Colômbia: ônibus com 420 kg de explosivos é interceptado

Quarta-feira, 05 de agosto de 2026

Os artefatos estavam a caminho de Cali, onde ocorrerá a posse do presidente eleito Abelardo de la Espriella

Imagem: Policía Nacional de Colombia - Redes Sociais
Artefatos apreendidos pela Polícia Nacional colombiana

Plano terrorista


A Polícia Nacional da Colômbia interceptou um ônibus com 420 kg de explosivos na Rodovia Panamericana, no departamento de Cauca – equivalente a um estado brasileiro –, nesta quarta-feira (5/8). Segundo o diário El Espectador, o veículo seguia para Santiago de Cali, no departamento do Valle del Cauca, onde acontecerá a posse do presidente eleito Abelardo de la Espriella, que é de direita, na próxima sexta-feira (7).

Os artefatos de nitrato de amônio estavam distribuídos em sete cilindros e seriam utilizados para atacar instalações policiais e militares durante a cerimônia. O material foi destruído de maneira controlada.

Os explosivos apreendidos seriam parte de um plano de atentado terrorista atribuído a uma dissidência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), ligada à frente Jaime Martínez e sob as ordens de Iván Mordisco, guerrilheiro mais procurado do país, de acordo com o jornal El Tiempo.

Recentemente, o presidente Gustavo Petro, que é de esquerda, havia publicado nas redes sociais que as forças de segurança tinham informações sobre um eventual ataque no dia da posse presidencial.

Embora as Farc tenham assinado um acordo de paz durante o governo do então presidente Juan Manuel Santos em 2016, para tentar pôr fim a uma guerra que já dura décadas, ele nunca funcionou na prática. Algumas dissidências nunca aceitaram o tratado.

Por outro lado, parte dessa facção foi convertida legalmente em partido político, no começo como Força Alternativa Revolucionária do Comum (Farc) – com as mesmas iniciais – e depois em Comunes (Comuns, em tradução literal). A mudança foi uma tentativa de se distanciar da antiga guerrilha.

Troca de poder em meio à crise política


A troca de poder ocorrerá em meio a uma crise política, tendo em vista que o mandatário em fim de mandato não reconhece a vitória de seu opositor e alega indícios de fraude eleitoral. Gustavo Petro não era candidato à reeleição, mas apoiava o senador Iván Cepeda, amigo de longa data.

O futuro presidente colombiano obteve 12.959.542 votos (49,66%) no segundo turno, realizado em 21 de junho, enquanto seu adversário, 12.708.712 votos (48,70%). A diferença entre primeiro e segundo colocados é de apenas 250.830 votos (0,96%).

Além disso, pesa o fato de Abelardo de la Espriella possuir dupla nacional, a colombiana e a estadunidense, algo que invalidaria sua vitória, na visão de críticos e opositores.

No mês passado, Petro proibiu que a cerimônia de posse fosse realizada numa guarnição militar, como pretendia o candidato eleito. Alegou que ainda estava no comando do país e que tinha o poder de veto.

Em vez disso, o evento – que reunirá chefes de Estado e de governo – acontecerá no auditório da Universidade Santiago de Cali (USC). Com o aval da nova legislatura do Congresso, que assumiu as funções no último dia 20 de julho, Abelardo de la Espriella transferirá provisoriamente as funções do Poder Executivo para essa cidade, em vez da capital Bogotá.

No novo governo, a Casa de Nariño, sede da atual presidência, deixará de ser utilizada. Os despachos serão assinados no Palacio de San Carlos, antiga residência do libertador Simón Bolívar e onde hoje funciona a chancelaria.

Durante sua campanha eleitoral, o futuro líder colombiano chegou a realizar um comício numa cabine blindada, temendo por sua segurança.

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