Argentina: Governo divulga paradeiro de jornalista que deixou o país com medo de morrer

Domingo, 25 de janeiro de 2015Informação atualizada em 26/01/2015, à 01h18

Periodista foi o primeiro a divulgar a morte de promotor que acusou Cristina Kirchner de conspirar a favor do Irã num atentado terrorista, em 1994

A Telam, agência estatal argentina, divulgou (foto 1) o paradeiro do jornalista Damián Pachter, do portal 'Buenos Aires Herald', que deixou o país na madrugada do último dia 24, por considerar que sua vida corre perigo. Ele havia divulgado em primeira mão a morte do promotor Alberto Nisman, no último dia 18 de janeiro. O representante do Ministério Público apresentaria provas ao Congresso, no dia seguinte, de que a presidente Cristina Kirchner, seu chanceler Héctor Timerman, entre outros políticos e membros da inteligência tentavam, supostamente, forjar a inocência de terroristas ligados ao governo do Irã no atentado a uma comunidade judaica, em 1994, que resultou em 85 mortos e 300 feridos.

Imagem: Casa Rosada / Twitter / Reprodução
Nem o Governo respeita a privacidade de seus cidadãos

Como disse a imagem acima, Pachter teria viajado ao Uruguai pela Aerolíneas Argentinas, com retorno previsto para o próximo dia 2 de fevereiro. Além do portal noticioso, a Casa Rosada – sede do governo – também compartilhou nas redes sociais o conteúdo. Os internautas estão criticando a difusão de tais dados.

Imagens: Twitter / Reprodução



“Estou deixando o país, porque minha vida corre perigo”, contou o periodista, quem relatou que seus telefones estariam grampeados e que estaria sendo seguido.

Já nesse domingo (25), o portal israelense 'Haaretz' divulgou que Pachter estaria em Israel. O jornalista tomou um voo até Montevidéu, no Uruguai, onde pegou outro até o Oriente Médio.

Desde as primeiras notícias sobre a misteriosa morte de Nisman, o discurso oficial tem sido invalidar e desacreditar suas denúncias. Inicialmente, a mandatária sul-americana falou em suicídio. Após perícias e autópsia, mudou. Agora disse acreditar que o fiscal tenha sido usado em um plano de conspiração contra o governo.

“A denúncia do fiscal Nisman nunca foi em si mesma a verdadeira operação contra o governo. Foi caindo aos poucos. Nisman não sabia e, provavelmente, nunca soube. A operação real em relação ao promotor público era a morte, depois de acusar a presidente, seu chanceler e seu secretário-geral de serem cúmplices do atentado terrorista à Amia”, expressou Cristina Kirchner.

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