México: prefeitura é incendiada em protesto a assassinatos praticados por gangues

Terça-feira, 04 de novembro de 2025

Os manifestantes protestavam contra os homicídios do prefeito de Uruapan, Carlos Manzo, e do agricultor Bernardo Bravo, que ocorreram num intervalo de duas semanas entre outubro e novembro

Imagem: Redes Sociais - Divulgação - Qualidade da foto melhorada com inteligência artificial
Os protestos em Michoacán dão sinais de que podem sair do controle
das autoridades de segurança

O palácio municipal onde funciona a sede da Prefeitura de Apatzingán, no estado mexicano de Michoacán, foi incendiado na noite dessa segunda-feira (3/11) em meio aos protestos contra os assassinatos do produtor rural Bernardo Bravo e do prefeito de Uruapan, Carlos Manzo. Os delitos ocorreram num intervalo de duas semanas. A manifestação começou pacífica, mas aos poucos teve esse desfecho infeliz.

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Manifestantes pedem a
renúncia da prefeita
Fanny Arreola
Carlos Manzo poderá se tornar uma espécie de mártir. Sua morte, durante uma festividade de finados, na noite do último sábado (1), se tornou símbolo de luta por justiça contra cartéis de drogas e começa a dar sinais de que poderá sair do controle das autoridades de segurança pública. No último domingo (2), a sede do governo estadual de Michoacán, em Morelia, foi invadida e vandalizada em protesto à morte de Carlos Manzo. Após o funeral em Uruapan, milhares de pessoas saíram às ruas para pedir por justiça.

Essa poderá se tornar a primeira grande crise enfrentada pela presidenta Claudia Sheinbaum em 13 meses de governo. A população está cansada de ser refém do crime organizado e da inércia estatal no combate à violência que impera por décadas no país.

A falta de uma postura mais incisiva ou agressiva por parte das autoridades tem feito com que cidadãos instem via redes sociais a renúncia da mandatária mexicana. Algumas legendas de oposição, como o Partido Revolucionário Institucional (PRI), por exemplo, estariam tentando capitalizar a pauta para reconquistar a hegemonia política perdida há sete anos desde que o Movimento Regeneração Nacional (Morena) venceu as duas últimas eleições presidenciais.

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A marcha por justiça em
Apatzingán começou pacífica,
mas durou pouco; o caos
tomou conta
Meses antes de ser alvejado a tiros, Carlos Manzo havia solicitado apoio armado do governo federal para enfrentar gangues que atuam na região. Ele era comparado ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele, considerado linha-dura contra o crime organizado.

Bernardo Bravo era um grande produtor de limões e presidente da Associação de Produtores de Citrinos do Vale de Apatzingán. Foi encontrado morto em seu veículo no último dia 20 de outubro. Ele possuía carro blindado e escolta pessoal.

Em setembro passado, o agricultor havia relatado em entrevista à Rádio Fórmula que estaria sendo ameaçado e vítima de extorsão por parte de facções criminosas, que exigiam parte dos lucros. O pai de Bernardo Bravo morreu de forma parecida em 2016, tortura seguida de morte, publicou o portal Infobae.

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