México envia 80 mil barris de combustível a Cuba para minimizar crise energética

Sábado, 20 de dezembro de 2025

Por conta dos bloqueios e sanções impostas pelos EUA, a ilha caribenha tem dificuldade de receber petróleo venezuelano

Imagem: Gerada por inteligência artificial / Foto ilustrativa
Foto ilustrativa de um navio petroleiro

A estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) está enviando a Cuba 80 mil barris de combustível que deverão chegar nos próximos dias ao país centro-americano, publicou a agência internacional de notícias EFE, com base em dados repassados pelo Instituto de Energia da Universidade do Texas, nos Estados Unidos (EUA). O envio dos hidrocarbonetos visa minimizar as crises energética e humanitária que a ilha caribenha enfrenta desde o ano passado, com vários apagões que podem durar até 20 horas.

Duas embarcações – Ocean Mariner e Eugenia Gas – de bandeira liberiana transportam o carregamento. No entanto, o quantitativo é apenas um paliativo e pode não ser o suficiente, tendo em vista que os cubanos consomem de 100 mil a 150 mil barris por dia e que mais da metade é usado para abastecer as termoelétricas.

Nos últimos anos, o regime cubano tem investido em energia fotovoltaica para reduzir a dependência de combustível fóssil na geração de energia, porém não é suficiente para atender toda a demanda, o que inclui hospitais e demais serviços públicos. Atualmente, a ilha latino-americana conta com cinco mil sistemas solares e 2,2 mil residências sem qualquer tipo de eletricidade, conforme dados do Ministério de Energia e Minas.

Cuba produz cerca de 40 mil barris diários de petróleo, mas é abastecida, principalmente, com combustível proveniente da estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA). Contudo, as recentes tensões diplomáticas entre os governos dos presidentes norte-americano, Donald Trump, e venezuelano, Nicolás Maduro, têm dificultado o recebimento desses hidrocarbonetos.

No intuito de estrangular a frágil economia venezuelana, militares estadunidenses têm apreendido – ou “sequestrado” – alguns navios petroleiros venezuelanos em águas internacionais no Caribe. Todo e qualquer navio transportando combustível para dentro ou fora do país latino pode ser bloqueado por ordem do governo norte-americano.

Desse modo, Washington impede as atividades comerciais da PDVSA, principal fonte de renda para o governo de Nicolás Maduro e para a obtenção de divisas. Sem dólares, o país sul-americano não consegue importar matéria-prima e outros tantos itens essenciais, uma vez que Caracas importa quase tudo o que consome.

Em 2024, por exemplo, a estatal petrolífera venezuelana chegou a utilizar navios-tanque, que navegam fora do radar, para driblar sanções econômicas norte-americanas e entregar combustível ao regime cubano. Para dificultar apreensões, as embarcações enviavam sinais de localização falsos.

Os bloqueios a navios petroleiros por parte dos EUA são apenas mais um capítulo de crise. Desde setembro passado, forças armadas norte-americanas têm bombardeado embarcações suspeitas em águas caribenhas, sob alegação de combate ao narcotráfico na América Latina. Entretanto, não apresentaram provas concretas de que os integrantes fossem, de fato, criminosos. Os ataques, que resultaram em dezenas de mortos e mais de 20 embarcações destruídas, geraram críticas do Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU), que acusou o governo americano de promover “execuções extrajudiciais”.

E é com esse discurso de suposto enfrentamento a cartéis de drogas que o governo estadunidense tem justificado sua perseguição ao regime do ditador venezuelano Nicolás Maduro, acusado de ser o suposto líder do Cartel de los Soles.

Há décadas, desde Hugo Chávez, a Venezuela abastece a ditadura cubana com petróleo a baixo custo. O que parece ser uma mera ajuda humanitária é, na verdade, uma relação ideologicamente simbiótica e funciona como uma espécie de escambo. Em troca, Havana fornece mão de obra barata para unidades de saúde no país sul-americano, algo similar ao antigo modelo do Mais Médico no Brasil.

Para além dos constantes apagões, Cuba também sofre com uma crise sanitária. Nos últimos meses de 2025, ao menos 55 pessoas morreram por arboviroses, sendo a maioria menores de idade. Desse total, 37 foram por chikungunya e 18 por dengue, segundo a vice-ministra de Saúde Pública, Carilda Peña García, ao jornal local Granma.

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