Segunda-feira, 02 de março de 2015
Kirchneristas promovem manifestação pela presidente, em resposta à marcha que homenageou promotor morto
Imagem: Casa Rosada / Reprodução / Creative Commons
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| A presidente cumprimentando simpatizantes políticos a caminho para o Congresso |
A presença obrigatória da mandatária, que nada mais é do que um ato funcional, foi transformada em manifestação populista por milhares de kirchneristas. Foi uma resposta à marcha realizada, no último dia 18 de fevereiro, por promotores e procuradores de justiça, para lembrar um mês da morte do fiscal. O governo a viu como uma provocação, tendo em vista que Cristina Kirchner tinha sido acusada por Nisman de, supostamente, tentar encobrir autoridades iranianas no atentando terrorista à Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em 1994, que deixou 85 mortos e 300 feridos, em troca de acordos comerciais. Pode-se dizer que a viva tenta competir em popularidade com o morto.
A presidente Kirchner disse que a marcha dos fiscais era atitude de um “partido judicial”. Em seus esbravejo no Congresso, acusou a categoria de ter rompido com a Constituição, com as leis e com o sistema normativo. Falou que o caso do promotor morto deveria se chamar Nisman versus Nisman, por ele não ter apresentado nenhuma prova que a vincularia a tal acusação, a qual classificou como 'vexatória' e 'vergonhosa'. Ainda mais, porque ele pretendia denunciá-la no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Asseverou que a acusação não era contra a sua pessoa, mas contra a presidente da República e os argentinos. A mandatária sul-americana sustentou que o ataque não foi contra os judeus ou Israel, mas contra o povo de seu país. Criticou o governo israelense por reclamar somente do atentado à comunidade judaica, em 1994, e não ter feito o mesmo em relação à sua embaixada, em Buenos Aires, em 1992, quando morreram 29 pessoas e mais de 240 resultaram feridas.
Se antes o governo parecia acuado diante da repercussão negativa em torno da morte de Nisman, saiu-se mais forte após o discurso no Congresso. Note-se que, em nenhum momento, a líder argentina declarou que a autarquia estava oficialmente aberta nem desejou, por exemplo, um bom trabalho aos membros da Casa.
Aliados e militantes pró-governo tentaram, em determinadas ocasiões, desclassificar a caminhada em memória ao fiscal Alberto Nisman. A estratégia era transformar um protesto jurídico em político. Uma espécie de protesto contra o direito de livre manifestação.
Na semana passada, o juiz Daniel Rafecas rejeitou a denúncia protocolada pelo promotor Gerardo Pollicita, no último dia 13 de fevereiro, com base no documento de 289 páginas deixado por seu colega falecido. O material era a acusação formal de Nisman contra Cristina Kirchner, seu chanceler Héctor Timerman, entre outros integrantes do governo e da inteligência.
Nisman foi encontrado morto no banheiro com uma bala na cabeça à véspera de sua visita ao Congresso, quando então apresentaria supostas provas (áudios de conversas telefônicas) que incriminariam o governo.
Nos primeiros dias após o misterioso falecimento, a fala oficialista era de que o promotor teria se suicidado. No entanto, não colou e a governante o mudou, ao dizer que acreditava que ele teria sido, supostamente, usado por alguém – sem nominar – para desestabilizar seu governo.
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