Quarta-feira, 06 de maio de 2026
O sequestro dos promotores Jesús Antonio Pacheco e Rodrigo Antonio López completa um ano esta semana
Imagem: Redes Sociais - Print screen / Qualidade da foto melhorada com inteligência artificial
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| Um integrante do ELN lê a sentença dos sequestrados |
Uma das células do Exército de Libertação Nacional (ELN) – um dos principais grupos terroristas colombianos – anunciou (vídeo abaixo) nas redes sociais, nessa terça-feira (5/5), o ‘julgamento revolucionário’ contra dois promotores de Justiça que os investigavam. Em vez da pena capital, os agentes deverão cumprir pena de até cinco anos na condição de reféns.
O grupo guerrilheiro aplicou seu próprio código penal contra os promotores Jesús Antonio Pacheco e Rodrigo Antonio López. Ambos atuam no Corpo Técnico de Investigação (CTI) – a polícia judiciária do Ministério Público da Colômbia – e foram sequestrados no dia 8 de maio de 2025, no município de Fortul, departamento de Arauca. O anúncio da ‘sentença’ ocorre às vésperas de as vítimas completarem um ano em cativeiro.
“(...) Não condenar à pena capital Jesús Antonio Pacheco Oviedo; segundo: não condenar à pena capital Rodrigo Antonio López Estrada; terceiro: condenar Jesús Antonio Pacheco Oviedo na qualidade de autor material à pena de 60 meses de ‘prisão revolucionária’ por delitos de pertencer a um órgão do Estado dedicado à comissão de crimes de lesa-humanidade, por desenvolver ações de espionagem contra o ELN, vinculando à população civil e a menores de idade, e pela execução de montagens ou falsos positivos judiciais contra a população civil”, declarou um integrante do grupo guerrilheiro que mantinha o rosto parcialmente coberto.
“Quarto: condenar Rodrigo Antonio López Estrada, na qualidade de autor material, à pena de 55 meses de ‘prisão revolucionária’ por delitos de pertencer a um órgão do Estado dedicado à comissão de crimes de lesa-humanidade, por desenvolver ações de espionagem contra o ELN, vinculando à população civil e a menores de idade, e pela execução de montagens ou falsos positivos judiciais contra a população civil", continuou o integrante do bando.
Vídeo: Redes Sociais - Divulgação
Não é apenas um julgamento, é o estado paralelo atuando à margem da lei
“Quinto: conceder o benefício de reduzir a pena aos processados por comportamento (sic) durante o julgamento e execução da pena, assim como a contribuição ao esclarecimento dos fatos e às condutas investigadas (...)”, seguiu o comunicado do Exército de Libertação Nacional.
Durante a leitura, o integrante do grupo guerrilheiro ainda falou sobre a possibilidade de incluir na contagem da ‘pena’ o tempo que as vítimas estiverem em cativeiro e de uma eventual ‘troca humanitária de prisioneiros de guerra’ com o governo nacional.
Na prática, o grupo guerrilheiro não reconhece a legitimidade do Estado colombiano, com quem mantém conflitos armados por décadas, e materializa a existência de um estado paralelo por meio de ‘leis’ e ‘justiça’ próprias, além da dominação de territórios.
A transmissão da ‘condenação’ por parte dos terroristas ocorre em meio ao período eleitoral para o Legislativo e para presidente e é uma clara demonstração de afronta ao Estado democrático de direito.
Num país marcado por guerras sangrentas prolongadas entre as Forças Armadas e dissidências armadas, pelo uso de carros-bomba, ataques à população civil, raptos e recrutamentos de menores para o submundo do crime, o caso dos dois promotores deixa de ser exceção para se tornar um dos sintomas de um problema crônico: a falência do Estado – independentemente de quem esteja no poder.
A captura dos dois investigadores não é um episódio isolado. Em 2002, por exemplo, a ex-senadora Ingrid Betancourt foi sequestrada durante uma agenda política em sua campanha para a presidência. Ela ficou em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) – outro grupo narcoterrorista – por seis anos, sendo libertada somente em 2008.

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