Sexta-feira, 27 de março de 2015
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, acusou os senadores Aloysio Nunes (SP) e Cássio Cunha (PB), ambos do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), de quererem acabar com o programa 'Mais Médicos'. Chioro se referia ao Projeto de Decreto Legislativo (PDS) nº 33/2015, apresentado pelos dois parlamentares, na última terça-feira (24/3), o qual pede a exclusão apenas dos médicos cubanos, após denúncia do 'Jornal da Band', da TV Bandeirantes, de que o mesmo tinha por objetivo, supostamente, financiar a ditadura dos irmãos Castro.
“Os autores do requerimento querem acabar com o Mais Médicos, um programa que construímos para atender uma demanda histórica de falta de médicos concentrada, sobretudo, nas regiões mais vulneráveis do país. O programa foi criado para beneficiar exclusivamente a população brasileira que depende do SUS (Sistema Único de Saúde)”, declarou o ministro.
“Os autores [do projeto de lei] demonstram-se insensíveis aos benefícios e resultados desta iniciativa”, complementou Chioro, que em reunião, nessa quinta-feira (26), pediu o veto ao projeto aos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Jorge Viana (PT-AC), presidente e vice-presidente do Senado, respectivamente.
Atualmente, o programa é composto por mais de 11 mil profissionais cubanos, 1.846 brasileiros e 1.187 de outras nacionalidades, e atende a mais de 3.500 municípios, sendo que desse total, 2.700 cidades contam exclusivamente com os médicos de Havana.
“A prioridade do governo federal sempre foram (sic) os médicos brasileiros. Somente entre 2013 e 2014, realizamos cinco chamadas para inscrição desses profissionais. Tivemos que buscar profissionais estrangeiros para preencher todas as vagas demandadas pelos municípios”, argumentou o ministro.
A previsão do Ministério da Saúde é de que o total de médicos chegue a 18.247 ainda este ano em mais de quatro mil cidades, atendendo a 63 milhões de pacientes.
Vale lembrar que o senador Cássio Cunha também pediu ao Ministério Público Federal (MPF) uma investigação a respeito do convênio firmado entre o Brasil, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e Cuba a respeito do 'Mais Médicos'. Ademais a reportagem da TV Bandeirantes, a revista 'Veja' noticiou que seis meses antes de o programa ser anunciado pelo governo brasileiro, em 2013, o então representante da Opas, o cubano Joaquim Molina, havia apresentado a minuta do contrato de prestação de serviço, em 2012.
Para o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), o objetivo não é acabar com o programa, porém corrigir supostas 'fraudes', a de que cubanos – sem precisar a quantidade – estariam infiltrados entre os médicos e atuariam como espiões a serviço do governo cubano.
Leia também:
“Mais Médicos” ou “Menos Médicos”
'Mais Médicos': os dois lados de uma mesma moeda
Leia também:
“Mais Médicos” ou “Menos Médicos”
'Mais Médicos': os dois lados de uma mesma moeda
Postar um comentário
Sua opinião será publicada, logo que aprovada, conforme Política de Uso do site.
O OPINÓLOGO agradece o seu comentário.