Quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Imagem: Transparência Internacional / Reprodução
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| Quanto mais vermelho, mais corrupto, segundo o mapa |
O Brasil piorou, em 2018, no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), de acordo com a ONG Transparência Internacional. Da posição de número 96, em 2017, passou para a de 105, em 2018. A pontuação passou de 37 para 35.
O IPC é o ranking que mede a percepção da corrupção em nível mundial, com base em medidas de combate a essa prática, acesso a informações transparentes de gastos públicos e a percepção da democracia nos países, tais como: a independência entre os três poderes, o fortalecimento das instituições democráticas e as liberdades civis.
Ao todo são analisados 180 países. A pontuação varia de zero a 100. Quanto mais próxima de zero, pior é a avaliação. Quanto mais perto de 100, a nação é considerada altamente íntegra.
Para a Transparência Internacional, esse é o pior resultado desde 2012, quando os dados começaram a ser comparados ano a ano.
“Esse resultado reforça um alerta que já vem sendo feito pela Transparência Internacional. Os esforços notáveis do país contra a corrupção podem estar em risco e não foram suficientes para chegar à raiz do problema. Não tivemos nos últimos anos qualquer esboço de resposta às causas estruturais da corrupção no país. A Lava Jato foi crucial para romper com o histórico de impunidade da corrupção no Brasil – principalmente de réus poderosos. Mas para o país efetivamente avançar e mudar de patamar no controle da corrupção, são necessárias reformas legais e institucionais que verdadeiramente alterem as condições que perpetuam a corrupção sistêmica no Brasil”, explicou a entidade.
Como foi dito aqui, quanto mais próxima de 100 for a pontuação, menor é a percepção de corrupção. O Brasil, com 35 pontos, ficou abaixo da média mundial, 43 pontos, e das Américas, com 45 pontos.
Na América Latina, o gigante sul-americano é classificado como mais corrupto em comparação ao Uruguai, Chile, Costa Rica, Cuba, Argentina, Panamá e Colômbia, respectivamente.
Ainda na mesma região, o Brasil é menos corrupto que Equador, República Dominicana, Bolívia, Honduras, Paraguai, México, Guatemala, Nicarágua, Haiti e Venezuela.
Em nível mundial, o Brasil está empatado com Argélia, Armênia, Costa do Marfim, Egito, El Salvador, Peru, Timor Leste e Zâmbia.
Já entre os países do Brics – bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul –, a nação sul-americana só é melhor avaliado que a Rússia, com 28 pontos e na 138ª posição.
Breve análise do IPC de outros países
A Dinamarca foi considerada a nação com menor percepção de corrupção, alcançando 88 pontos. Nenhuma delas logrou os 100 pontos. Nas Américas, apenas o Canadá ficou entre os 20 primeiros colocados, com 81 pontos e na 9ª posição.
Os Estados Unidos caíram quatro pontos e não apareceram entre os 20 menos corruptos do mundo. Com 72 pontos e na 22ª posição, o país alcançou sua nota mais baixa em sete anos, e isso se deve ao fato de estar ‘sofrendo ameaças ao sistema de freios e contrapesos, bem como uma erosão das normas éticas nos mais altos níveis de poder’.
O que esperar do Brasil em 2019?
O ranking de 2018 se refere ao governo do ex-presidente Michel Temer (MDB-SP). Somente em 2020, quando o novo relatório for publicado, é que será possível saber a pontuação do Brasil no primeiro ano de gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ).
A Transparência Internacional vê com otimismo medidas efetivas para combater a corrupção, ao considerar a renovação de parlamentares para o Congresso Nacional, por conta das eleições de 2018. De 81 senadores eleitos, 13 já se comprometeram a criar novas medidas e a formar uma Frente Parlamentar Anticorrupção. Enquanto que dos 513 deputados federais eleitos, 41.
Contudo, as recentes ações do novo governo federal para dificultar o acesso à informação e blindar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) podem influenciar negativamente a próxima classificação. O que contraria o discurso de campanha de acabar com a corrupção. Como é de conhecimento público, o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), um dos filhos do presidente, foi citado em relatórios desse órgão estatal por movimentações bancárias consideradas atípicas. Fabrício Queiroz, ex-motorista do parlamentar fluminense, é investigado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por movimentar R$ 7 milhões em três anos, cujos valores são considerados incompatíveis com suas rendas.
Nos últimos anos, os escândalos do Mensalão e da Lava-Jato, operação que apura a roubalheira na Petrobras, podem ter influenciado o IPC brasileiro. Contudo, após a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), em abril de 2018, acusado de corrupção no caso do tríplex do Guarujá, a sensação é de que o assunto ficou em menos evidência.

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