Cuba: escassez de petróleo agrava crises humanitária e sanitária

Segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026

Por pressão dos EUA, o México suspende fornecimento de petróleo; ilha caribenha enfrenta apagões, lixo acumulado nas ruas e epidemias de arboviroses

Imagem: @JL_Spartan - Redes Sociais / Qualidade da foto melhorada com inteligência artificial
O acúmulo de lixo nas ruas atrai ratos, moscas e outras pragas urbanas

As crises humanitária e sanitária em Cuba se agravaram, principalmente, depois do último dia 3 de janeiro, com o sequestro do ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro e a consequente suspensão forçada de envio de petróleo por parte das autoridades sul-americanas à ilha caribenha. Com escassez de combustível, as termoelétricas não podem ser abastecidas e os caminhões de lixo não conseguem recolher as montanhas de sujeira que se acumulam pelas ruas.

Impossibilitada de modernizar sua infraestrutura devido às sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos ainda na década de 1960, desde que virou comunista, Cuba tem registrado, nos últimos meses, apagões diários que podem durar até 20 horas.

Sem energia elétrica, o funcionamento de hospitais, escolas e outros serviços básicos e/ou essenciais também fica seriamente comprometido.

Ademais, o país centro-americano precisa lidar com acúmulo de dejetos em vias públicas e a consequente proliferação de pragas como ratos e mosquitos atraídos pelo chorume. A crise sanitária pode ter relação com as epidemias de arboviroses como chikungunya e dengue, que resultaram em mais de 50 mil pessoas infectadas e cerca de 60 óbitos em 2025.

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O povo cubano enfrenta uma guerra diária contra a escassez, doenças e o sistema

O cerco a Cuba faz parte da pressão do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o regime renuncie e/ou entre em acordo com sua administração. Além disso, marca mais um capítulo na política externa norte-americana para a América Latina, como a queda de Maduro, por exemplo.

Desde dezembro passado, com embarcações petrolíferas venezuelanas sendo retidas por militares estadunidenses em águas caribenhas, o México passou a ser o principal fornecedor de hidrocarboneto ao regime cubano. No fim de 2025, foram enviados 80 mil barris de petróleo.

Devido à ameaça de sanções comerciais, por parte dos Estados Unidos, contra países que fornecerem combustível a Cuba, a estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) suspendeu a remessa.

Em nota publicada nesse domingo (1/2), o governo asteca disse que ‘o envio de petróleo a Cuba se resolverá pela via diplomática’. A presidenta Claudia Sheinbaum tem defendido que o fornecimento do combustível fóssil é por ‘razões humanitárias’ e busca junto ao presidente Trump uma solução ante o impasse.

“[A presidenta Claudia Sheinbaum] assegurou que seguirá buscando, pela via diplomática, o envio de petróleo a Cuba por razões humanitária, sem buscar confrontos. No entanto, levantou que esta mesma semana será enviada ajuda humanitária à ilha composta por outros produtos”, informou o governo mexicano.

No mês passado, o presidente da China, Xi Jinping, enviou a Cuba uma assistência financeira equivalente a US$ 80 milhões mais 60 mil toneladas de arroz. O governo asiático tem contribuído com o fornecimento e instalação de painéis solares para residências isoladas como forma de reduzir o déficit energético na ilha caribenha.

Em nota divulgada no último sábado (31/1), o Partido dos Trabalhadores (PT) acusou o governo Trump de querer ‘sufocar totalmente a economia cubana ao impor mais um bloqueio e evitar que combustíveis cheguem à ilha’.

“Não podemos aceitar mais um ataque à soberania de um país da América Latina, e esta ameaça criminosa contra o povo cubano. Seguiremos defendendo o povo cubano, seu direito à autodeterminação, sua soberania, a Revolução Cubana e seus ideais de justiça social”, manifestou a legenda brasileira.

Pressões internacionais têm sido insuficientes e/ou ineficazes contra Donald Trump em sua cruzada imperialista e megalomaníaca de ingerência externa para eleger e derrubar governos, como também para anexar países.

Em meio à elevação das tensões entre Estados Unidos e Cuba, a nação centro-americana tem realizado uma série de exercícios militares em caso de invasão por parte do governo norte-americano. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, está supervisionando o treinamento.

Enquanto o ditador cubano se prepara para enfrentar um inimigo externo, a guerra diária da população é contra a escuridão, doenças, escassez de itens básicos e o próprio sistema.

Em meio às crises e dramas enfrentados pelos cubanos, jornalista independentes têm sido alvos de perseguição por parte do regime e impedidos de cobrir os problemas no país. De acordo com a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol), os profissionais estão sujeitos a detenções arbitrárias, prisões domiciliares e assédio policial.

No último dia 28 de janeiro, por exemplo, a repórter e ativista Yoani Sánchez, do site 14ymedio, foi detida por policiais numa via pública na capital Havana. Os agentes ordenaram que voltasse para casa e a proibiram de sair até o dia seguinte. O objetivo era evitar que participasse da cobertura de um evento diplomático.

Nos últimos dias 14, 20 e 27 de janeiro, o jornalista Henry Costantín Ferreiro, do portal La Hora de Cuba, foi detido e posteriormente libertado sem acusações formais.

Esses não são meros casos isolados. Entre os emblemáticos, vale destacar o do jornalista independente Ángel Cuza Alfonso, que ficou seis meses preso, tendo sido libertado sem julgamento. No dia 27 de janeiro, um dia após deixar a cadeia, foi novamente detido pela polícia cubana.

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