Salvador, República Dominicana, Equador, entre outros.

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