Sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
O cantor suíço Nemo explicou que a participação de Israel estaria em conflito com os valores do festival musical europeu
Imagem: Eurovisión - YouTube - Print screen / Qualidade da foto melhorada com inteligência artificial
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| Nemo se apresenta na final do festival Eurovisión 2024 |
O cantor suíço Nemo (foto), de 26 anos, vencedor da edição 2024 do festival musical Eurovisión, anunciou nas redes sociais, nessa quinta-feira (11/12), que pretende devolver o troféu que ganhou, em protesto à participação de Israel na edição de 2026, que acontecerá em Viena, na Áustria, devido à atuação do país judeu no conflito bélico contra o grupo terrorista Hamas e que dizimou mais de 70 mil palestinos na Faixa de Gaza.
“(…) Embora eu seja imensamente grato à comunidade em torno deste concurso e a tudo o que esta experiência me ensinou, tanto como pessoa quanto como artista, hoje não sinto mais que este troféu pertença à minha estante.
O Festival Eurovisión da Canção afirma representar a união, a inclusão e a dignidade para todos. Esses valores tornaram este concurso significativo para mim. Mas a participação contínua de Israel (…) mostra um claro conflito entre esses ideais e as decisões tomadas pela União Europeia de Radiodifusão (UER)”, explicou o artista.
“O concurso foi repetidamente usado para suavizar a imagem de um Estado acusado de graves irregularidades, enquanto a UER insistia que o Eurovisión é ‘apolítico’. E quando países inteiros se retiram devido a esta contradição, fica claro que algo está profundamente errado. É por isso, que decidi devolver o meu troféu à sede da UER em Genebra”, continuou Nemo.
O artista, não binário, ganhou o festival Eurovisión 2024 com a canção The Code (O Código, em inglês), usando um vestido numa tonalidade pastel que varia entre o rosa e o coral e sobre um disco giratório.
A decisão da UER – detentora dos direitos do concurso musical – de manter Israel, apesar da rejeição de alguns países, fez com que Eslovênia, Espanha, Holanda, Irlanda e Islândia optassem por boicotar o evento no ano seguinte.
Desses cinco países europeus, só faltava a Islândia se posicionar. O tema foi discutido e decidido pela direção do canal público RÚV, nessa quarta-feira (10). Uma multidão se reuniu na frente da sede da emissora em demonstração de apoio ao boicote.
“Considerando o debate público neste país e as reações à decisão da UER tomada na semana passada, fica claro que nem a alegria nem a paz prevalecerão em relação à participação da RÚV no Festival Eurovisão da Canção. Portanto, a RÚV decide notificar a UER hoje de que não participará do Festival Eurovisão da Canção no próximo ano”, informou o canal.
Na semana passada, a cantora israelense Dana International, que é transexual e vencedora do Eurovisión de 1998, havia criticado o boicote de tais nações europeias e culpou o governo de seu país por prejudicar a ‘reputação internacional de Israel’.
“Vocês não querem mais que cantemos com vocês? Compreendem o quão violenta e insultante é essa decisão? O quanto ela só acrescenta ódio e sofrimento?”, manifestou Dana International, publicou The Times of Israel.
Aos poucos, os protestos contra a presença do país judeu no evento estão aumentando. Esta semana, 17 competidores portugueses da 60ª edição do Festival da Canção, que ocorrerá entre fevereiro e março de 2026, já informaram à televisora RTP que se ganharem, não vão aderir ao torneio em nível global, noticiou o canal Sic.
O festival Eurovisión funciona do seguinte modo: o artista que representa seu país precisou vencer antes as competições internas, que são promovidas por emissoras locais.

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