Sexta-feira, 21 de abril de 2017
Imagem: Antônio Cruz / Agência Brasil /
Reprodução / Creative Commons
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| Em 2014, Sílvio Santos participou de um interrogatório na Justiça Federal, para falar sobre o rombo no banco |
Apelidado de “Homem do Baú”, dono da segunda ou terceira maior emissora de TV aberta do país – o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) – e apresentador, Senor Abravanel, popularmente conhecido como Sílvio Santos, de 86 anos, é uma das personalidades públicas mais admiradas e respeitadas da atualidade. Seu sucesso por mais de três décadas se deve à imagem de bom comunicador, aos programas que apresenta e que podem ser assistidos por diversos tipos de público, à fama de bom patrão e de descobridor de talentos, à imagem de honestidade inquestionável, ao ambulante que venceu na vida e se tornou empresário, por ter um canal aparentemente independente e, principalmente, ao fato de se manter distante da política. Ao menos é o que se pensava sobre esse último aspecto.
Nem mesmo a crise gerada pelo rombo no banco Panamericano, entre 2009 e 2011, à época de sua propriedade, foi capaz de mudar o bom conceito que a opinião pública já tinha por ele. A imagem que passou foi a de um empresário enganado por seus funcionários e parentes.
O mito do homem acima de qualquer suspeita pode estar com os dias contados, devido a suas relações políticas, embora não seja um político. Como se sabe, o Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF) e a Polícia Federal (PF) deflagraram a operação Conclave, na última quarta-feira (19/4). O objetivo é apurar a venda do banco Panamericano para a Caixa Participações (CaixaPar) – braço da Caixa Econômica Federal (CEF) – por R$ 739,2 milhões. Poucos meses após a aquisição, foi descoberto um rombo na instituição bancária, o que fez com que o Grupo Sílvio Santos – holding de Senor Abravanel – depositasse R$ 3,8 bilhões para cobrir essa diferença, por meio do Fundo Garantidor de Crédito. A venda foi considerada rápida demais pelos investigadores, uma vez que teve a aprovação do Banco Central em apenas quatro meses de consulta, apesar de a análise ter sido concluída em 11 meses.
Em 2014, o apresentador (foto) esteve na Justiça Federal para falar sobre o rombo ao banco Panamericano.
Em 2014, o apresentador (foto) esteve na Justiça Federal para falar sobre o rombo ao banco Panamericano.
As investigações apontaram para uma suposta reunião, em setembro de 2010, entre o então banqueiro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP). O tal encontro não consta na agenda do Palácio do Planalto e, supostamente, buscava uma forma de salvar o banco. Mas, a troco de que um chefe de Estado se preocuparia diretamente com essa questão em vez de seus ministérios ou órgãos competentes??? Ainda está cedo para fazer qualquer tipo de conclusão, mas, vale enfatizar que Sílvio Santos é dono de um canal de TV. O socorro financeiro poderia ser uma forma de comprar o silêncio da emissora em temas contrários ao governo. Nos últimos tempos, o SBT silenciou Rachel Sheherazade, uma apresentadora crítica ao petismo, depois da polêmica envolvendo um menor amarrado a um poste, e durante manifestações contra o governo e o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT-RS) não deu destaque como emissoras concorrentes, por exemplo. Quando a Câmara dos Deputados votou a favor da admissibilidade do juízo político contra a petista, em abril do ano passado, enquanto Globo, Record e outras emissoras cobriam o evento, o SBT exibia o programa de Eliana. Literalmente, deu as costas para um assunto de interesse nacional.
Ontem (20/4), por exemplo, o presidente Michel Temer (PMDB-SP) esteve com Sílvio Santos em São Paulo. O suposto motivo do encontro seria pedir o apoio da emissora para fazer campanha pela reforma da Previdência. Hoje (21) começaram a ser veiculadas propagandas a favor da proposta sob a voz do locutor oficial do SBT. Note-se que não é apenas a compra de espaço publicitário, e sim fazer uso do conceito que a televisora tem perante seus telespectadores. É transformar a emissora em porta-voz, em assessoria de imprensa do governo, algo que se tem visto o tempo todo em certos meios de comunicação e que é deplorável.
As reformas idealizadas por Temer são alvos de críticas de movimentos sociais, sindicatos – que organizam uma terceira “greve geral” para o próximo dia 28 de abril –, do Ministério Público do Trabalho (MPT), das Nações Unidas, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), inclusive do papa Francisco.
O homem público que deixou a política tão rápido quanto entrou, na década de 1990, agora poderá ter sua imagem de mito da TV abalada por supostas conivências e conveniências políticas. Nas redes sociais, tanto na página do apresentador quanto nas de portais de notícias, os internautas estão criticando essa parceria com o peemedebista.

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