Crise diplomática: Polícia do Equador invade Embaixada do México e captura ex-vice-presidente Jorge Glas

Sábado, 06 de abril de 2024

México rompe relações internacionais com Quito; dias antes, a embaixadora asteca tinha sido convidada a se retirar do país andino

Imagem: Redes Sociais
Momento em que policiais equatorianos pulam
o muro da Embaixada do México em Quito

Um grupo de policiais do Equador invadiu a Embaixada do México em Quito, no Equador, no final da noite dessa sexta-feira (5/4), no horário local, e prendeu o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, que aguardava desde dezembro do ano passado o reconhecimento como asilado político, informou o diário ‘El Universo’. Sedes diplomáticas são consideradas territórios invioláveis, segundo a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

Por conta desse episódio, o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador (AMLO), rompeu as relações diplomáticas com a nação sul-americana: “A nossa secretária de Relações Internacional, Alicia Bárcena, acaba de me informar que policiais do Equador entraram à força a nossa embaixada e detiveram o ex-vice-presidente desse país, que estava refugiado e tramitando asilo por conta da perseguição e assédio que enfrenta. Trata-se de uma violação flagrante ao direito internacional e à soberania do México, pelo que instruí a nossa chanceler que emita um comunicado sobre este feito autoritário, proceda de maneira legal e de imediato declare a suspensão de relações diplomáticas com o governo do Equador”.

As autoridades astecas pretendem recorrer à Corte Internacional de Justiça, na Holanda, para denunciar a violação do espaço diplomático, segundo a chanceler Alicia Bárcena.

Nas redes sociais, o presidente equatoriano, Daniel Noboa, divulgou um comunicado, dizendo que ‘toda embaixada tem uma só finalidade: servir como um espaço diplomático com o objetivo de estreitar as relações entre os países’.

“Nenhum delinquente pode ser considerado um perseguido político. Jorge Glas foi condenado com uma sentença executória e contava com ordem de captura emitida pelas autoridades competentes. O Equador enfrenta um conflito armado não internacional, cujas repercussões na democracia e paz cidadã só aumentarão se forem contínuos ou tolerados os atos que atentem contra o Estado de Direito, na soberania nacional ou com temas de ingerência em assuntos internos do país forem continuados ou tolerados. O Equador é um país soberano e não vai permitir e não vamos permitir que nenhum delinquente fique impune”, continuou o mandatário equatoriano.

Imagens do canal ‘Ecuavisa’ que circulam na internet mostraram o encarregado de Negócios do México em Quito, Roberto Canseco, sendo agredido quando tentava impedir a captura do asilado equatoriano.

Imagem: Wikipédia - Creative Commons
Jorge Glas buscou asilo político,
após ser condenado por corrupção
Jorge Glas foi vice-presidente do Equador entre 2013 e 2017, sendo que ao final de 2017 foi condenado a seis anos de cadeia, em primeira instância, por corrupção no caso da Odebrecht. Em 2022, foi novamente sentenciado em última instância.

A invasão à embaixada ocorreu horas após a Secretaria de Relações Exteriores do México anunciar que havia concedido asilo político a Jorge Glas. O político equatoriano aguardava há quatro meses o reconhecimento de tal condição e um salvo-conduto para deixar o Equador.

A crise diplomática entre Equador e México já se agravava durante alguns dias, após López Obrador ter feito críticas ao processo eleitoral equatoriano que culminou no assassinato do candidato presidencial Fernando Villavicencio em 09 de agosto de 2023. De acordo com o governante asteca, o referido homicídio teria atrapalhado uma possível vitória da candidata Luisa González, do Revolução Cidadã, cujo movimento era liderado por Rafael Correa, ex-presidente do país sul-americano.

As declarações de AMLO desagradaram o presidente Daniel Noboa, vencedor do pleito de outubro do ano passado, fazendo com que Quito declarasse como ‘persona non grata’ a embaixadora mexicana Serur Smeke e pedisse que ela deixasse o país andino na última quinta-feira (4). Desde então, a sede diplomática estava sob a responsabilidade de um encarregado de negócios.

A república sul-americana vive uma grave crise política e de segurança pública com o aumento da criminalidade provocada por gangues. O Equador talvez seja o único país do mundo em que sua vice-presidente não vive no próprio país. Logo após a posse, Verónica Abad foi designada por Noboa para ser embaixadora em Israel.

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