Quinta-feira, 11 de outubro de 2018
O nome de Ciro Gomes volta a ser cogitado para substituir Fernando Haddad contra Jair Bolsonaro
Imagem: José Cruz / Agência Brasil / Reprodução /
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| Ciro Gomes em recente encontro com empresários do setor industrial no DF |
Mesmo após Ciro Gomes (PDT-CE) ter sido derrotado no primeiro turno das eleições presidenciais de 2018, no último domingo (7/10), ficando em terceiro lugar, ressurgiu a ideia de que Fernando Haddad (PT-SP) deveria renunciar à candidatura ‘em nome da democracia’, para que o pedetista o substituísse na disputa contra Jair Bolsonaro (PSL-RJ) no segundo turno, que ocorrerá no dia 28 deste mês. Desta vez, a sugestão partiu da ex-ministra da Agricultura, Pecuária e Pesca, Kátia Abreu (PDT-TO), candidata a vice na coligação do ex-governador cearense, publicou o ‘Estadão’.
“Eu não estranharia e acharia muito digno se por acaso ele (Fernando Haddad) desistisse da candidatura, vendo que pode entregar o país a um fascismo religioso”, comentou Kátia Abreu.
A colega de chapa de Ciro Gomes mencionou o parágrafo 4 do artigo 77 da Constituição Federal, que estabelece a substituição pelo terceiro colocado nas urnas em caso de desistência, impedimento legal ou morte a algum dos dois primeiros colocados antes do segundo turno.
Nesse caso, o vice na chapa não herdaria nem assumiria a continuidade da campanha. Isso só seria possível se fosse antes do primeiro turno, como aconteceu em 2014, quando Marina Silva (Rede-SP) se tornou a candidata titular após o trágico acidente aéreo com o então candidato oficial Eduardo Campos (PSB-PE).
A ideia para que o petista desistisse da campanha, como tese de que Ciro Gomes seria o único capaz de vencer o ex-capitão do Exército, já tinha sido cogitada por alguns simpatizantes do pedetista antes do primeiro turno, mas, como se pôde ver, não foi adiante.
Breve análise
Tanto Haddad quanto Bolsonaro alegam em suas campanhas que são candidatos a presidente para defender a democracia contra o radicalismo do lado oposto, quando, no fundo, a ambição política é apenas vencer o adversário por simples demonstrações de força e de resistência. A esquerda acredita que com o ex-militar o país poderia, supostamente, sofrer uma nova ditadura nos moldes de 1964, com a perseguição contra homossexuais, negros e outras minorias. Já a direita prega o mantra de que o Partido dos Trabalhadores (PT), supostamente, colocaria em prática o que não conseguiu em 13 anos no Palácio no Planalto: criar um regime como o da Venezuela ou de Cuba. E as consequências disso seriam a eternização no poder, miséria e um agravamento da atual crise econômica.
Qualquer governante que tenha simpatia por ditadura e tortura e é amigo pessoal de ditadores ou os têm como ídolos, não importa a ideologia, já mostra que o despotismo será sua forma de governo.
Não é pela democracia. Nunca foi. Fernando Haddad, Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva nem os demais. Tudo é somente o poder pelo poder. A defesa de um país melhor tangencia o ego. Ninguém entra para a política porque tem uma missão na Terra com Deus ou com o próximo. Somente faraós e reis absolutistas se sentiam representantes de uma deidade e usavam esse discurso para controlar os súditos. Isso é uma falácia. Entra por buscar realizar-se nela pessoal e/ou profissionalmente.
Como é sabido, a intenção do PT era ter Lula como seu candidato, contudo foi impossibilitado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pela Justiça Eleitoral pelo fato de cumprir pena em Curitiba, no Paraná, no processo do tríplex no Guarujá, em São Paulo. O plano B foi Haddad. Mais do que reconquistar o foro privilegiado em caso de eleito, a tentativa de reeleição foi uma medição de forças contra o que a legenda considera ter sido um ‘golpe’: o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT-MG). Além disso, o partido estaria lavando a alma na busca de uma espécie de aceitação e perdão popular ante os escândalos de corrupção nos quais se viu involucrado. Sem a menor intenção de bancar o advogado de defesa ou de acusação, cabe frisar que o partido não inventou a corrupção. Isso precisa ficar bem claro!!! Portanto, se o Partido dos Trabalhadores (PT) estivesse realmente interessado em proteger a democracia, não deveria ter lançado candidato neste pleito e deixado o caminho livre a outros, ter feito alianças, para a garantia da renovação da institucionalidade democrática, e aproveitado o momento para fazer uma autoanálise sobre a recondução de sua trajetória de mais de 30 anos de história.
