Da Síndrome de Estocolmo ao manifesto da incoerência

Sábado, 14 de março de 2015

Ato em apoio a Dilma Rousseff, organizado pela CUT, aconteceu em vários estados

Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil / Reprodução /
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Em São Paulo
Pelo menos 12 mil pessoas participaram de uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo (foto 1), nessa sexta-feira (13/3), segundo a Polícia Militar. O ato foi organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), que afirmou haver 100 mil, e contou com o apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da União Nacional dos Estudantes (UNE), entre outras centrais sindicais. O evento, tido como um fiasco, foi marcado por incoerência: a favor da reforma política, 'em defesa da Petrobras', contra o ajuste fiscal proposto pelo governo, contra as recentes mudanças em benefícios trabalhistas, mas em apoio à presidente Dilma Rousseff.

Tem-se a certeza de que tais manifestantes realmente padecem de uma espécie de Síndrome de Estocolmo, quando defendem valores e coisas contrapostas:


Imagem: Fernando Frazão / Agência Brasil / Reprodução /
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Sede da Petrobras, no Centro do Rio
1) Ser contra as alterações no recebimento de benefícios trabalhistas, mas a favor da mandatária, quem sancionou duas medidas provisórias, prejudicando o trabalhador brasileiro.

2) Ser contra o 'golpismo' na Petrobras, mas a favor de Dilma Rousseff, quem autorizou a compra bilionária de duas petrolíferas em Pasadena, nos Estados Unidos, quando era presidente do Conselho de Administração da estatal durante o governo Lula.

3) Ser contra o 'golpismo' na Petrobras, mas a favor da líder sul-americana, que, de acordo com o doleiro Alberto Youssef, supostamente, sabia das falcatruas na empresa.

4) Ser contra o 'golpismo' na Petrobras, mas em defesa do Partido dos Trabalhadores (PT), acusado de ter, supostamente, embolsado nada mais nada menos do que US$ 200 milhões.

5) Ser contra o 'golpismo' na Petrobras, mas a favor dos supostos golpistas.

6) Ser contra o 'golpismo' na Petrobras e na política, mas distorcer o conceito do mesmo.

7) Ser a favor da democracia, mas contra protestos contrários a Dilma Rousseff.

Imagem: Fernando Frazão / Agência Brasil / Reprodução /
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No meio, o líder do MST, junto à deputada
Jandira Feghali, no Rio
A Síndrome de Estocolmo é aquela doença na qual a vítima se apaixona por seu opressor, após certo tempo de convivência. Talvez isso explique a relação desconcertante entre governo e os movimentos sociais, seus fieis colaboradores.

O 'golpismo' no qual se referem os militantes e os manifestantes é o da direita. Eles acusam a oposição de querer privatizar a estatal petroleira devido à ampla repercussão que o caso está tendo, especialmente pela operação Lava-Jato, uma investigação da Polícia Federal. É nítida a tentativa de vincular a salvação do PT à salvação da Petrobras, como se ambos fossem um só. As denúncias envolvendo ao menos três partidos – Progressista (PP), o do Movimento Democrático Nacional (PMDB) e o PT – reafirmam que a companhia foi partidarizada.

No Rio (fotos 2 e 3), por exemplo, pelo menos mil pessoas, segundo a PM – cinco mil segundo a CUT –, caminharam da Cinelândia, no Centro, até a sede da Petrobras, a alguns quarteirões. Entre os presentes estavam o líder do MST, João Pedro Stédile, e a deputada federal Jandira Feghali (PcdoB-RJ).

Já na Bahia, estiveram presentes o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, entre 2005 a 2012, e os deputados estadual Jorge Solla (PT-BA) e federais Daniel Almeida (PCdoB-BA) e Alice Portugal (PCdoB-BA). De acordo com a PM, haviam entre 600 a 800 manifestantes na porta da estatal, enquanto que para os organizadores, três mil.

Caso curioso é o do Acre com apenas um manifestante num carro de som, panfletando, segundo o portal 'G1'.

No Distrito Federal (foto 4), 600 pessoas, segundo a PM, foram às ruas (vídeo) 'em defesa da Petrobras' e gritavam: “Não vai ter golpe!”. Para a CUT, cinco mil.

Vídeo: R Duvale / YouTube / Reprodução


Reportagem do 'Valor Econômico' afirma que vários manifestantes teriam, supostamente, recebido R$ 35 para participar do ato pró-Dilma e/ou para segurar balões.

Imagem: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil /
Reprodução / Creative Commons
Em Brasília (DF)
OPINÓLOGO não vai citar todos os locais, porque ficaria naquela de 'o gato ou o Quico' (segundo a PM ou a CUT). Sabe-se que os atos ocorreram em dezenas de cidades brasileiras e seriam medidas de força contra os protestos de amanhã (15) em várias regiões do país, pedindo o impeachment de Dilma Rousseff.

Por falar em impeachment, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) protocolou na Câmara, na última quinta-feira (12), um requerimento de impeachment contra a chefe de Estado, denunciando-a por supostos crimes de improbidade administrativa no caso da estatal.

“Os fatos que levaram a cassação do ex-Presidente Fernando Collor [em 1992] são bem menos graves e inconsistentes que os imputados à Sra. Dilma Rousseff”, destacou Bolsonaro.

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O cardápio servido a Dilma Rousseff

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