Quinta-feira, 06 de novembro de 2025
Um mês antes, o governo dominicano disse que não convidaria Cuba, Nicarágua nem Venezuela para o evento, o que motivou críticas por algumas nações
Imagem: Freepik - Uso gratuito - Qualidade da foto melhorada com inteligência artificial
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| O enfrentamento a cartéis de drogas com barcos na América Latina é mero detalhe |
O Ministério de Relações Exteriores da República Dominicana anunciou, na última segunda-feira (3/11), a suspensão da X Cúpula das Américas por ‘profundas divergências’ entre os países-membros. O evento ocorreria em Punta Cana, em dezembro próximo, e será adiado para 2026 em data a ser definida.
“Após uma cuidadosa análise da situação na região, o governo dominicano decidiu adiar para o próximo ano a celebração da Décima Cúpula das Américas. Essa medida foi consentida com nossos sócios mais próximos, incluindo Estados Unidos, impulsor original deste foro, e outros países-chave”, divulgou a chancelaria.
“Em 2022, quando assumimos a responsabilidade de realizar esta Cúpula das Américas, eram imprevisíveis as profundas divergências que atualmente dificultam um diálogo produtivo nas Américas. A essa situação, soma-se o impacto causado pelos recentes eventos climáticos que afetaram gravemente vários países do Caribe”, continuou o governo dominicano.
Há um clima de tensão na América Latina por conta da mobilização perpetrada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que enviou navios militares para o combate a narcotraficantes em águas internacionais no Caribe. O temor é de que ele determine uma invasão para derrubar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, investigado nos Estados Unidos por suposto vínculo com um cartel de drogas.
O adiamento por questões políticas e ideológicas é inédito na história do evento. No mês passado, a República Dominicana – que está na presidência temporária da conferência continental – informou que não convidaria Cuba, Nicarágua e Venezuela, tendo em vista que os três países não fazem mais parte da Organização dos Estados Americanos (OEA) nem são democráticos.
A falta de convite a esses três regimes autocráticos – ou ditatoriais – gerou críticas por parte da presidenta mexicana, Claudia Sheinbaum, e de seu homólogo colombiano, Gustavo Petro. Em protesto ao país anfitrião, ambos informaram que não compareceriam. O boicote enfraquece a importância do evento e as discussões em nível continental, tendo em vista que ambos têm peso geopolítico e relevada importância econômica.
O posicionamento do presidente dominicano, Luis Abinader, sinaliza um alinhamento ideológico a Donald Trump, até porque a economia de seu país – que ocupa a parte leste da Ilha La Hispaniola – sobrevive, principalmente, dos dólares deixados por turistas estadunidenses.
É válido recordar que Cuba, Nicarágua e Venezuela também não foram invitados para a edição anterior da cúpula hemisférica ocorrida em Los Angeles, quando os Estados Unidos foram os anfitriões.
Portanto, a suspensão da conferência não é apenas por ‘profundas divergências’, mas, também, por não conseguir equilibrar uma suposta pressão do governo norte-americano com autonomia diplomática.
Não haveria clima entre os mandatários dominicano e venezuelano: primeiro, porque a pequena nação centro-americana não reconhece a legitimidade da eleição que reconduziu Maduro em 2024; segundo, porque a República Dominicana apreendeu dois aviões usados pelo líder sul-americano em setembro do ano passado e em fevereiro de 2025 e os enviou aos EUA em meio a sanções comerciais de Washington contra Caracas.
Ademais, não haveria ambiente para um encontro de Trump com Maduro nem com Petro em meio a recentes divergências e crises diplomáticas.
O Furacão Melissa é apenas um detalhe nesse ‘furacão’ de tensões políticas na América Latina. O fenômeno natural já deixou cerca de 50 mortos e milhares de desalojados ou desabrigados nos últimos dias em países como Haiti e Jamaica, por exemplo.

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