Segunda-feira, 20 de abril de 2026
A presidenta interina da Venezuela foi chamada de ‘macaca’ por um artista conterrâneo
Imagem: @IdiazAyuso - Redes Sociais
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| A presidenta da Comunidade de Madrid ao lado da ativista venezuelana |
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O que era para ser apenas um evento de militância política e de homenagem à ativista venezuelana María Corina Machado – Nobel da Paz de 2025 – se transformou num deplorável gesto racista. Com um microfone na mão e diante de milhares de pessoas, o cantor conterrâneo Carlos Baute (vídeo abaixo) aderiu aos cânticos entoados pelo público de ‘fuera la mona’ (‘fora, macaca’, em tradução literal) contra a presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, durante ato ocorrido na Plaza Puerta del Sol, em Madrid, na Espanha, nesse sábado (18/4).
Vídeo: Redes Sociais - Divulgação
Carlos Baute é venezuelano radicado na Espanha
Os insultos ocorreram momentos antes da aparição da ex-deputada venezuelana e tiveram má repercussão. Até a publicação desta reportagem, ainda não havia nenhum pronunciamento ou pedido de desculpas por parte do artista, que está radicado no país europeu e é um opositor do regime.
Em entrevista à agência de notícias EFE, María Corina comentou sobre o episódio protagonizado por Carlos Baute: “Jamais se escutará da minha boca uma palavra ou expressão que julgue ou desqualifique uma pessoa por sua religião, por seu gênero ou por sua raça. Isso é o que tem feito o regime [de Nicolás Maduro] na Venezuela, nos dividir por esses motivos”.
A Embaixada da Venezuela na Espanha reagiu à ofensa e divulgou nota de repúdio, classificando a conduta do músico como ‘manifestação inaceitável de discurso de ódio’, e pediu desculpas aos espanhóis.
“(...) Esse tipo de expressão é ainda mais grave quando se dirige contra uma mulher, pois configura uma forma de violência política baseada em misoginia e racismo que não pode ser relativizada sob nenhuma circunstância”, escreveu a diplomacia bolivariana em trecho de nota.
“Chamar uma mulher de ‘macaca’ constitui um ato de desumanização incompatível com os princípios do direito internacional dos direitos humanos e com os padrões mínimos de convivência democrática (...)”, completou a embaixada.
Casos recentes de racismo na Espanha
O coro endossado por Carlos Baute não deve ser visto como um comportamento isolado num país onde não há legislação específica para combater esse tipo de preconceito. Ataques racistas e xenófobos têm sido cada vez mais comuns, principalmente no futebol espanhol.
Durante um amistoso entre Espanha e Egito em Barcelona, no último dia 31 de março, alguns torcedores espanhóis entoaram cânticos de que ‘quem não pular é muçulmano’.
O atacante brasileiro Vinícius Júnior – Vini Jr. –, que atua pelo Real Madrid, tem sido vítima recorrente de ataques racistas. Em 2023, foi chamado de ‘mono’ (macaco) por torcedores numa partida contra o Valencia; em 2026, em meio a um jogo contra o Benfica pela Champions League, relatou ter sido insultado pelo argentino Gianluca Prestianni.
Homenagem na Espanha
A ativista venezuelana recebeu da presidenta da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, a Medalha de Ouro da cidade por sua defesa em prol da liberdade e democracia. Ela foi recepcionada por partidos de direita e/ou de extrema direita como o Partido Popular (PP) e o Vox, ambos adversários do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.
A porta-voz do partido de esquerda Podemos, Isa Serra, cobrou um posicionamento do governo regional diante da manifestação racista e ironizou a homenageada: “Imagino que María Corina Machado irá até [Donald] Trump para lhe entregar a medalha de ouro, para que ele bombardeie seu próprio país, a Venezuela, para que ela possa ser presidente e Delcy Rodríguez, não”.
A crítica política está ligada ao fato de que María Corina Machado doou sua medalha do Nobel da Paz ao mandatário norte-americano durante sua visita à Casa Branca, o que soou como subserviência.
A concessão do Nobel da Paz à ativista venezuelana foi alvo de críticas, por ela ter pedido em dadas ocasiões intervenção estrangeira para derrubar o regime de Nicolás Maduro. A gota d’água foi quando ela presenteou a insígnia.
Cúpula de países progressistas
A homenagem à ativista sul-americana, em Madrid, aconteceu paralelamente a IV Cúpula em Defesa da Democracia, em Barcelona, cujo anfitrião foi o premiê da nação ibérica.
A conferência de líderes progressistas defendeu reforçar ajuda humanitária a Cuba em meio aos bloqueios comerciais por parte dos Estados Unidos, criticou o intervencionismo do presidente norte-americano, Donald Trump, e contou com a participação dos governantes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; do México, Claudia Sheinbaum; da Colômbia, Gustavo Petro; e do Uruguai, Yamandú Orsi.
A líder da oposição venezuelana recusou convite para um encontro oficial com Pedro Sánchez, por considerar que a reunião não seria apropriada devido à supracitada cúpula de líderes socialistas.
Exílio dourado
Numa espécie de exílio dourado, María Corina Machado está em campanha de mobilização internacional para pressionar Delcy Rodríguez a renunciar e a convocar novas eleições, após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro por militares estadunidenses no último dia 3 de janeiro. Desde que saiu às escondidas da Venezuela para receber o Nobel da Paz, na Noruega, em dezembro passado, ainda não voltou para casa.
Em giro internacional desde que foi laureada, existe a possibilidade de María Corina Machado passar pelo Brasil. Recentemente, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) divulgou nas redes sociais tê-la convidado para participar de uma audiência na Comissão de Segurança Pública do Senado, em data a ser definida.

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