Quinta-feira, 24 de março de 2016
Imagem: Lula Marques / Agência PT/ Reprodução /
Creative Commons / Copiada do site Fotos Públicas
![]() |
| Aqui se faz, aqui se paga |
“Não interviremos nos assuntos internos dos países”, declarou Cabello Sarubbi. “Nos ajustamos ao respeito à soberania dos países. Não apoiamos esse tipo de comunicado”, continuou.
O documento – que, supostamente, critica o Judiciário e as instituições democráticas brasileiras – foi motivado pelo pedido do líder boliviano, Evo Morales, quem cobrou uma posição dos dois blocos subcontinentais no que diz respeito ao processo de impeachment contra Rousseff que tramita na Câmara dos Deputados.
Não se pode esperar respeito de certos integrantes desses blocos às nossas instituições, quando, no fundo, não têm por suas próprias. No mês passado, Morales tentou burlar a Constituição, ao promover uma consulta popular para tentar um quarto mandato a partir de 2020 a 2025. Os bolivianos lhe disseram ‘não’. A legislação proíbe mais do que uma reeleição.
Mais do que dar uma lição diplomática, as autoridades guaranis dão o troco. Não ao Brasil. Exclusivamente a Dilma Rousseff. Ainda existe um grande ressentimento pelo fato de Assunção ter sido expulsa do Mercosul em retaliação ao Congresso, que cassou o mandato do presidente Fernando Lugo, em 2012. De acordo com o livro ‘Una Oveja Negra al Poder’ (em tradução literal: ‘Uma Ovelha Negra no Poder’), que traz uma biografia política do ex-presidente uruguaio José Mujica, a mandatária brasileira teria, supostamente, agido nos bastidores para convencer os demais países do bloco a expulsar o Paraguai. Era a única forma de a Venezuela poder ingressar ao Mercosul, já que só faltava o parlamento do país vizinho aprovar sua adesão. Estando fora não haveria mais impedimento legal. Depois descobriu-se que a entrada de Caracas tinha por objetivo favorecer empresas brasileiras. A suposta tramoia contradiz o mantra de que o Brasil não se intromete em assuntos internos de outros países. Exceto quando o interessa.
“Quando Lugo foi destituído pelo Senado paraguaio, e antes de se celebrar a Cúpula do Mercosul para resolver as sanções, uma das pessoas de maior confiança de Mujica recebeu uma ligação de Marco Aurélio Garcia (assessor do Itamaraty), braço direito de Dilma”, narrou o livro.
“Dilma [Rousseff] quer transmitir uma mensagem muito importante ao presidente Mujica”, teria dito Garcia.
“Não tem problema, colocamos em comunicação os dois presidentes”, respondeu um assessor uruguaio.
“Não, não pode ser por telefone nem por e-mail. É pessoalmente”, explicou Marco Aurélio Garcia.
Para evitar suspeitas de um encontro presidencial tão repentino, o Planalto teria, supostamente, enviado um avião até Montevidéu para buscar o mensageiro de Mujica. Já em Brasília, se encontrou diretamente com a chefe de Estado.
“Vamos ao que interessa”, disse Rousseff. Quando o assessor uruguaio pegou um caderninho para anotar a mensagem, ela enfatizou: “Sem anotações, esta reunião nunca existiu!”
“O Brasil precisa que o Paraguai fique de fora do Mercosul, para que assim aconteçam eleições nesse país”, confessou Rousseff, enquanto mostrava ao mensageiro uruguaio fotos e gravações de serviços de espionagem brasileiro, cubano e venezuelano, indicando que um suposto ‘golpe de estado’ contra Lugo tinha sido arquitetado por um grupo de ‘mafiosos’. Com novas eleições em 2013, Assunção foi restabelecida ao Mercosul.
Note-se que Mercosul e Unasul não são meros blocos políticos e econômicos. São também politiqueiros e bolivarianos. No ano passado, quando forças políticas e populares da Guatemala instavam a renúncia do então presidente Otto Pérez Molina, acusado de corrupção, não se viu nenhuma nota por parte dos dois blocos. Afinal, ele não fazia parte da patota socialista.
Em vez de tentar resgatar a confiança de eleitores brasileiros, principalmente os da oposição, a ‘campanha’ para tentar salvar o mandato da petista apela para a internacionalidade. Um ministro do Itamaraty enviou, recentemente, telegramas a embaixadas e representações diplomáticas brasileiras em todo o mundo, alertando sobre um suposto ‘golpe’ em curso contra Dilma Rousseff. O diplomata instou que a diplomacia buscasse apoio de movimentos sociais no exterior.

Postar um comentário
Sua opinião será publicada, logo que aprovada, conforme Política de Uso do site.
O OPINÓLOGO agradece o seu comentário.