Quarta-feira, 15 de março de 2017
Protestos contra as reformas da previdência e trabalhista acontecem em várias regiões do país
Nem mesmo as Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que tramitam no Congresso e que tratam das reformas trabalhista e previdenciária são capazes de unir o Brasil em prol de uma greve geral. Os protestos que ocorrem em várias regiões do país, nesta quarta-feira (15/3), convocados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outras centrais sindicais, reúnem majoritariamente sindicalistas, movimentos sociais, profissionais da educação e bancários.
Em São Paulo, por exemplo, ônibus e metrô começam a normalizar aos poucos. A Justiça proibiu a paralisação de 24 horas dos rodoviários e dos metroviários e estabeleceu multa de R$ 5 milhões por hora em caso de descumprimento.
Na cidade do Rio de Janeiro, motoristas e cobradores de ônibus aprovaram ontem (14), em assembleia, paralisar as funções por um dia também. A circulação dos veículos está normal. Além disso, a paralisação da categoria seria ilegal, porque o empregador precisa ser avisado com, no mínimo, 72 horas de antecedência, considerando que transporte público é um serviço essencial. É o que estabelece a Lei de Greve. Houve congestionamentos em algumas das principais vias como a Avenida Brasil, por exemplo. Sem ônibus, seria complicado chegar aos locais de concentração.
Pelo fato de as manifestações acontecerem no meio da semana e serem lideradas por setores de esquerda, os eventos não conseguem o apoio de toda a população, especialmente por quem é de direita, e são vistos com preconceito e/ou desdém. Certos setores da sociedade são incapazes de compreender que as duas reformas, do jeito que foram formuladas pelo presidente Michel Temer (PMDB-SP) – que se aposentou aos 55 anos e recebe mais de R$ 30 mil líquidos mensais – implicam diretamente no tempo de aposentadoria e na seguridade social do trabalhador, independente de sua ideologia ou falta dela.
Os protestos protagonizados nos últimos tempos por centrais sindicais não são originais, tampouco autênticos. Perderam seu caráter social para se tornar político, uma vez que essas entidades possuem uma espécie de simbiose com partidos políticos de esquerda que travestem suas agendas, por meio de sindicatos, como se fossem às da maioria da população. Não significa que as pautas não sejam legítimas, mas usar sindicatos para fazer frente ao governo é, na verdade, um embate indireto de partidos que sabem da pouca força que têm sozinhos. Os atos não pertencem ao povo, mas a políticos. Têm donos, não líderes.
Nos últimos 13 anos, as principais centrais sindicais do país serviram de porta-vozes do petismo, o que compromete mais ainda sua identidade e as causas que alegam defender.
Os protestos também protagonizados por movimentos de direita não são muito diferentes em sua essência em relação aos de esquerda. Apresentam-se apartidários, mas pecam pelo partidarismo em suas reivindicações e também buscam tirar proveito disso ao eleger suas lideranças.
No Brasil, por exemplo, sindicatos são malvistos como sugadores de dinheiro alheio e parasitas sociais a serviço do jogo político, em vez dos reais interesses trabalhistas. A má fama que os precede – e eles não fazem nada para reverter essa imagem negativa – tem como consequências a descrença, desconfiança, a passividade do cidadão brasileiro, a falta de consciência política e a indiferença.
Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil /
Reprodução / Creative Commons
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| Durante ocupação do prédio do Ministério da Fazenda, em Brasília, nesta quarta-feira (15/3), manifestantes reivindicam a reforma agrária |
Nenhum cidadão que foi a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT-RS) iria num manifesto contra as reformas da Previdência e trabalhista que se transformará em palanque político. Poderia ser erroneamente interpretado como um apoio à legenda supracitada. O que está sendo dito aqui é que as reivindicações deveriam ser uniformes. Se os protestos são contra as reformas trabalhista e previdenciária, então que sejam somente contra elas; se são para se opor ao governo Temer, então que sejam apenas sobre.
Não é novidade para ninguém que o Partido dos Trabalhadores (PT) está involucrado nos dois maiores escândalos de corrupção recentes: o Mensalão e a Lava-Jato. A Petrobras ainda se recupera dos rombos bilionários provocados por três quadrilhas distintas que atuavam como se fossem partidos junto a empreiteiras.
Poucos conseguiram o feito de unir “gregos” e “troianos” como os argentinos, em 2015, ao emplacar uma greve geral que afetou ônibus, trens, metrôs, aeroportos, escolas, bancos, entre outros inúmeros estabelecimentos. Embora sindicatos sejam sindicatos em qualquer parte do mundo e defendam bandeiras partidárias, os vizinhos sul-americanos souberam temporariamente superar as diferenças políticas e ideológicas em torno de um objetivo comum.
A onda de protestos que tomou conta do Brasil entre 2013 e 2014, as Diretas Já e as manifestações pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1992, foram dos poucos momentos que uniram o país numa só voz.

Não tem como separar a politica do povo, movimentos populares são compostos de tudo que contribua para o povo! Nenhuma sigla deve governar sem o povo ! É um grande erro separar assim política de povo !
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