Quarta-feira, 03 de maio de 2017
Ao menos oito ônibus foram incendiados por criminosos em represália à operação da polícia na Cidade Alta, no RJ
Imagem: Fetranspor / Reprodução
O terrorismo presenciado por cidadãos fluminenses a caminho do trabalho, na manhã dessa terça-feira (2/5), reforça que o Brasil vive uma espécie de guerra civil não declarada há bastante tempo. Pelo menos oito ônibus (foto e vídeo) e dois caminhões foram incendiados por criminosos na Rodovia Washington Luiz (BR-040), via que liga o Rio de Janeiro a Petrópolis, na Região Serrana. A série de barbáries teria sido uma represália contra a ação da Polícia Militar, que realizou uma megaoperação na comunidade Cidade Alta, em Cordovil, Zona Norte do Rio, por conta dos confrontos entre traficantes de facções rivais. Pelo menos 45 pessoas foram detidas, 32 fuzis, quatro pistolas e 11 granadas foram apreendidos. Dois criminosos ficaram feridos e foram levados para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, enquanto que três policiais militares, feridos sem gravidade, foram conduzidos ao Hospital Central da Polícia Militar (HCPM), no Estácio.
Os bandidos também fizeram arrastões e assaltaram passageiros nos ônibus. Uma das vítimas de assalto relatou a OPINÓLOGO que marginais agrediram fisicamente passageiros, com tapas no rosto, por exemplo.
Alguns passageiros que desceram de veículos em chamas tiveram o azar de serem assaltados em carros seguintes.
Vídeo cedido a OPINÓLOGO
Imagens registradas na altura do município de Duque de Caxias
Os caminhões queimados foram alvos de saques de vândalos, infelizmente, uma prática comum por parte de muitos brasileiros.
Devido ao caos que se instaurou, empresas de ônibus decidiram tirar seus veículos de circulação, como a Reginas e a Fagundes, por exemplo. Por volta das 19h não havia mais ônibus do município de Guapimirim para o Centro do Rio, apenas no sentido inverso. A segunda empresa também não disponibilizou ônibus de Alcântara, no município de São Gonçalo, para Madureira, no Rio. As linhas em direção ao Centro do Rio funcionaram normalmente, por não passarem por perto da região de conflito.
Devido ao caos que se instaurou, empresas de ônibus decidiram tirar seus veículos de circulação, como a Reginas e a Fagundes, por exemplo. Por volta das 19h não havia mais ônibus do município de Guapimirim para o Centro do Rio, apenas no sentido inverso. A segunda empresa também não disponibilizou ônibus de Alcântara, no município de São Gonçalo, para Madureira, no Rio. As linhas em direção ao Centro do Rio funcionaram normalmente, por não passarem por perto da região de conflito.
Em nota, a Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) lamentou os atos de vandalismo e informou que o número de ônibus incendiados apenas nos primeiros meses de 2017 – 50 até agora – já superaram os 43 no ano passado. Na semana passada, por exemplo, outros três veículos foram incendiados durante a terceira edição da “greve geral” contra as reformas trabalhista e previdenciária propostas pelo governo. O custo para repor a frota danificada em 2017 pode chegar a R$ 22 milhões.
Entende-se por guerra civil a disputa por domínio entre grupos e/ou facções de um mesmo país, ainda que haja intervenção das forças de segurança pública, mesmo que não seja uma luta pró-independência. Os confrontos diários em favelas do Rio, de São Paulo e de outras partes do país ressaltam que o poder público, apesar de combater a criminalidade, ignora o real contexto para o qual o Brasil caminha ou já chegou. Aqui o terrorismo cotidiano já foi banalizado. Embora aparentem ser casos isolados, os conflitos entre fazendeiros e movimentos de pessoas sem teto e de fazendeiros e indígenas, como o que ocorreu na última segunda-feira (1) em que dois índios, supostamente, tiveram as mãos decepadas, enfatizam essa teoria.
Mais do que uma guerra civil não declarada, o Brasil vive em constante estado de guerra. À diferença do que diz o filósofo John Locke, aqui o cidadão, mesmo renunciando a uma liberdade absoluta para não fazer justiça com as próprias mãos e viver em sociedade, não consegue contar com a proteção eficiente do Estado para defende-lo, porque esse Estado se comporta de maneira omissa ou morosa.

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