Sexta-feira, 31 de julho de 2026
Informação atualizada em 31/07/2026, às 18h42
Cerca de 80% dos imigrantes já foram deportados; ao menos 57 pessoas morreram tentando atravessar o Mar Mediterrâneo
Imagem: Redes Sociais - Print Screen - Divulgação /
Qualidade da foto melhorada com inteligência artificial
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| A grande maioria dos imigrantes é do gênero masculino |
Caos generalizado
Cerca de 60 mil marroquinos entraram ilegalmente em Ceuta e em Melilla, na Espanha, ao longo de 24 horas, entre essas quinta-feira (30/7) e sexta-feira (31). O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, classificou o ocorrido como uma ‘violação do direito territorial’ de seu país.
“[Quero] definir o dia de ontem como um ataque, uma violação ao direito territorial da Espanha (...)”, comentou.
O número de imigrantes que ingressaram ilegalmente equivale a 70% da população ceutí – estimada em 84 mil –, gerando caos generalizado. Houve registros de enfrentamentos com a polícia, saques em residências e depredações.
As autoridades divergem nos dados. Enquanto o presidente da cidade de Ceuta estima em 60 mil imigrantes, o governo central fala em 50 mil.
Essa fuga massiva aconteceu diante dos olhos do governo marroquino, que não fez nada para evitá-la. O episódio suscitou questionamentos quanto à capacidade do governo espanhol para controlar seus territórios diante de uma incursão em larga escala.
Mapa: Google Mapas
O mapa mostra a localização de Ceuta e Melilla em território africano
Melilla e Ceuta são duas cidades autônomas espanholas localizadas na costa norte da África, próximas ao Estreito de Gibraltar. Ambas são enclaves, por estarem dentro de outro país, sob domínio espanhol desde os séculos XV e XVII, respectivamente, e consideradas áreas ocupadas pelo Marrocos, que reivindica o controle.
Crise na União Europeia
O que parece ser uma simples crise migratória, com contornos de invasão, provocou uma crise no governo de Pedro Sánchez em níveis nacional e continental. A presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que as imagens são ‘inaceitáveis’.
“As imagens que chegam de Ceuta são inaceitáveis. Não podemos permitir que ninguém venha a nossa União [Europeia] sem cumprir as regras. As travessias perigosas devem parar imediatamente. As redes de tráfico devem ser desmanteladas. E os retornos devem ser rápidos, conforme as nossas regras permitem”, manifestou a dirigente do bloco continental.
Vídeo: Redes Sociais - Divulgação / Montagem: Opinólogo
Os imigrantes levaram caos às pequenas cidades de Ceuta e Melilla, na África
Já os governos da Itália, da Finlândia e da Dinamarca instam a União Europeia a suspender a Espanha do Espaço de Schengen. Trata-se de um acordo que permite que cidadãos viajem pelos países do bloco sem a necessidade de passaporte.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, por exemplo, decidiu suspender a livre circulação de pessoas entre Itália e Espanha, conforme previsto no referido tratado migratório.
“Trata-se de uma medida extraordinária adotada para salvaguardar a segurança nacional e prevenir possíveis repercussões para a nossa nação. A medida será mantida em vigor apenas pelo tempo necessário, com particular atenção para limitar qualquer impacto nos fluxos turísticos de verão”, escreveu Giorgia Meloni nas redes sociais nesta sexta-feira (31).
No dia anterior (30), a premiê italiana já havia tachado as imagens de Ceuta como ‘impressionantes e demonstram, mais uma vez, que a imigração clandestina fora do controle representa uma ameaça concreta para a segurança das fronteiras europeias’.
A França, por sua vez, anunciou que reforçaria a segurança e o controle na fronteira que compartilha com a Espanha.
Sem citar nomes, Pedro Sánchez criticou a postura de alguns países, disse que ‘não é tempo de dividir’ e apresentou um balanço sobre o ingresso irregular de imigrantes entre 2021 e 2026, com destaque para a Itália, com 478.600, enquanto a Espanha, 234.760.
“A solidariedade e a empatia são opcionais. O respeito aos tratados europeus e aos dados, não (...); não é tempo de dividir. É tempo de seguir construindo uma União Europeia forte e unida”, expressou o chefe do governo espanhol.
Custo humano e repatriações
Ao menos 57 pessoas morreram afogadas, enquanto tentavam cruzar o Mar Mediterrâneo para chegar a Ceuta. Alguns bebês sozinhos em boias foram resgatados com vida.
Até a publicação desta reportagem, mais de 48 mil imigrantes já foram deportados nas últimas horas em meio a um acordo com autoridades marroquinas, segundo o Ministério do Interior espanhol. Isso equivale a 80% do contingente estimado, com base nos dados do governo ceutí.

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