SUS aposta na Doxi-PEP para frear sífilis e clamídia

Segunda-feira, 23 de março de 2026

Tratamento preventivo deverá ser implementado em até 180 dias e tem como foco inicial populações de risco

Imagem: KamranAydinov - Freepik - Uso gratuito / Foto ilustrativa
A Doxi-PEP não pode ser tomada de maneira constante, de modo a evitar resistência bacteriana

Populações-alvo


O Sistema Único de Saúde (SUS) decidiu apostar na Doxi-PEP – ou DoxyPEP – para frear os casos de sífilis e de clamídia no Brasil. Trata-se de uma profilaxia pós-exposição, uma espécie de pílula do dia seguinte sem nenhum efeito contraceptivo. O tratamento é feito à base de Doxiciclina, antibiótico pertencente à classe das tetraciclinas. O prazo para implementação é de até 180 dias.

A medida foi anunciada pelo Ministério da Saúde na semana passada após aprovação por parte da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

O tratamento preventivo consiste em tomar 200 mg de doxiciclina – cada comprimido tem 100 mg –, em dose única, em até 72 horas após a relação sem preservativo considerada de risco.

Inicialmente, a profilaxia será preconizada para pessoas com maior vulnerabilidade e que tiveram episódio de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) nos últimos 12 meses. Entre as populações-alvo contempladas, cabe destacar: homens cisgênero gays, bissexuais e outros homens que se relacionaram com homens trans ou mulheres trans.

Vale frisar que a Doxi-PEP não protege contra o HIV, hepatites, herpes, Papilomavírus humano (HPV) nem contra outras infecções sexualmente transmissíveis.

Estudos sobre a medicação


Desde 2018, há estudos que mostram que a Doxi-PEP é capaz de reduzir significativamente os casos de sífilis, de clamídia e, em menor grau, de gonorreia, impedindo a multiplicação e o estabelecimento das bactérias no organismo. No entanto, a medicação deve ser utilizada com precaução para evitar resistência bacteriana.

Na França, por exemplo, as pesquisas mostraram que essa profilaxia conseguiu reduzir em 73% os casos de sífilis e 79% de clamídia.

Já nos Estados Unidos, outro estudo focado em pacientes que utilizam a PrEP – tratamento preventivo contra o HIV – ou que convivem com o HIV demonstrou que houve diminuição de 77% a 87% nos casos de sífilis, 74% a 88% nos de clamídia e 55% a 57% nos de gonorreia.

No Brasil, por exemplo, também existem pesquisas em andamento sobre a eficácia da DoxyPEP por parte da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Casos de sífilis no Brasil


Em 2024, por exemplo, o país registrou mais de 24 mil casos de sífilis adquirida (durante o sexo), segundo dados do Ministério da Saúde. No mesmo ano, foram contabilizados 37.146 casos de sífilis em gestantes e mais 12.182 de sífilis congênita, isto é, transmitida de mãe para filho durante o parto.

Em vista dos elevados números de pessoas infectadas, a implementação dessa nova profilaxia pela rede pública de saúde representa um importante avanço no tratamento contra essas doenças e vai ao encontro de estudos realizados em outros países. Além disso, a medida desburocratiza o acesso ao tratamento, ao torná-lo mais acessível para essas populações de risco. Embora a medicação não ser cara, exige-se receita médica para comprá-la.

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