México: palácio de governo é invadido e vandalizado em protesto ao assassinato de prefeito

Segunda-feira, 03 de novembro de 2025

Prefeito Carlos Manzo, de Uruapan, foi morto a tiros no fim de semana; funeral foi marcado por protestos de cidadãos cansados da violência praticada por cartéis de drogas

Imagem: Asaid Castro - Agencia de Comunicación Gráfica México - Redes Sociais
Momento em que alguns dos invasores ao palácio do governo michoacano são detidos

Objetos quebrados, vidros espalhados pelo chão, paredes pichadas e móveis arremessados pela janela (foto 2) e incendiados. Essas são algumas das marcas de vandalismo deixadas por manifestantes que invadiram (fotos 1 e 4) o palácio do governo do estado mexicano de Michoacán, em Morelia, nesse domingo (2/11), em protesto ao assassinato do prefeito de Uruapan, Carlos Manzo.

Imagem: Elizabeth Guzmán - Redes Sociais -
Qualidade da foto melhorada com inteligência artificial
As marcas do vandalismo estão espalhadas na rua de Morelia

Aos gritos de ‘fora, assassino!’ – direcionados ao governador de Michoacán, Alfredo Ramírez Bedolla –, e segurando a bandeira nacional, os manifestantes exigiam sua renúncia, responsabilizando-o por não ter garantido proteção policial ao mandatário municipal morto a tiros na noite do último sábado (1) durante um festejo de finados.

Alguns invasores foram detidos após as forças de segurança lançarem bombas de gás lacrimogêneo e adentrarem à sede do governo estadual para retirá-los.

O funeral de Carlos Manzo aconteceu nesse domingo (2) e foi marcado por indignação e protestos por parte da população, que não suporta mais a violência perpetrada por cartéis de drogas. O governador Alfredo Ramírez precisou deixar o local às pressas por conta das vaias e xingamentos recebidos. Depois do sepultamento, milhares de pessoas caminharam pelas ruas de Uruapan (foto 3) para pedir por justiça.

Imagem: Omar Cuiriz - Redes Sociais
Milhares de pessoas protestam nas ruas de Uruapan

A presidenta Claudia Sheinbaum enfrenta protestos nas redes sociais de cidadãos que exigem sua renúncia. Essa pode ser a primeira grande crise que enfrenta em pouco mais de um ano de mandato. Ela condenou ‘com absoluta firmeza o vil assassinato’ do prefeito de Uruapan e expressou condolências aos familiares da vítima.

Imagem: Acontecer de Michoacán - Redes Sociais -
Qualidade da foto melhorada com inteligência artificial
Houve confronto entre a polícia e os manifestantes em frente
ao palácio do governo de Michoacán

Meses antes de sofrer o atentado, o prefeito – que era comparada ao presidente linha-dura de El Salvador, Nayib Bukele – tinha solicitado ao governo federal o envio de soldados do Exército e da Guarda Nacional, por temer represálias com a prisão de um suposto narcotraficante vinculado ao Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG).

O homicídio de Carlos Manzo poderá se tornar uma bandeira política por parte da oposição, tendo em vista que tanto a presidenta quanto o governador de Michoacán são do mesmo partido de esquerda, o Movimento Regeneração Nacional (Morena).

Para o Partido Revolucionário Institucional (PRI) – legenda de centro-direita que comandou a nação asteca por mais de meio século –, ‘há sete anos o México se tornou um cemitério nacional’ desde que o Morena assumiu o poder durante os governos de Andrés Manuel López Obrador e agora Claudia Sheinbaum.

“Drones com explosivos, carros-bomba, fossas clandestinas, campos de extermínio, ‘narcolanchas’, mais de 227 mil mortos, mais de seis mil feminicídios, mais de 130 mil pessoas desaparecidas é o que o México vive”, destacou o PRI num trecho de nota.

O PRI tenta se aproveitar ou instalar uma crise no intuito de recuperar sua hegemonia. Contudo, ignora que foi sob sua gestão que ocorreu o desaparecimento forçado de 43 estudantes normalistas de Ayotzinapa, no estado de Guerrero, durante o mandato do então presidente Enrique Peña Nieto. Já se passaram 11 anos, e os familiares das vítimas ainda buscam respostas e justiça.

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