México: escândalo de corrupção leva à saída de reitor da Basílica de Guadalupe

Quarta-feira, 15 de julho de 2026

Monsenhor Efraín Hernández Díaz foi afastado do cargo duas vezes, em meio à auditoria externa por suspeitas de má gestão e desvio de fundos

Imagem: Basílica de Guadalupe - Redes Sociais
Interior da Basílica de Guadalupe, na Cidade do México

Um grande escândalo de corrupção provocou a saída do então reitor da Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, monsenhor Efraín Hernández Díaz – conhecido como Padre Efra –, no México. Ele foi afastado do cargo duas vezes, a mais recente no último dia 30 de junho, por suspeitas de má gestão e desvio de fundos do santuário. O caso foi revelado pela revista Proceso em sua edição mensal de julho.

O primeiro afastamento das funções ocorreu em 3 de outubro do ano passado, em meio a uma auditoria externa por parte da empresa Deloitte. O líder religioso tinha sido denunciado pelo conselho da própria instituição religiosa após meses de escassez de flores para decorar a imagem da Virgem de Guadalupe, de papéis e de outros insumos, além de ausências prolongadas do reitor e alegadas irregularidades.

Anualmente, a Basílica de Guadalupe recebe dezenas de milhões de devotos. Embora os valores oficiais não sejam divulgados publicamente, estima-se uma arrecadação em centenas de milhões de pesos mexicanos em dízimos, ofertas e doações. 

Para entender a importância da Virgem de Guadalupe para os mexicanos, é preciso destacar que ela tem a mesma relevância que Nossa Senhora Aparecida para os católicos brasileiros. Além disso, as cifras injetadas à economia local por turistas e peregrinos falam por si só. Durante o mês de dezembro, em meio às celebrações à padroeira, esses públicos conseguem movimentar mais de 20 bilhões de pesos – cerca de R$ 5,8 bilhões – nas redes turística e gastronômica.

Em 24 de maio, sete meses após o primeiro afastamento, monsenhor Efraín Hernández foi recolocado no cargo pelo cardeal Carlos Aguiar Retes. A medida gerou descontentamento no clero, embora o resultado da auditoria nunca fora divulgado publicamente.

Apesar da recondução, a crise não estava superada. Ainda de acordo com Proceso, monsenhor Efraín Hernández deixou de comparecer ao evento “Sí al Desarme, Sí a la Paz” (“Sim ao Desarmamento, Sim à Paz”, em tradução literal), uma campanha de desarmamento promovida pelo governo federal nas dependências do santuário, na quinta-feira passada (9). 

A cerimônia, de extrema importância, contou com a participação da presidenta mexicana, Claudia Sheinbaum, além de secretários – equivalente a ministros no Brasil – e comandantes militares. A saída de Padre Efra, com data retroativa a 30 de junho, só foi confirmada três dias depois do referido encontro pela comunicação da igreja.

Em comunicado divulgado por sites católicos, entre eles o Vatican News, o cardeal mexicano Carlos Aguiar disse que a basílica iniciou uma “etapa de renovação institucional” em meio à celebração dos 500 anos do Acontecimento Guadalupano, ao aceitar a renúncia do monsenhor Efraín Hernández e substituí-lo pelo cônego Daniel Víctor Villalobos Ortíz.

O escândalo surge no momento em que o santuário se organiza para celebrar, em 2031, os 500 anos das quatro aparições da Virgem de Guadalupe – padroeira nacional – ao indígena São Juan Diego, em dezembro de 1531, no México. Na época, o país era colônia espanhola.

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