Quarta-feira, 12 de novembro de 2025
A ferramenta está sendo testada durante a COP30 em Belém; no ano passado, o governo federal já havia assinado acordo com uma concorrente chinesa
Imagem: TheoLeo - Pixabay - Uso gratuito
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Parceria com empresa luxemburguesa
A empresa Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebras) firmou memorando de entendimento (MoU) com a SES, concorrente da Starlink, para cooperação técnica e estratégica. O objetivo é utilizar satélites de órbita média (MEO, na sigla em inglês) no Brasil para oferecer internet de alta velocidade e baixa latência. O anúncio foi divulgado na última sexta-feira (7/11).
“O objetivo é desenvolver soluções de conectividade crítica e soberana que apoiem políticas públicas de telecomunicações, com foco em inclusão digital, segurança e comunicações de Estado”, explicou a Telebras.
Os primeiros testes estão ocorrendo durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) em Belém, no Pará. O ponto de conexão ficará disponível em um estande da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que é parceira nessa iniciativa. O evento ambiental começou na última segunda-feira (10) e vai até o dia 21 deste mês.
Segundo a empresa brasileira – que é vinculada ao Ministério das Comunicações –, o documento assinado tem caráter não vinculante, ou seja, não é obrigatório. Além disso, poderão ser acordadas ‘futuras parcerias tecnológicas e comerciais, alinhadas à política nacional de soberania digital e à expansão da infraestrutura crítica de comunicações do Brasil’.
A Telebras e a SES já atuam por meio do Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão (Gesac). Trata-se de um programa do governo federal para fornecer gratuitamente internet de banda larga por satélite ou via terrestre em áreas de difícil acesso e/ou de vulnerabilidade social, como comunidades, escolas, postos de saúde, entre outras instituições públicas.
A SES tem sede em Luxemburgo e presta serviços em 80 países. Na América Latina, por exemplo, possui escritórios em São Paulo, Bogotá e Cidade do México.
Parceria com empresa chinesa
Vale destacar que a Telebras já havia acordado com a empresa chinesa SpaceSail e com a Administração Nacional de Dados da China a realização de estudos de viabilidade técnica para oferecer banda larga com custo acessível em locais onde a fibra ótica não chega. A companhia está desenvolvendo satélites de órbita baixa (LEO, na sigla em inglês). As negociações ocorreram durante o G20 no Rio de Janeiro, em novembro de 2024.
O governo chinês já tem memorandos de entendimento firmados com Peru, Uruguai, Chile, Paquistão e Vietnã.
Soberania x Geopolítica
Por enquanto, não há previsão de quando os serviços dessas empresas estarão disponíveis para consumidores em geral e para competir com a Starlink, do empresário Elon Musk.
Além de abrir caminho para criar concorrência, promover modernização tecnológica e soberania digital, essas parcerias podem ter viés geopolítico e ocorrem em meio às tensões entre o bilionário e autoridades brasileiras, especialmente, por conta de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que resultaram no bloqueio da plataforma X no Brasil.
Outro fato importante foi quando Musk se tornou assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comandar o Departamento de Eficiência Governamental. Isso levantou preocupações sobre o risco de se depender de infraestrutura estrangeira e o receio de que dados sensíveis pudessem cair em mãos de autoridades de outros países.

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