Terça-feira, 04 de novembro de 2025
A incursão ocorreria nos mesmos moldes dos bombardeios em águas caribenhas próximas à Venezuela
Imagem: Gerada por inteligência artificial
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| Imagem ilustrativa mesclada das bandeiras dos EUA e do México |
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria planejando uma operação militar secreta híbrida – por terra e por drones – contra cartéis de drogas mexicanos. O caso foi revelado pela emissora NBC, nessa segunda-feira (3/11), com base em conversas com antigos e atuais funcionários de alto escalão da atual administração.
A missão, que ainda não tem data prevista para acontecer, contaria com a participação de funcionários da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês). No atual momento, soldados das forças armadas estariam em treinamento.
A operação em região fronteiriça do país vizinho ocorreria nos mesmos moldes que os bombardeios contra supostas embarcações utilizadas pelo narcotráfico em águas caribenhas nas proximidades da Venezuela. Apesar das incursões, o governo estadunidense não apresentou provas concretas de que os mortos seriam, de fato, contrabandistas.
Ainda segundo o canal de TV, a incursão armada não tem por objetivo destituir o governo, situação diferente em relação à Venezuela, na qual autoridades norte-americanas sinalizam interesse de derrubar o presidente Nicolás Maduro.
Não se trata de uma guerra contra as drogas, e sim por poder. O mandatário republicano tenta se colocar como xerife global, reforçando para o comportamento policialesco e fiscalizador dos Estados Unidos para com outras nações, promovendo ingerencismo por meio de postagens em redes sociais, incursões bélicas e/ou ativismo judicial.
A gestão Trump oferece uma recompensa de US$ 50 milhões – cerca de R$ 268 milhões – que levem ao paradeiro do ditador venezuelano, investigado por suposto nexo com a facção criminosa Cartel de los Soles.
Em abril deste ano, a Casa Branca já havia cogitado atacar narcotraficantes mexicanos, segundo a NBC. Nos últimos anos, cartéis de drogas mexicanos aperfeiçoaram seus métodos violentos contra povos locais e contra forças de segurança por meio de tecnologias como drones para atacar gangues rivais, entre outras táticas. Isso dá indícios de que não seria uma batalha fácil.
Em fevereiro passado, o Departamento de Estado norte-americano já tinha classificado como terroristas seis organizações estrangeiras, entre elas o Tren de Aragua, da Venezuela, e o MS13, fundada por imigrantes salvadorenhos em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Nos últimos meses, a CIA e as Forças Armadas estadunidenses têm realizado monitoramento aéreo contra cartéis de drogas mediante autorização do governo mexicano. No entanto, uma operação armada por soldados estrangeiros é rechaçada pela presidenta Claudia Sheinbaum.
Operações militares têm implicações legais e diplomáticas, a começar pela afronta à soberania dos países, o que poderia ser considerado uma declaração de guerra por violar normas internacionais. Além disso, seria um caminho sem volta e poderia se alastrar por outros territórios, inclusive sob viés político-ideológico sob a desculpa de se combater o tráfico internacional de entorpecentes.
No Brasil, por exemplo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) tem resistido à proposta norte-americana – apoiada pelo governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ) – de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas. Embora não se fale publicamente o real motivo, especula-se que isso fomente o intervencionismo estrangeiro por meio de incursões armadas em solo brasileiro.
Oficialmente, a resposta de autoridades brasileiras é de que essas facções não possuem caráter ideológico, e sim meramente financeiro, o que não procede em tempos atuais. Narcotraficantes se apresentam como cristãos e imiscuem diretamente nas liberdades individuais de moradores de favelas, ao praticarem intolerância religiosa contra segmentações de matriz africana, sequestrarem e incendiarem ônibus, permitir ou proibir o ingresso de determinados candidatos em campanhas eleitorais e diversificarem suas fontes de receita, o que inclui extorsões, taxas de segurança, sobrepreço de produtos e monopólio clandestino de serviços de internet e TV a cabo.
Em agosto passado, foi anunciada a implementação de uma base militar no lado paraguaio da Tríplice Fronteira – região que tem como vizinhos Brasil e Argentina – para combater grupos terroristas como o Hezbollah. A iniciativa conta com treinamento ofertado pelo Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI, na sigla em inglês).

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