Eleições 2026: Justiça Eleitoral altera 268 locais de votação no RJ

Segunda-feira, 17 de agosto de 2026

A medida impacta mais de 600 mil eleitores em pelo menos 20 municípios fluminenses e supera de forma expressiva as mudanças feitas no pleito de 2024

Imagem: TRE-MS - Divulgação
Imagem ilustrativa de uma urna eletrônica

Redistribuição do eleitorado em duas etapas


O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) informou ter alterado um total de 268 locais de votação para as eleições gerais de 2026. A medida foi anunciada no último sábado (15/8) e impacta aproximadamente 610 mil eleitores. As alterações ocorrem por diversos motivos: problemas de segurança pública em regiões dominadas por narcotraficantes e milicianos, fechamento de estabelecimento e adequações de acessibilidade.

Embora não haja informações sobre quais localidades foram afetadas, Opinólogo apurou que uma delas é o Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, região controlada por duas facções criminosas. Os eleitores foram transferidos para estabelecimentos de ensino, igrejas e clubes no bairro vizinho de Bonsucesso.

No último dia 4 de agosto, o tribunal já havia anunciado a primeira etapa de reorganização de 66 locais de votação por ‘motivos de segurança’. A medida atingiu inicialmente cerca de 188 mil eleitores de 20 municípios fluminenses.

As cidades afetadas na primeira fase são: Araruama, Bom Jesus do Itabapoana, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes, Itaboraí, Itaguaí, Itaperuna, Japeri, Macaé, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Pinheiral, Resende, Rio Bonito, Rio das Ostras, Rio de Janeiro, São Gonçalo, São João de Meriti e Volta Redonda.

“A mudança desses locais de votação é um compromisso com a higidez do processo eleitoral. Com essas trocas, buscamos garantir que o eleitorado possa ir às urnas tranquilo e escolher os candidatos que desejar, livre de pressões de qualquer tipo. Esse é um momento de exercer livremente o direito ao voto. O TRE-RJ atua para que essas escolhas possam ser confirmadas da maneira mais serena possível”, destacou o presidente do TRE-RJ, desembargador Cláudio de Mello Tavares.

Para checar se houve alteração no local de votação, acesse o site do TSE (clique aqui). No menu Consultas, selecione “Onde votar”. Informe o CPF ou número do título eleitoral, o nome da mãe e a data de nascimento.

Também é possível verificar o local de votação por meio do Disque TRE-RJ, no telefone (21) 3436-9000. Nessa opção, o atendimento está disponível de segunda a sexta-feira, em dias úteis, das 11h às 19h.

A falência do Estado nas periferias



Com a migração dos locais de votação para fora dos redutos do crime organizado, a polícia poderá atuar com mais firmeza para coibir e combater crimes de boca de urna no dia da eleição, bem como o aliciamento de cidadãos.

Para além do fato de os eleitores precisarem pegar ônibus e enfrentar seções mais lotadas e passar mais tempo de espera na fila para votar, as constantes reorganizações feitas pelo TRE-RJ, nos últimos anos, apontam para problemas na segurança pública que não podem ser considerados pontuais. O Estado falha de maneira crônica em garantir a segurança do pleito em favelas e periferias, culminando na supressão do Estado democrático de direito e na dificuldade do exercício da cidadania por parte desses moradores.

As modificações para o pleito de 2026 superam expressivamente as realizadas para as eleições municipais de 2024. Na vez passada, foram 53 locais de votação em 10 cidades e alcançaram 171.341 pessoas.

As referidas alterações estão amparadas numa análise do Grupo de Trabalho Unificado de Defesa da Integridade Eleitoral. O comitê é composto pelo sistema de Justiça Eleitoral e setores de inteligência das forças de segurança para mapear áreas consideradas de alto risco.

“(...) Outra atribuição do Grupo de Trabalho é criar um ambiente de integração que permita às forças de segurança abastecer a Procuradoria Regional Eleitoral com informações de inteligência sobre os candidatos que terão seus pedidos de registro de candidatura apresentados ao TRE-RJ. O material produzido poderá embasar eventuais ações de impugnação de registro de candidatura pelo Ministério Público Federal, evitando eventuais tentativas de infiltração de organizações criminosas na política”, informou a corte eleitoral fluminense.

A intensificação dos trabalhos para preservar a integridade do sufrágio tem como alvos candidatos investigados ou condenados por delitos como organização criminosa, associação criminosa e corrupção, além de atos de improbidade administrativa, contas públicas rejeitadas e abuso de poder político e econômico.

De olho nisso, o Ministério Público Eleitoral (MPE) ingressou no TRE-RJ, recentemente, com ações para impugnar ao menos 10 candidatos a deputados estaduais e federais, entre eles:

* André Ceciliano (PT-RJ): ex-prefeito de Paracambi, na Baixada Fluminense.

* Zito (PDT-RJ): ex-prefeito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

* Júnior da Lucinha (PSD-RJ): filho da deputada estadual Lucinha (PSD-RJ).

* João Felipe Drumond (PRD-RJ): neto do bicheiro Luizinho Drumond; o avô ex-presidente de honra da escola de samba Imperatriz Leopoldinense.

* Val Ceasa (PRD-RJ): deputado estadual.

A atuação do citado grupo de trabalho vai na mesma linha do presidente do TRE-RJ, desembargador Cláudio de Mello Tavares. No último dia 10 de julho, durante encontro com representantes dos partidos, ele instou que todos atuassem em defesa da lisura do processo eleitoral e disse que a corte pretende atuar com ‘rigidez na fiscalização da propaganda irregular e no registro das candidaturas, e destacou a responsabilidade das legendas no combate à infiltração do crime organizado na política’.

O sufrágio de 2026 poderá contar com a presença da Força Federal. No mês passado, o Colegiado do TRE-RJ aprovou por unanimidade o pedido para que esses agentes atuem em território fluminense. O documento ainda depende de aprovação pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que então fará as tratativas com o Ministério da Defesa.

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