Argentina: jornalista que divulgou em primeira mão a morte de promotor deixa o país

Sábado, 24 de janeiro de 2015

O jornalista argentino Damián Pachter, do 'Buenos Aires Herald', que divulgou em primeira mão a morte do promotor Alberto Nisman, na semana passada, deixou o país. “Estou deixando o país, porque minha vida corre perigo”, disse. Ao portal 'Infobae', ele disse que estava sendo seguido, embora não soubesse por quem, e que seus telefones estariam grampeados.

Imagens: Twitter / Reprodução




“Desde que começou tudo isso, uma fonte próxima, confiável de muitos anos e que sabe se mover no mundo da inteligência, vinha me dando indiretas”; “não sei desde quando começaram a me seguir. Não contarei nada ainda, mas posso dizer que recebi uma mensagem do Estado que eu entendi como uma mensagem para mim, logo a chequei, e foi dessa maneira”, continuou.

“Regressarei ao país quando minhas fontes me disserem que as coisas mudaram”; “sequer tive tempo de ir em casa. Me falaram para não ir (…), mas esse é o preço que pagamos pelo nosso trabalho. Fazer essas coisas trazem consequências. Nunca imaginei que depois desse tuíte, em cinco dias teria que me mudar do país e com evidências reais”, sustentou.

Em nota, o Foro de Jornalismo Argentino (Fopea, na sigla em espanhol) manifestou solidariedade a Damián Pachter, e instou as autoridades a garantir a segurança desses profissionais.

A imprensa local divulgou que a autópsia constatou que o tiro que atingiu Nisman, na cabeça, teria sido dado a menos de um centímetro de distância.

Entenda o caso

Alberto Nisman, promotor do Ministério Público, havia acusado Cristina Kirchner, seu chanceler Héctor Timerman, entre outros políticos e membros da inteligência, de tentarem forjar a inocência do governo iraniano no atentando em uma comunidade judaica, que deixou 85 mortos e 300 feridos.

O promotor apresentaria, na última segunda-feira (19), perante o Congresso cópias de documentos e gravações telefônicas, as quais, segundo ele, demonstravam um acordo para a Argentina comprar petróleo persa em troca de venda de grãos e de armas.

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