Quarta-feira, 08 de março de 2017
Espionagem cibernética
Imagem: Wikileaks / Twitter / Reprodução
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Um dos recentes escândalos foi a exoneração de um de seus subordinados num suposto envolvimento com o governo russo, cuja suspeita recai sobre uma possível espionagem contra a campanha da candidata adversária Hillary Clinton que acarretou no vazamento de e-mails que a teriam prejudicado nas urnas.
De acordo com o Wikileaks, a CIA criava vírus, “malwares” e cavalos de troias para infectar computadores Windows e Linux, além de tablets e smartphones de sistemas operacionais como iOS, Android e Windows Phone, por exemplo, aproveitando-se de vulnerabilidades em aplicativos e a não atualização dos mesmos por parte dos alvos. As atualizações dos fabricantes servem para corrigir eventuais brechas na segurança.
Apesar do Android, do Google, estar em 85% dos smartphones no mundo, havia um interesse especial da agência no iOS, presente em 14,5%, já que o iPhone costuma ser utilizado por políticos e diplomatas, por exemplo.
Até mesmo as smart TVs Samsung apresentavam suposta fragilidade. Num sistema desenvolvido pelo MI5, o serviço secreto britânico, era possível captar conversas. Os alvos poderiam pensar que os aparelhos estivessem desligados, quando, na verdade, poderiam estar transmitindo áudios por meio da conexão com a internet.
Em 2014, a CIA teria demonstrado interesse em infectar carros e caminhões modernos e com sistema de navegação automática. Apesar de tal finalidade não ter sido explicada, poderia permitir assassinatos “indetectáveis” como se fossem meros acidentes, alertou o Wikileaks.
Desde 2001 que a CIA ganhou maior atenção por parte do governo e, consequentemente, maior orçamento em relação à Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês).
Os documentos chegaram ao Wikileaks através de um suposto funcionário do governo estadunidense que não teve a identidade revelada, depois que a CIA perdeu o controle de seu arsenal cibernético que incluía centenas de milhões de códigos, os quais teriam sido compartilhados entre antigos hackers. Os detentores desses códigos passam a ter a mesma capacidade operacional que a agência, o que poderia comprometer a segurança e a privacidade a nível mundial se cair em mãos erradas.
Para o portal ativista, a espionagem digital evita conflitos militares diretos com outros países, por não haver uma ação física e/ou de invasão territorial. Os novos vazamentos de dados ocorrem após a recente difusão de que os Estados Unidos, supostamente, promoveram ataques cibernéticos contra a Coreia do Norte, para sabotar o programa de lançamento de mísseis nucleares.
A operação “Vault 7” sinaliza que esse “cofre” de segredos da diplomacia norte-americana dificilmente será fechado depois dessa, ou que apesar dos vazamentos passados, não se aprendeu absolutamente nada sobre como evita-los outra vez.
Alemanha: a porta de entrada da “ciberespionagem” americana para a Europa
Ao que parece, o Consulado dos Estados Unidos em Frankfurt, na Alemanha, seria uma base da CIA, segundo o Wikileaks. Após receberem passaportes diplomáticos do Departamento de Estado e passarem pela triagem das autoridades alemãs, os hackers da agência conseguiam adentrar sem visto nos demais países europeus.
No último dia 16 de março, o Wikileaks divulgou que a CIA, supostamente, espionou os maiores partidos franceses durante os sete meses que antecederam as eleições presidenciais de 2012. A prática teria perdurado por mais alguns meses até a formação do novo governo. Entre os alvos estavam o Partido Socialista, a Frente Nacional e a União para um Movimento Popular, e seus candidatos. O objetivo era saber sobre como lidariam com a crise da zona do euro, o que pensavam a respeito do possível calote grego e da liderança da Alemanha e da França para remediar a situação, por exemplo.
A espionagem como política de Estado
A fragilidade dos Estados Unidos em questões de segurança ficou evidente durante o governo de Barack Obama, depois que o Wikileaks publicou que o Departamento de Estado espionou por décadas governos e políticos. A liderança do Brasil, na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), sobre a América Latina era motivo de indagações e de preocupações entre os vizinhos do subcontinente. Até a sanidade mental da ex-presidente argentina Cristina Kirchner foi objeto de interesse, por exemplo. A crise criada pela gama de revelações provocou a exoneração de Hillary Clinton como secretária do Departamento de Estado.
A incapacidade de se proteger novamente ocorreu, quando o ex-espião da NSA Edward Snowden revelou que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT-RS) e a Petrobras, entre outros chefes de governo mundo afora, tiveram seus telefones grampeados. As atividades dessa agência seriam em conluio com os serviços secretos britânico, australiano e neozelandês, segundo o ex-agente.
Os vazamentos ocorridos poderiam ser considerados “traições” de seus agentes por parte do governo, como também o descontentamento deles com o modus operandi que, em vez de dar um passo à frente, compromete a diplomacia.
As supostas espionagens estadunidenses colocam por terra de que sua função é meramente o combate ao terrorismo, e que os reais interesses são econômicos e políticos. Mais do que isso: mostram que não se tratam de uma política de governo, mas de Estado. Mesmo que mude de presidente, as agências continuarão atuando de maneira independente.
O ativista Julian Assange, de 45 anos, está asilado na Embaixada do Equador no Reino Unido desde 2012. Não consegue deixar o local, pois pode ser preso e deportado para a Suécia, para responder por um suposto crime de estupro, o qual ele nega e diz que poderia ser deportado pelo governo nórdico para os Estados Unidos. Seu futuro é incerto e dependerá do resultado da eleição presidencial na nação sul-americana, cujo segundo turno está previsto para o próximo dia 2 de abril. Ele conta com a proteção do presidente Rafael Correa, que não pôde se candidatar de novo.

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