Colômbia corta energia do Equador em retaliação ao ‘tarifaço’ de 30%

Quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Informação atualizada em 22/01/2026, às 22h50

Mandatário equatoriano alega que Bogotá não tem cooperado no enfrentamento ao narcotráfico; Colômbia rejeita a acusação e apresenta dados

Imagens: Redes Sociais - Divulgação / Qualidade das fotos melhoradas com inteligência artificial - Arte: Opinólogo
Gustavo Petro, à esquerda; Daniel Noboa, à direita; ambos estão em espectros políticos opostos

O governo da Colômbia suspendeu a venda de energia elétrica para o Equador, nesta quinta-feira (22/1), em retaliação ao ‘tarifaço’ de 30% imposto pelo país vizinho a produtos colombianos. Os episódios sinalizam as recentes tensões entre as duas nações, cujos governantes têm ideologias opostas.

Nas redes sociais, o presidente equatoriano, Daniel Noboa, justificou a sobretaxa devido à suposta ‘falta de reciprocidade e de ações firmes’ por parte de Bogotá no enfrentamento ao narcotráfico. O ‘tarifaço’ entrará em vigor no próximo dia 1º de fevereiro.

O Ministério de Relações Exteriores da Colômbia rejeitou as acusações e apresentou um balanço sobre o quantitativo de cocaína apreendida nos últimos anos sob o governo do presidente Gustavo Petro: em 2023, foram 86,7 toneladas; em 2024, 132,4 toneladas; e em 2025, 195,9 toneladas.

Ainda segundo as autoridades colombianas, com dados repassados pelo Ministério da Defesa, seu país treinou 3.891 policiais equatorianos no combate ao narcotráfico. As duas nações realizaram 91 operações conjuntas contra o crime organizado, ‘resultando em 26 batidas policiais, que levaram a 39 deportações, 25 prisões por ordem judicial e o resgate de sete pessoas’.

A chancelaria colombiana também criticou a decisão ‘unilateral’ por parte do país vizinho: “O governo da Colômbia expressa seu mais enérgico rechaço ante as razões apresentadas pelo presidente do Equador, Daniel Noboa Azín, para a imposição de medida unilateral, que é contrária às normas da Comunidade Andina (CAN)”.

Em comunicado, o Ministério de Minas e Energia da Colômbia informou ter suspendido o comércio internacional de eletricidade para garantir a ‘soberania energética’ e evitar desabastecimento interno em meio às mudanças climáticas e a possível chegada de um novo fenômeno El Niño. O texto não faz qualquer menção à nova taxação imposta por Quito.

Algo entre 8% e 10% da energia produzida na Colômbia é fornecida a Quito como forma de combater os apagões, que eram constantes e duravam até 14 horas, entre os anos de 2023 e 2024. Nos períodos de seca, os equatorianos consomem até 12%.

Em nota à população, o Ministério do Ambiente e Energia do Equador informou que o sistema elétrico está em ‘condições normais de operação’ e que ‘conta com capacidade suficiente para cobrir de maneira autônoma a demanda diária de energia, inclusive ante a indisponibilidade da importação desde a Colômbia’.

Diferenças ideológicas refletem na diplomacia


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está ‘fazendo escola’. Seu aliado político na América do Sul usou o mesmo tipo de argumento para justificar o ‘tarifaço’. Em 2025, o mandatário norte-americano sobretaxou inúmeros países, cada um mediante uma desculpa distinta: inércia no combate às drogas, suposto desequilíbrio na balança comercial etc.

Gustavo Petro e Daniel Noboa estão em espectros ideológicos opostos. O primeiro é de esquerda, enquanto o segundo, de direita. Nessa quarta-feira (21), o líder colombiano havia criticado nas redes sociais a prisão do ex-vice-presidente do Equador Jorge Glas.

“Este é Jorge Glas, vice-presidente da República do Equador, cidadão colombiano; assim como exigi a libertação de presos políticos na Venezuela e na Nicarágua, penso que Jorge Glas deva ser solto. Seu próprio estado físico demonstra que sofre tortura psicológica”, escreveu Petro.

Jorge Glas está preso desde abril de 2024, quando militares equatorianos invadiram a Embaixada do México em Quito e o capturaram. Ele foi condenado por corrupção no caso da Odebrecht, referente a 2013 a 2017, época em que foi vice-presidente do Equador.

Em setembro de 2025, Gustavo Petro concedeu nacionalidade colombiana a Jorge Glas, por considerá-lo um ‘preso político’. A medida contribuiu para gerar mais atrito na diplomacia entre ambos os países.

O ‘tarifaço’ de Daniel Noboa pode ter segundas intenções: uma suposta tentativa de influenciar as eleições na Colômbia. Ao atacar a eficácia do governo Petro no combate aos cartéis de drogas, ele fornece munição à oposição colombiana e tenta desgastar a candidatura do senador Iván Cepeda, nome forte para a sucessão na Casa de Nariño.

No próximo dia 8 de março, os colombianos vão às urnas eleger seus candidatos ao Poder Legislativo. Já no dia 31 de maio, está previsto o primeiro turno da eleição presidencial. Em caso de segundo turno, 21 de junho.

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