Quinta-feira, 27 de novembro de 2025
Investigação da polícia paraguaia desmantela quadrilha que adquiria drogas e armas na Bolívia para serem revendidas ao Comando Vermelho no Brasil; falta de colaboração do Ministério Público gerou atrito com o governo
Imagem: Senad - Reprodução - Qualidade da foto melhorada com inteligência artificial
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| Autoridades paraguaias apresentam materiais apreendidos com contrabandistas |
O Comando Vermelho buscou se reabastecer de armas e drogas via Paraguai após a megaoperação da polícia fluminense nos complexos do Alemão e da Penha, ambos na Zona Norte do Rio, no último dia 29 de outubro. É o que apontam as investigações da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do país vizinho, ao apresentar à imprensa um balanço da Operação Conexão CV, na última segunda-feira (24/11).
Quatro integrantes de uma quadrilha que viajavam com frequência do Paraguai para a Bolívia, em busca de armamento e entorpecentes, foram presos na incursão paraguaia. As armas eram adquiridas em componentes separados e embaladas para posterior envio ao Brasil.
Os criminosos utilizavam uma empresa importadora de carros de fachada para encobrir as atividades ilícitas, na cidade de Lambaré, Região Metropolitana de Assunção. Durante o operativo, a polícia paraguaia descobriu uma parede falsa onde os meliantes escondiam itens contrabandeados que foram apreendidos. Os veículos eram adaptados para transportar as mercadorias até os supostos compradores finais.
Os investigados capturados são:
* Víctor Manuel Greco Céspedes: proprietário e financiador da empresa de fachada. Coordenava a compra, o armazenamento e o envio dos materiais ilícitos.
* Gustavo Alejandro González Díaz, vulgo “Chaco”: operador logístico, responsável pela adaptação dos veículos, travessias de fronteira, obtenção de armas e embalá-las.
* Luis Miguel Duarte Benítez: motorista e encarregado pela transferência de veículos adaptados e cargas ocultas.
* Gustavo Ariel Ferreira da Silva: integrante da quadrilha. Foi interceptado na cidade de Luque, no Paraguai, enquanto transportava drogas.
Durante a Operação Conexão CV, foram apreendidos: mais de 27 quilos de maconha tipo cera, quase 6,5 quilos de pasta de cocaína, 300 gramas de cloridrato (pó) de cocaína, quatro carros, várias motocicletas e quantidades ainda não divulgadas de munições calibre .50 (foto) e de componentes de fuzis automáticos e semiautomáticos, telefones celulares etc.
A falta de colaboração por parte do Ministério Público na Operação Conexão CV, especialmente por parte da procuradora adjunta para o Narcotráfico, Matilde Moreno, gerou atrito por parte do governo. Ainda em coletiva de imprensa, o ministro da Senad, Jalil Rachid, lamentou a suposta falta de apoio.
Em editorial, o jornal local ABC criticou a postura da servidora e instou uma investigação contra ela por suposta obstrução, ao negar-se a emitir uma ordem de apreensão contra os investigados, mesmo quando havia suspeita de que na loja de fachada houvesse pelo menos 25 fuzis e uma grande quantidade de entorpecentes que seriam contrabandeados para o Brasil.
Enquanto no Brasil o governo resiste em enquadrar facções criminosas e milícias como terroristas, no Paraguai, o atual governo, alinhado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já trata o Comando Vermelho como “organização terrorista”.
A megaoperação nos citados conjuntos de favela cariocas no mês passado é considerada a mais letal da história do estado fluminense, tendo deixado 121 mortos, entre eles quatro policiais militares e civis.

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