Adesão da Venezuela ao Mercosul tinha por objetivo favorecer empresas brasileiras, diz revista

Segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O ingresso da Venezuela ao Mercado Comum do Sul (Mercosul), em 2012, teria por objetivo 'beneficiar aos empresários brasileiros desejosos de entrar com mais vantagem num mercado de 27 milhões de consumidores'. Foi o que afirmou a revista uruguaia 'Búsqueda' em sua recente edição. Outrossim, era dar respaldo político ao governo de Hugo Chávez.

“Às vezes, o político está em cima do jurídico”, expressou o então presidente do Uruguai, José Mujica, ao então ministro de Relações Exteriores, Luis Almagro.

Mujica – hoje, senador – se referia à suspensão temporária do Paraguai ao bloco econômico, como resultado da deposição do então presidente Fernando Lugo pelo Congresso local. Dos quatro países-membros do Mercosul, apenas o Paraguai era contra a entrada da Venezuela. Estando fora, não haveria mais impedimento legal à adesão da República Bolivariana, já que Argentina, Brasil e Uruguai eram favoráveis. De acordo com o supracitado semanário, a exclusão de Assunção teria sido, supostamente, tramada pelos governos argentino e brasileiro. A presidente Dilma Rousseff teria enviado um avião até Montevidéu, no Uruguai, para buscar um mensageiro, cujo intuito era transmitir um recado a Mujica que não poderia ser dito por telefone nem por e-mail. O líder socialista precisava apoiar esse complô. Embora o discurso oficial de Brasília seja a de que não se intromete em assuntos internos de outros países. Exceto quando o interessa.

“O Brasil precisa que o Paraguai fique de fora do Mercosul, para que assim aconteçam eleições nesse país”, disse a petista durante a reunião que oficialmente nunca aconteceu. Tais revelações constam no livro 'Una Oveja Negra al Poder' (em tradução literal: 'Uma Ovelha Negra no Poder'), o qual narra a biografia política de Mujica. A obra foi escrita pelos jornalistas Andrés Danza e Ernesto Tulbovitz. Ambos são editores na revista 'Búsqueda'.

A recente publicação do semanário também conta como empresas e políticos uruguaios teriam, supostamente, se dado bem em negócios na Venezuela, graças ao fácil acesso intergovernamental.

Certas empresas e empresários afins do bolivarianismo podem ter faturado. Mas, o povo, não. O país vive em estado de miséria: inflação anual acima dos 60%; escassez de alimentos, de medicamentos e de papel higiênico, porque quase tudo precisa ser importado, e o governo não libera dólares para a compra de matéria-prima no exterior. São também registrados saques a supermercados, por exemplo. As autoridades pensavam que poderiam continuar alimentando a população com a memória do falecido ditador. Até petróleo teve de ser importado, algo que não deveria acontecer para um país rico nesse hidrocarboneto. 

Em junho passado, senadores brasileiros da oposição chegaram a pedir a exclusão de Caracas ao bloco, por conta de denúncias de violações de direitos humanos e políticos ocorridas lá. Uma comitiva viajou para apurar o caso, porém mal saiu dos arredores do aeroporto, porque o ônibus em que estava foi apedrejado por milicianos pró-Chavistas.

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