Definitivamente, nem Haddad nem Bolsonaro são promessas de um Brasil melhor. Este último é apenas o cara que poderá derrotar o PT e a esquerda nas urnas. Ao menos é desse jeito que sua imagem é vendida durante a campanha. OPINÓLOGO tem conversado com eleitores de ambos os lados para tentar entender o porquê de estarem votando em tais candidatos, e ficou nítido que o voto útil é devido ao medo do pior. São preocupantes os discursos pejorativos e/ou depreciativos de Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e seu colega de chapa, general Mourão (PRTB-RS), sobre negros, índios, mulheres e homossexuais. Uma coisa é eles opinarem como meros cidadãos ou políticos, o que não é politicamente correto, mesmo sendo uma ‘brincadeira’, a outra é numa eventual condição de mandatários, tendo em conta que eles deveriam governar para todos os brasileiros, independentemente de raça, credo, cultura, gênero, orientação sexual e ideologia. Eles estariam noutro patamar e suas palavras teriam legitimidade e ganhariam força contra grupos minoritários. Ignorar isso é ser conivente.
Antes do primeiro turno, este jornalista que lhe escreve se perguntou por que Fernando Haddad (PT-SP) não retirava a candidatura, algo que talvez nunca tenha sido cogitado por seu partido. Se isso fosse viável, deveria ter acontecido antes do primeiro turno, não agora. A renúncia do petista poderia ser vista como uma ‘fraquejada’, acabaria beneficiando o rival e sinalizaria uma rendição e o reconhecimento antecipado de derrota. Desistir depois do primeiro turno seria um desrespeito ao eleitorado, que fez sua escolha, e uma atitude antidemocrática. Se os eleitores quisessem Ciro Gomes (PDT-CE), certamente, o teriam colocado no páreo. É como pedir que alguém cedesse uma vaga de emprego para outro candidato entrar no lugar. Algumas questões devem ser colocadas em pratos limpos sobre o fato de o PT continuar na disputa: que o brasileiro não se esqueceu dos escândalos de corrupção, tampouco o perdoou. Talvez esteja ignorando o passado pelo que acredita ser uma questão de sobrevivência.
O candidato cearense tentou emplacar sua campanha como uma promessa de renovação e a alternativa mais forte para enfrentar o ex-capitão nas urnas. Contudo, não convenceu nem venceu. Nem mesmo o mirabolante plano de tirar os consumidores endividados da lista de mau pagadores e a afirmação de que o Ceará teria excelentes índices de alfabetização do país foram suficientes. Na verdade, o estado nordestino seria o terceiro em número absoluto de analfabetos em âmbito nacional, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), divulgou o jornal local ‘O Povo’.
Tanto o PT – alvo do impeachment – quanto as legendas que o orquestraram e/ou apoiaram mais perderam do que ganharam, ademais o fato de que algumas delas sejam citadas ou investigadas por suposto desvio de verba pública. Prova disso é a perda de cadeiras para o Congresso nestas eleições. Na Câmara dos Deputados, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) que, atualmente, conta com 51 vagas terá 34 a partir do próximo período legislativo. De segunda maior bancada passará para a quarta. Já o Partido da Social Democracia (PSDB) ficará com 20 cadeiras a menos. De 49 só terá 29 a partir de 2019, deixando de ser a quarta maior bancada para se tornar a nona.
O rechaço aos tucanos fica mais evidente com o fracasso de Geraldo Alckmin (PSDB-SP) para esta eleição presidencial. Ele ficou em quarto lugar, ao lograr somente 4,76% dos votos válidos. Ele perdeu em todos os estados, inclusive em São Paulo, seu reduto eleitoral. Não se trata de uma questão de que o candidato mais indicado poderia ou deveria ter sido o ex-prefeito de São Paulo (PSDB-SP) João Dória – que sem terminar o mandato disputa o governo estadual –, e sim a descoberta de supostos casos de corrupção na gestão alckmista enquanto governador, por exemplo, e no desgaste gerado pelo fato de o senador Aécio Neves (PSDB-MG) ter sido denunciado por, supostamente, pedir propina a executivos do frigorífico JBS em troca de tentar atrapalhar investigações contra eles. Uma eventual derrota de Dória no segundo turno, contra o atual governador Mário França (PSB-SP), reforçaria o descontentamento do eleitorado com a legenda.
Para quem alcançou em duas ocasiões – em 2010 e 2014 – cerca de 20% dos votos válidos, Marina Silva (Rede-SP) sofreu a humilhação de perder até para Cabo Daciolo (Patriota-RJ), que se candidatou pela primeira vez para presidente e que se destacou por mostrar-se aparentemente lunático e fanático religioso. O placar ficou 1% dos votos válidos contra 1,26%, respectivamente. O apoio a Aécio Neves (PSDB-SP) no segundo turno da eleição passada e falta de firmeza na defesa de suas posições podem ser alguns dos motivos pelos quais a campanha dela já estava desgastada desde o início. Em 2014, a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, que costuma ser vista de quatro em quatro anos, chegou a retroceder em compromissos assumidos com a população LGBT ante suposta pressão evangélica.

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