‘Eskroton’ ou ‘Krostácio’???

Terça-feira, 12 de julho de 2016

Em meio a preocupações com a fusão – em andamento – entre a Estácio e a Kroton, ainda sobra um tempinho para descontração. Pelos corredores da rede de ensino carioca a aposta é tentar descobrir o nome da nova empresa, que está sendo formada. Há quem aposte em ‘Eskroton’, união de Estácio com Kroton, mas que foneticamente dá alusão à palavra ‘escroto’. Outros sugerem ‘Krostácio’, o inverso e que dá alusão de ‘crustáceo’. O receio dos empregados é uma eventual demissão em massa, algo que até então não foi dito por nenhuma das duas, e que por enquanto não passam de especulações.

Na última sexta-feira (8/7), os conselhos de administração das duas mantenedoras aprovaram a combinação de negócios.

“A incorporação de ações resultará: (a) na titularidade, pela Kroton, da totalidade das ações de emissão da Estácio; (b) no recebimento, para cada ação ordinária de emissão da Estácio, de 1,281 ação ordinária de emissão da Kroton (considerando que, na data da Operação, haverá 307.680.459 ações de Estácio e 1.618.617.238 ações de Kroton, excluindo-se em ambos os casos as ações em tesouraria); e (c) na distribuição de dividendos extraordinários (‘Dividendos Extraordinários’) aos acionistas da Estácio no valor de R$ 420 milhões (nos termos do Protocolo), representando, aproximadamente, R$ 1,37 por ação de emissão da Estácio (considerando o número de ações de emissão da Estácio indicado acima).

Com base nesta relação de troca acima, as ações da Kroton, após a emissão aos acionistas da Estácio, serão distribuídas entre os acionistas da Estácio e da própria Kroton na proporção de, aproximadamente, 19,6% e 80,4%, respectivamente. A relação de troca deverá ser ajustada nos termos do Protocolo, em razão de desdobramentos, grupamentos e bonificações ocorridos a partir de 30 de junho de 2016 e quaisquer distribuições de dividendos (exceto pelo Dividendos Extraordinários e outras distribuições usuais conforme previsto no protocolo), reduções de capital, emissões de ações, recompras ou resgates de ações, ou qualquer outro evento que resulte em alteração da quantidade de ações em que se divide o capital social da Kroton e/ou da Estácio (excluídas as ações em tesouraria) ocorridos a partir de 07 de julho de 2016”, explicaram os diretores de Relações com Investidores da Estácio, Pedro Thompson, e da Kroton, Carlos Alberto Lazar, em comunicado conjunto.

No último dia 1º de julho, a Estácio já tinha manifestado interesse na fusão. A Kroton ofereceu cerca de R$ 5,5 bilhões mais dividendos de R$ 420 milhões aos atuais acionistas do grupo carioca.

Está prevista uma assembleia geral extraordinária para o próximo dia 11 de agosto, para que os acionistas aprovem a fusão, informou o jornal ‘Valor Econômico’.

Vale frisar que a combinação das duas redes privadas de ensino precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

No mês passado, a seccional fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) recorreu ao Cade contra a combinação de negócios entre Estácio e Kroton.

O deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), por exemplo, disse que poderia levar a discussão sobre a fusão em audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.

O grupo Ser Educacional – com forte influência nas regiões Norte e Nordeste – também tinha interesse na Estácio. Quando a revista ‘Exame’ noticiou que a Kroton queria comprar a Estácio, a Ser Educacional se antecipou e enviou uma primeira proposta com dividendos de R$ 590 milhões aos sócios da Estácio. Depois, lançou uma segunda oferta no valor de R$ 1 bilhão. Apesar das propostas, fica a dúvida sobre o real interesse ou uma suposta e eventual especulação, tendo em vista que as ações dos grupos mineiro e carioca tiveram altas consideráveis na Bovespa no decorrer dos últimos 40 dias. Além disso, o grupo nordestino não cobriu a oferta da Kroton. Sequer chegou perto. Nessa segunda-feira (11), a mantenedora pernambucana encerrou oficialmente o interesse pela Estácio, por conta do aceite favorável à Kroton.

A Kroton já é a maior rede privada de ensino do país e do mundo com 1,1 milhão de alunos em 2014. No mesmo ano, a Estácio contava com 587 mil estudantes. Embora ambos os grupos falem em sinergia, é importante destacar que o mercado de trabalho poderia ficar mais restrito para os profissionais de educação, tendo então de submeterem a salários mais baixos devido à diminuição e/ou falta de concorrência.

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