“Mais Médicos” ou “Menos Médicos”?

Terça-feira, 31 de março de 2015

Mais uma profissional cubana deserta do programa do Ministério da Saúde, e foge para Miami, diz jornal

Imagem: Divulgação
Ilustração

Quantas vezes, Você, leitor(a), ouviu algum caso de norte-americano fugindo para Cuba??? Certamente, nunca. Mas, pode ter escutado várias vezes o oposto: um cubano fugindo para os Estados Unidos. O novo histórico de deserção é o da médica cubana Dianelys San Roman Parrado, quem buscou refúgio em Miami, no último sábado (28/3), segundo a “Folha de São Paulo”.

A profissional abandonou o programa “Mais Médicos”, do Ministério da Saúde, o qual atuava desde dezembro de 2013, em Jandira, no estado de São Paulo. Na última semana, ela não havia comparecido ao local de trabalho.

Dianelys San Roman não aguentou a suposta chantagem que vinha sofrendo de autoridades cubanas com ameaça de substituição e até cassação do diploma de Medicina, caso o marido e o filho – que vieram ao Brasil de férias, em novembro último – não retornassem à ilha caribenha.

Desde o início do programa, a meados de 2013, pelo menos 40 cubanos teriam desertado do “Mais Médicos”, entre eles Ortelio Guerra e Ramona Rodriguez, em abril do ano passado. Vale lembrar que Ramona havia fugido em fevereiro do mesmo ano do posto de saúde onde trabalhava, no Pará, após descobrir que o salário pago era de R$ 10 mil e que ela só receberia uns US$ 400, o equivalente à R$ 960 na cotação da época. Ela ficou abrigada na Câmara dos Deputados, em Brasília, até obter o visto para os Estados Unidos. Também foi convidada a trabalhar na Associação Médica Brasileira (AMB) por um salário mensal de R$ 3 mil.

Os familiares dos médicos cubanos recebem visto de permanência no Brasil de até 36 meses, o mesmo tempo que os respectivos profissionais. Da parte do governo brasileiro não há qualquer impedimento para que a parentada resida no país. O problema é com o governo cubano, que tenta evitar deserção, mas acaba logrando o que não queria.

Lamentavelmente, o Brasil prefere ignorar uma suposta violação de direitos humanos, cujo trabalho já foi tachado até de “escravo”, no que diz respeito ao salário desses profissionais. Apesar de o convênio com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) falar em R$ 10 mil, os agentes de saúde cubanos só receberiam algo em torno de 25% a 40%, ou seja, R$ 2,5 mil a R$ 4 mil, respectivamente. O restante fica para os irmãos Castro.

O Ministério da Saúde alega que os cubanos são funcionários públicos no arquipélago centro-americano. Portanto, não poderia se intrometer na relação de trabalho que eles têm lá.

Antes mesmo de começar, o programa – cujo objetivo seria um suposto disfarce para financiar a ditadura cubana – já estava fadado ao fracasso. Pois, abala diretamente a imagem do governo Dilma Rousseff, que o anunciou em 2013 em resposta à onda de protestos que tomava conta do país na ocasião. A que preço vale atender 63 milhões de brasileiros em detrimento aos supostos sacrifícios enfrentados pelos médicos cubanos???

Para Havana, a deserção de seus profissionais causa mais efeito político do que administrativo, tendo em vista que seu governo socialista se tornou uma grande terceirizadora de mão de obra, o que reforça o capitalismo de estado ou o comunismo de mercado vigente. O problema é mais político, porque destroça a imagem que a nação quer vender perante o mundo.

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