Quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Xiomara Castro transformou os perfis da presidência em arquivo digital; o governo de Nasry ‘Tito’ Asfura teve de criar novas contas
Imagens: Governo de Honduras - Redes Sociais / Qualidade das fotos melhoradas com inteligência artificial - Arte: Opinólogo
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| Cerimônias de posse: Xiomara Castro, em 2022; e Nasry Asfura, em 2026 |
A ex-presidenta de Honduras Xiomara Castro (foto 1) encerrou seu mandato, nessa terça-feira (27/1), tomando para si as redes sociais governamentais (foto 2). Em uma postagem no X – antigo Twitter –, por exemplo, consta um aviso de que a conta @GobiernoHN passa a ser de ‘arquivo’.
“Aviso institucional da Presidência da República de Honduras:
A partir de 27 de janeiro de 2026, esta conta passa ao estado de arquivo e se conserva como registro digital e histórico do governo da primeira mulher presidenta de Honduras, Xiomara Castro (2022-2026).
Não serão realizadas novas publicações. O conteúdo permanecerá disponível exclusivamente para fins históricos e de consulta pública”, escreveu.
Imagem: Redes Sociais - Print screen
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| A medida cria dilemas entre o público e o privado |
O perfil no X foi criado em dezembro de 2021, um mês antes de Xiomara Castro tomar posse em janeiro do ano seguinte. Até a noite desta quarta-feira (28), a conta tinha 125.486 seguidores.
A medida pode ser vista sob diferentes perspectivas: por um lado, conservar o legado e a história de seu governo contra mentiras e distorções; por outro, representa uma suposta apropriação de um bem institucional, por se tratar de uma conta governamental. Isso gera dilemas entre o público e o privado, a política e a politicagem e a ética e a vaidade.
A tomada das contas oficiais levou o novo governo, do presidente Nasry ‘Tito’ Asfura, a criar do zero os perfis. Na plataforma X, por exemplo, já contava com pelo menos 6.657 seguidores até a publicação desta reportagem.
Redes sociais e sites governamentais deveriam ser considerados patrimônio imaterial do Estado, e suas publicações precisam ser protegidas por leis para a posteridade. A tomada e a inutilização de contas para suposto arquivamento podem acarretar danos à comunicação institucional, tendo em vista o vácuo informativo e digital herdado pelo novo governo e seus reflexos perante a cidadania.
Um bem estatal não pode nem deve ser tratado com patrimonialismo ou troféu para ambições político-eleitoreiras. Isso cria um precedente perigoso contra o próprio Estado, que é atacado por quem o comanda.
O novo mandatário (foto 1) tomou posse, nessa terça-feira (27), em meio a uma crise política e institucional, marcada por supostas intromissão estrangeira e tentativas de sabotagem do processo eleitoral, ademais a desconfiança quanto à lisura do pleito. A contagem dos votos só foi concluída 24 dias após.
O episódio em Honduras acerca das redes sociais institucionais deveria servir de alerta para outros países, para que sejam preservadas a história e as estruturas estatais.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a preservação e o acesso a dados públicos estão amparados na Lei de Liberdade de Informação (FOIA, na sigla em inglês), de 1966. Durante o governo do então presidente Barack Obama, em 2011, a norma foi revisada para incluir a proteção a postagens em mídias sociais.
Já a Lei de Registros Federais, de 1950, voltada a proteger informações em nível federal, considera como documentos tanto as informações físicas quanto as digitais, o que inclui papel, fotografias etc.


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