Colômbia: detenção de estrangeiro por suspeita de abuso sexual contra criança causa comoção

Terça-feira, 16 de junho de 2026

O homem, que é norte-americano, está em Bogotá para tratar dos trâmites de adoção de três menores de idade

Imagem: Redes Sociais - Divulgação / Qualidade da foto melhorada com inteligência artificial
O turista deixa o prédio de cabeça baixa e com capuz na cabeça

A detenção de um cidadão norte-americano por suspeita de abuso sexual contra uma criança de 7 anos, no último domingo (14/6), provocou comoção nacional na Colômbia. O homem, identificado como Gail Grant, de 36 anos, foi visto na sacada de um apartamento, em Bogotá, segurando o menor em situação que chamou atenção dos vizinhos. As imagens – registradas à longa distância por populares – não permitem compreender bem o que acontecia. Pessoas que estavam nas ruas e se depararam com a cena começaram a gritar e acionaram a polícia, e o então suspeito precisou sair sob forte escolta para não ser linchado.

Vídeo: Redes Sociais - Divulgação

 
O vídeo mostra o momento em que o turista estadunidense surge na sacada do apartamento com a criança e sua posterior detenção em meio à comoção popular

O turista foi liberado na madrugada desta terça-feira (16), sem que qualquer acusação fosse formalizada, pois as autoridades concluíram que não houve elementos para incriminá-lo.

Agora solto, o norte-americano pretende processar as pessoas que o filmaram e o acusaram do suposto delito. Segundo o advogado Fabio Humar, em entrevista ao diário El Espectador, seu cliente explicou que a criança foi retirada do quarto e levada para outro cômodo por conta de um acesso de raiva contra o irmão.

Nessa segunda-feira (15), no dia anterior à libertação do cidadão norte-americano, o presidente colombiano, Gustavo Petro, foi às redes sociais se manifestar sobre o caso e disse que ‘ao que parece [o suspeito] não violou nenhum de seus filhos adotados na Colômbia’ e teria realizado uma suposta manobra de emergência, porque a criança teria se engasgado com a comida.

“Ele levou a criança à sacada por conta de um engasgo com a comida. As imagens enganaram os colombianos, que foram em massa defendê-la. Agora sim, tornamos vítimas meninos e meninas. Caso os fatos se confirmem, a Justiça deve lhe devolver todos os seus direitos como ser humano, ao norte-americano, que, ao que parece, só quis adotar meninos e meninas colombianas (...)”, escreveu o mandatário.

O líder colombiano buscou protagonismo político em meio à comoção nacional. Sua versão dos fatos difere da apresentada pela defesa do turista estadunidense, mostrando-se precipitada e atropelando laudos dos organismos oficiais. 

O estrangeiro está no país sul-americano, acompanhado do parceiro, para tratar dos trâmites de adoção de duas crianças e um adolescente. Durante a captura, além da suposta vítima, outros dois menores – de 4 e de 15 anos – foram levados a um abrigo.

Os três menores ficaram sob custódia do Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar (ICBF) e passaram por exames clínicos para avaliar se sofreram algum tipo de abuso. O órgão chegou a ativar protocolos de acolhimento junto à Polícia de Infância e Adolescência em meio às polêmicas.

Um parecer emitido pelo Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses demonstrou que não foram encontradas evidências de maus tratos nem de abusos contra os três menores envolvidos, publicou o diário El Tiempo.

O episódio deixa alertas. Se por um lado mostra uma sociedade alerta e intolerante a possíveis violações contra crianças e adolescentes, por outro aponta os riscos de julgamentos baseados em informações não verificadas e em interpretações subjetivas de fatos que podem culminar em histeria coletiva e destruir reputações.

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