Site que divulgou suposta conspiração contra a esquerda latino-americana é alvo de quase 40 mil tentativas de ataque cibernético

Segunda-feira, 11 de maio de 2026

O portal Hondurasgate divulgou áudios de Juan Orlando Hernández sobre uma trama intervencionista cujos alvos iniciais seriam os presidentes da Colômbia e do México

Imagem: Gerada por inteligência artificial para Opinólogo - Foto ilustrativa
Ilustração de como funciona um ataque DDoS

O site Hondurasgate – que revelou áudios sobre uma suposta conspiração internacional contra a esquerda latino-americana – foi alvo de 39.618 tentativas de ataque cibernético num intervalo de 24 horas, na última quinta-feira (7/5). Desse quantitativo, mais da metade se originou de endereços com protocolos de internet (IPs, na sigla em inglês) geolocalizados nos Estados Unidos e em Israel, segundo os organizadores do portal.

Os ataques teriam ocorrido por meio de DDoS, quando se tenta derrubar um servidor ou site com uma sobrecarga de acessos simultâneos. Por volta das 8h do dia 7 de maio, no intervalo de uma hora, houve um pico de 22.620 tentativas de acesso indevido, ainda de acordo com os organizadores da plataforma investigativa. 

Dentre essas tentativas, os organizadores do Hondurasgate disseram ter identificado 22 IPs únicos como responsáveis por um elevado número de acessos provenientes de servidores de hospedagem, ‘sem origem residencial nem de usuários de telefonia móvel’.

“As ações de um Estado costumam ser mais reveladoras do que seus comunicados oficiais. Este 7 de maio, poucas horas depois de publicarmos a terceira entrega de nossos filtros, a reação dos atores apontados não chegou por canais diplomáticos nem desmentidos públicos. A resposta foi uma ofensiva cibernética contra o nosso portal”, escreveram os jornalistas do Hondurasgate.

Nos Estados Unidos, as tentativas de ataque se concentraram em Ashburn, Beltsville, Boydton, Búfalo, Des Moines, Los Angeles e Washington D.C. Já em Israel, Tel Aviv, Jerusalém e Beersheba.

“Na teoria contemporânea, o ataque também é uma linguagem. Quando um Estado ou grupo de poder decide destinar sua capacidade ofensiva, seus recursos financeiros e humanos contra infraestrutura jornalística, está tacitamente reconhecendo que o material publicado lhe causa um dano tão profundo que justifica a mobilização de recursos para silenciá-lo”, continuaram os investigadores da plataforma.

Nas últimas semanas, o portal Hondurasgate divulgou 37 áudios – de mais de 300 em análise – acerca de um suposto conluio cujo operador seria o ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, para interferir em eleições contra a esquerda no continente, tendo como alvos iniciais os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, e do México, Claudia Sheinbaum, além dos ex-mandatários hondurenhos Manuel Zelaya e Xiomara Castro.

De acordo com as denúncias, a alegada trama intervencionista teria o apoio de setores políticos e empresariais nos Estados Unidos, em Israel, em Honduras e na Argentina, todos alinhados à direita e/ou à extrema direita.

Além de terceirizar uma campanha difamatória contra governantes de esquerda, o hipotético ‘lobby’ teria por intuito reconduzir Juan Orlando Hernández à presidência nas eleições de 2030, para que ele pudesse reimplementar as Zonas de Emprego e Desenvolvimento Econômico (ZEDEs) e entregá-las a governos estrangeiros como Estados Unidos e Israel, por exemplo.

O político hondurenho estava preso em Nova York, onde cumpria pena de 45 anos por narcotráfico desde 2024, mas recebeu perdão presidencial por parte de Donald Trump, em dezembro passado.

Juan Orlando Hernández se manifestou nas redes sociais sobre os áudios, negou que a voz fosse sua e acusou os responsáveis pela difusão de utilizarem um modus operandi.

“Esses ‘áudios’ divulgados pelo Diario Red são falsos; claramente não é a minha voz. Não insultem a inteligência das pessoas. Esta é a oportunidade de desmascarar o modus operandi da esquerda radical (...)”, postou o ex-líder hondurenho.

Em mensagens por aplicativos, Juan Orlando Hernández teria solicitado dinheiro ao presidente hondurenho, Nasry ‘Tito’ Asfura, e à vice-presidenta María Antonieta Mejía para poder alugar um imóvel nos Estados Unidos e montar uma base operacional para os ataques, por meio de um portal de notícias para difamar e desestabilizar governos progressistas.

“Que ridículo! Dá vontade de rir. A que ponto chegaram. Usando as mesmas táticas de sempre, a esquerda radical com seus sócios ideológicos internacionais busca difundir mentiras como verdade. Hoje, saem com uma nova campanha de desinformação e ataques que busca impor uma narrativa falsa”, criticou Juan Orlando Hernández.

Nas redes sociais, o Hondurasgate e alguns dos envolvidos na divulgação dos escândalos reafirmaram a veracidade dos materiais, entre eles o ativista político Pablo Iglesias, do partido espanhol Podemos e do portal noticioso Diario Red.

“Poderiam desmentir os áudios. Não o fizeram; poderiam refutá-los com provas. Não puderam; escolheram 39.618 tentativas de hackeamento em 24 horas, com origem nos Estados Unidos e em Israel. Quando atacam o mensageiro em vez de falar, já falaram”, publicou o Hondurasgate.

Os áudios filtrados pelo Hondurasgate e Diario Red também falam sobre um hipotético complô para desacreditar um conselheiro eleitoral em Honduras ligado ao partido Liberdade e Refundação (Libre, na sigla em espanhol), que é de esquerda. O caso será abordado futuramente em outra reportagem de Opinólogo.

Ainda não está claro como esses áudios foram obtidos nem se passaram por perícia independente para atestar sua autenticidade.

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