Segunda-feira, 29 de junho de 2026
Ao menos 10 políticos mexicanos são investigados por supostos vínculos com cartéis de drogas
Imagem: Gerada por inteligência artificial para Opinólogo
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| Foto ilustrativa das bandeiras do México e dos Estados Unidos |
Políticos do Movimento Regeneração Nacional (Morena) – o atual partido governista mexicano – estariam atuando informalmente como informantes do governo norte-americano em investigações sobre o suposto vínculo de colegas da própria legenda com cartéis de drogas. O caso foi revelado pelo diário The New York Times no último sábado (27).
Os nomes dessas fontes extraoficiais não foram divulgados e não se sabe se algumas delas estariam entre os alvos dos inquéritos. Contudo, a intenção de alguns desses informantes, que procuraram espontaneamente autoridades norte-americanas, seria a de tentar salvar a própria pele e/ou evitar uma eventual responsabilização em investigações de corrupção e de narcotráfico coordenadas por órgãos investigativos norte-americanos, por exemplo, a Administração de Repressão às Drogas (DEA, na sigla em inglês). Em outros casos, ocorreu um movimento inverso, ou seja, foram contatados para conversar.
Entre os morenistas que teriam se antecipado e, supostamente, procurado investigadores norte-americanos, vale destacar a governadora de Baja California, no México, Marina del Pilar Ávila Olmeda, conforme áudios divulgados pelo jornal mexicano El Universal, no último dia 22 de junho. Ela confirmou a autenticidade do material, mas negou a existência de “acordos secretos”. Disse que havia solicitado uma reunião para tratar da revogação do visto estadunidense.
Tanto a DEA quanto o governo mexicano se negaram a comentar sobre o pedido de posicionamento feito pelo The New York Times.
Ao menos 10 políticos mexicanos, vários deles morenistas, estão sob investigação nos EUA, entre eles os governadores dos estados de Sinaloa, Rubén Rocha Moya; de Sonora, Alfonso Durazo; e de Tamaulipas, Américo Villarreal Anaya; além do prefeito de Culiacán, Juan de Dios Gámez Mendívil, no estado de Sinaloa.
A reportagem menciona que, desses 10 suspeitos, dois estariam sob custódia das autoridades norte-americanas, sendo que um deles se entregou na fronteira entre os dois países há dois meses.
Em abril passado, o diário Los Angeles Times revelou que Rubén Rocha e Juan de Dios Gámez eram investigados nos EUA. Segundo o Departamento de Justiça, filhos do narcotraficante Joaquín “El Chapo” Guzmán teriam ajudado o governador de Sinaloa a se eleger, em 2021, intimidando e sequestrando seus rivais, para forçá-los a desistir de suas candidaturas, além de roubar cédulas de votação.
Nos últimos meses, autoridades norte-americanas têm pedido a extradição de Rubén Rocha e de Juan de Dios Gámez com base em acordos bilaterais entre os dois países. Contudo, a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, negou a solicitação, ao alegar que não foram apresentadas provas concretas sobre o envolvimento de ambos em atividades delituosas, e completou, dizendo que o Ministério Público instauraria inquéritos independentes.
A iniciativa desses supostos informantes pode criar um racha no Morena e vai na contramão da postura adotada pela mandatária mexicana. Ela tem se posicionado a favor dos colegas de legenda e utilizado um discurso ferrenho em defesa da soberania e contra intromissões de seu homólogo norte-americano, Donald Trump, acerca da política interna.
As investigações contra políticos do entorno de Claudia Sheinbaum são apenas mais um capítulo na série de divergências com Donald Trump e coincidem com as revelações dos portais Diario la Red e Hondurasgate sobre uma suposta conspiração internacional – articulada a partir dos Estados Unidos e com a cumplicidade de governos latino-americanos de direita – para atacar governos de esquerda e influenciar em processos eleitorais na região.
Áudios vazados, em 2026, e supostamente atribuídos ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández apontam que os alvos iniciais desse complô seriam Claudia Sheinbaum e o colombiano Gustavo Petro, cujo mandato se encerra no próximo dia 7 de agosto.
Juan Orlando Hernández cumpria pena de 45 anos num presídio em Nova York, desde 2024, após ser extraditado e condenado por narcotráfico. Em novembro passado, às vésperas da eleição presidencial em Honduras, Donald Trump anunciou que lhe concederia perdão presidencial. A medida se concretizou em dezembro, poucos dias após.
Em abril deste ano, a morte de dois investigadores mexicanos e de outros dois norte-americanos num acidente de automóvel desatou um incidente diplomático entre os governos de Sheinbaum e de Trump, por caracterizar uma ingerência em questões internas. As vítimas retornavam de uma operação contra um cartel de drogas sem o conhecimento de autoridades federais mexicanas.
Donald Trump já manifestou interesse em utilizar forças de segurança norte-americanas em incursões contra narcotraficantes em solo mexicano. A oferta foi rejeitada em diversas ocasiões por sua homóloga.
A presidenta mexicana parece cada vez mais disposta a ir para um embate com seu colega estadunidense. Recentemente, ela manifestou interesse em restabelecer o envio de petróleo para Cuba, apesar dos riscos de sanções econômicas por parte dos Estados Unidos.
O México se tornou o principal fornecedor de combustível à ilha caribenha depois da captura do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro passado, por militares estadunidenses. Até então, era o governo sul-americano quem abastecia o regime cubano.

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