Sábado, 05 de janeiro de 2019
Cerca de 60 mil habitantes estão sem água encanada há quatro dias
Imagem: Philippe Lima / Governo do Estado do RJ /
Reprodução / Creative Commons
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| Governador anuncia ações para o município |
A Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) poderá ficar responsável pelo abastecimento de água de Guapimirim, na Baixada Fluminense. Foi o que afirmou o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ), neste sábado (5/1), em visita ao município, que estava sem água há quatro dias. A previsão é de que a concessionária assuma o controle das operações já a partir da próxima segunda-feira (7).
“A empresa que presta o serviço de abastecimento de água não está cumprindo o contrato. Ela deveria manter os filtros limpos, deveria investir em melhorias nas condições do abastecimento de água. Hoje o abastecimento é o mesmo, tem a mesma estrutura de 20 anos atrás. A Cedae deverá assumir a operação naquela região. O que está sendo gasto pelo Estado será cobrado da empresa”, contou o mandatário fluminense.
As fortes chuvas na região provocaram deslizamentos de terra no rio Soberbo – principal fonte de abastecimento –, fazendo com que a água ficasse turva e o tratamento não fosse eficaz. Cerca de 60 mil habitantes foram afetados, sem água encanada.
Em nota no site, a Fontes da Serra, a atual prestadora de serviços que é privada, disse que os fortes temporais ocorridos nos dias três primeiros dias deste ano ‘danificaram e comprometeram’ o sistema de captação de água do rio Soberbo.
“Acompanhamos a equipe da Defesa Civil do Município de Guapimirim em uma inspeção ao rio Soberbo e foi constatado que, de forma nunca antes ocorrida no município, os fortes temporais destes três dias formaram cabeças d’água seguidas que causaram quedas de barreiras ao longo de todo o rio Soberbo e forte assoreamento de seu leito. Os danos causados ao sistema de captação pela cabeça d’água formada pelo temporal do dia 02 de janeiro foram corrigidos no dia 03, porém a nova cabeça d’água formada pelo temporal ocorrido neste mesmo dia comprometeu a retomada da captação. Estamos empenhados em resolver os problemas ocorridos mas, por se tratar de uma situação inédita, conforme constatado pela própria Defesa Civil do Município de Guapimirim, não estamos obtendo sucesso em nossas ações”, explicou a concessionária guapimiriense, na última quinta-feira (3).
A previsão do governo fluminense é de que o abastecimento de água esteja regularizado já a partir desse domingo (6).
Os procuradores do Estado e da prefeitura avaliarão nos próximos dias o suposto descumprimento de cláusulas contratuais por parte da Fontes da Serra, que atua há mais de 20 anos em Guapimirim.
Após receber pedido de ajuda por parte do prefeito de Guapimirim, Zelito Tringuelê (PDT-RJ), o governador esteve na cidade e sobrevoou de helicóptero a região afetada.
“Ontem à noite, recebi a ligação do prefeito informando sobre a situação de gravidade do abastecimento de água na cidade, que está com déficit de mais de 70%. O problema começou há quatro dias. A falta de água em um calor como este, principalmente nas comunidades carentes, é algo extremamente preocupante. Mais de 2 mil pessoas não teriam condições de comprar água (...); O Estado, através da Defesa Civil e da Cedae, também tem a obrigação de auxiliar nessa situação. O abastecimento será normalizado amanhã”, completou Witzel.
Para resolver emergencialmente o problema, a Cedae e a Secretaria de Estado de Defesa Civil levaram água em carros-pipa, enquanto que a Rede Salvar – formada pela Legião da Boa Vontade (LBV) e a Agência Andra, da Igreja Adventista – distribuiu mais de oito mil litros de água mineral para a população carente, com pontos de distribuição nas escolas da região. Mais de duas mil não teriam condições de comprar água.
Os carros-pipa começaram a chegar no início da madrugada. Por volta de 1h40 deste sábado (5), o prefeito Zelito Tringuelê fez uma transmissão ao vivo nas redes sociais, mostrando a chegada dos caminhões.
Não é a primeira vez que a população sofre com a falta desse recurso hídrico. Em abril de 2017, a Câmara Municipal chegou a discutir o problema durante sessão ordinária.
Como é de conhecimento público, a Cedae foi dada como garantia de empréstimo feito pelo governo estadual, ainda na gestão do ex-governador Luiz Fernando Pezão (MDB-RJ), em que a União é a fiadora. Caso o governo fluminense não pague a dívida, a concessionária poderá ser privatizada. No último dia 17 de dezembro, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) havia suspendido uma emenda aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), em que esta sustava o aval pela venda da companhia.

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