Argentina: criam paródia musical com Cristina Kirchner a respeito da morte de promotor

Sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Antes de morrer, promotor acusou a presidente de forjar plano para inocentar atentado terrorista, cuja suspeita cai sobre autoridades do Irã

Internautas fazem paródia musical (vídeo) com a presidente Cristina Kirchner dançando, ao criar letra que narra um chaveiro, identificado como Walter, quem teria desmentido a versão oficial ao afirmar que uma das portas do apartamento do promotor Alberto Nisman, morto no último domingo (18), estava aberta.

Vídeo: Misdos Centavos / YouTube / Reprodução


OPINÓLOGO traduz a letra para o português:

“Chegou a cumbia
Cumbia do chaveiro
Pôs fim ao relato
Do governo verseiro

A versão que diziam
De uma porta fechada
Só girou a fechadura
Porque aberta já estava

Chegou a cumbia
Cumbia do chaveiro
Pôs fim ao relato
Do governo verseiro

Ele levou um segundo para que Walter abrisse as portas
O governo o nega, mas tem coisas incertas
Chegou a cumbia
Cumbia do chaveiro

Pôs fim ao relato
Do governo verseiro
Contradisse o governo
Com um simples trabalho

Ficaram nervosos
Com o 'cu' apertado
Chegou a cumbia
Cumbia do Chaveiro

Pôs fim ao relato
Do governo verseiro
O meios de comunicação kirchneristas
Tentaram dar um ponto final ao assunto

Walter, o chaveiro
É um rapaz escuro
Chegou a cumbia
Cumbia do chaveiro

Pôs fim ao relato
Do governo verseiro
Que era amigo de Videla
De um grupo de tarefas

Manejava as chaves
Nos anos 70
Já basta desta cumbia
Basta de chaveiros

E saiamos às ruas
Pra que não aconteça de novo
Chegou a cumbia
Cumbia do chaveiro

Pôs fim ao relato
Do governo verseiro
Do governo verseiro
Do governo verseiro”

A cumbia é um estilo musical. A nona estrofe cita o falecido ditador argentino Jorge Rafael Videla, que comandou o país de 1976 a 1981.

O vídeo da mandatária sul-americana dançando é uma adaptação da comemoração, ocorrida em dezembro passado, do 31º aniversário da volta da democracia no país, a qual ela participou.

Entenda o caso

Alberto Nisman, promotor do Ministério Público, havia acusado Cristina Kirchner, seu chanceler Héctor Timerman, entre outros políticos e membros da inteligência, de tentarem forjar a inocência do governo iraniano no atentando em uma comunidade judaica, que deixou 85 mortos e 300 feridos.

O promotor apresentaria, na última segunda-feira (19), perante o Congresso cópias de documentos e gravações telefônicas, as quais, segundo ele, demonstravam um acordo para a Argentina comprar petróleo persa em troca de venda de grãos e de armas.

Nas primeiras horas após a divulgação de sua morte, a versão oficialista era de que Nisman teria se suicidado. Alguns dias depois, a líder argentina mudou o discurso. Agora fala em suposta conspiração. “A denúncia do fiscal Nisman nunca foi em si mesma a verdadeira operação contra o governo. Foi caindo aos poucos. Nisman não sabia e, provavelmente, nunca soube. A operação real em relação ao promotor público era a morte, depois de acusar a presidente, seu chanceler e seu secretário-geral de serem cúmplices do atentado terrorista à Amia”, disse.

“Hoje não tenho provas, mas tenho dúvidas. Tinham que trazê-lo urgentemente ao país para aproveitar o baque internacional provocado pelos atos terroristas ocorridos na França”, continuou Cristina Kirchner, ao referir-se que Nisman teria suspendido suas férias para apresentar a denúncia de 289 páginas contra ela e seu governo.

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