Bolívia diz ‘não’ a um quarto mandato de Evo Morales

Quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Imagem: Joel Alvarez / Copiada da Wikipédia /
Reprodução / Creative Commons
Evo Morales durante uma cerimônia de posse
Talvez ainda haja esperança para a América Latina. Em referendo no último domingo (21/2), 51,29% dos eleitores bolivianos disseram ‘não’ a um quarto mandato do presidente Evo Morales, segundo o Órgão Eleitoral Plurinacional (OEP). No total, mais de 5,2 milhões de pessoas foram às urnas. Atualmente, ele exerce sua terceira gestão consecutiva.

Na prática, o Congresso, de maioria governista, buscava burlar sua própria Constituição para que Morales pudesse ser reeleito novamente em 2019 para governar de 2020 até 2025.

O primeiro mandato de Morales ocorreu entre 2006 e 2010, sendo que em 2009, a Bolívia aprovou uma nova Constituição, que permitiria apenas uma reeleição consecutiva com duração de cinco anos. A ideia era desconsiderar o primeiro período de governo, porque foi antes da reforma de sua carta democrática. Com isso, os mandatos considerados seriam a partir de 2010 como se fosse o primeiro, enquanto a primeira reeleição, de 2015 a 2020.

O medo de uma eventual crise econômica, por conta da queda no preço do gás natural, principal produto de exportação, ademais a casos de corrupção em seu governo, pode ter levado Morales à derrota. Não é possível dizer se a crise na Venezuela, com vieses político, econômico e moral, influenciou o resultado negativo.

A derrota de Morales foi comemorada pelo ex-presidente Jorge Quiroga nas redes sociais: “Oficial: Bolívia diz não ao autoritarismo, não à corrupção, não ao Chavismo, não ao narcotráfico, não ao desperdício”.

“Bolívia disse não ao poder eterno para roubar, para esbanjar e perseguir (...)”, continuou Quiroga.

Vale frisar que, em 2015, foi divulgado por inúmeros meios de comunicação que pessoas muito próximas a Evo Morales e ao vice-presidente Alvaro García Linera seriam alvos de investigação da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA, na sigla em inglês) por supostos nexos com o narcotráfico.

Não seria estranho se até 2019 políticos governistas tentassem atropelar a vontade do povo e promovessem uma nova consulta popular.

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